Pintura contemplada pelo prêmio Aldir Blanc é misteriosamente apagada das paredes da Fundação Cultural de Brusque

Foto: Divulgação.

Uma obra intitulada “Povo de Dentro”, feita por Douglas Leoni, foi misteriosamente apagada das paredes da Fundação Cultural de Brusque. A obra foi contemplada com recursos públicos através do Prêmio Aldir Blanc. O prêmio visa reconhecer a trajetória dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura, artistas, artífices, mestras, mestres, grupos, coletivos, instituições artísticos culturais e pontos de cultura, todos atuantes no território catarinense e que tenham prestado significativa contribuição em seu território ao desenvolvimento artístico ou cultural de Santa Catarina.

O projeto em questão foi viabilizado por Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc no município de Brusque. O projeto Povo de Dentro nasceu em 2014 e, com a contemplação, foi executado em dez murais de Brusque no ano de 2021.

A obra fez parte de uma ação, aonde as paredes da Fundação Cultural de Brusque foram pintadas com arte urbana no mês de fevereiro. Douglas é artista, professor de artes e arteterapeuta. Coincidência ou não, a obra foi apagada depois de uma postagem do ex-diretor do Procon e assessor jurídico da Havan, Fábio Roberto de Souza.

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Na postagem, Fábio critica a obra a denominando como “farra do dinheiro público”. A postagem ocorreu na sexta-feira (24) às 17h. Vereadores e também o prefeito foram marcados na postagem. Confira:

No dia seguinte, ou seja, menos de 24 h após a postagem, uma nova publicação foi realizada comemorando a retirada da obra na parede:

O autor da obra, Douglas Leoni disse que não foi comunicado e descobriu o fato por um grupo no Whatsapp:

Ontem (sábado) no fim da tarde descobri num grupo de Whatsapp que a obra tinha sido apagada. Não fui comunicado. Tudo indica que foi na calada da noite, alguém foi lá e apagou.”, comenta.

Perguntado como se sente ao perceber sua obra retirada, Leoni comenta que é um misto de sentimentos: “Existem várias perguntas que precisam ser respondidas: Quem apagou? Lá existem câmeras então teremos esses dados, a não ser que alguém tenha apagado os registros das câmeras. Quem mandou apaga:? Por quais motivos? Por que o Povo de Dentro incomoda as pessoas? Por que até o momento a Fundação Cultural não emitiu uma nota oficial? Na sexta-feira uma pessoa fez um post na rede social falando da minha obra e no sábado aparece apagada? Estranho? Será? A ideia que passa ao ver minha obra apagada é de censura“, indigna-se.

O ex-diretor do Procon Fábio Roberto de Souza foi procurado pela reportagem do Olhar do Vale para comentar sua postagem, mas até o fechamento desta matéria ele não havia respondido.

A Superintendente da Fundação Cultural Zane Marcos, se manifestou através de nota oficial na tarde desta segunda-feira (27).

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