Um grupo de monitoras escolares da rede municipal de Brusque esteve na Câmara de Vereadores para pedir apoio na negociação de melhores salários e condições de trabalho. Os vereadores se comprometeram a ouvir as profissionais em uma reunião prevista para a próxima semana.
Entre as representantes da categoria estão Fabiana Kelly, Ivaldete Rosa Rodighero e Karine Edla Lacerda Cordeiro. Segundo as profissionais, a mobilização ocorreu após reuniões com o sindicato e com a Prefeitura não resultarem nos avanços esperados.
Fabiana afirma que a categoria enfrenta uma defasagem salarial que se arrasta há quase dez anos e que a falta de valorização tem provocado desmotivação entre as trabalhadoras.
“Nós viemos reivindicar a nossa valorização salarial, a valorização dos monitores, porque vêm acontecendo muitas coisas que têm nos deixado desmotivadas. Nós não temos uma valorização real”, declarou.
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A monitora também reclama que as profissionais não recebem adicional de insalubridade, apesar do contato frequente com crianças doentes durante a rotina escolar.
“Nosso salário está defasado há quase dez anos. Já fizemos reuniões e reuniões com o sindicato e com a Prefeitura, mas não conseguimos ver um avanço. Por isso, viemos à Câmara pedir ajuda. É o que nos resta hoje”, afirmou Fabiana.
Sobrecarga e falta de capacitação
Ivaldete Rosa Rodighero relata que, apesar de considerarem o trabalho gratificante, as monitoras enfrentam uma rotina cansativa e um número elevado de estudantes que necessitam de acompanhamento individualizado.
“Para nós é gratificante, porém cansativo. É uma superlotação, são muitas crianças com laudo e existe também a falta de capacitação”, explicou.
Segundo Ivaldete, as profissionais buscam não apenas aumento salarial, mas também formação adequada para exercer as atividades exigidas dentro das unidades de ensino.
“A gente está reivindicando capacitação e uma valorização real do nosso serviço, porque está complicado”, completou.
Monitoras defendem 75% do piso do magistério
Karine Edla Lacerda Cordeiro explicou que uma das referências utilizadas pela categoria é o Projeto de Lei 2.531/2021, que institui um piso salarial nacional para profissionais da educação básica pública que exercem funções de apoio administrativo, técnico ou operacional.
A proposta estabelece um piso equivalente a 75% do valor nacional pago aos profissionais do magistério para trabalhadores com formação de nível médio e jornada de até 40 horas semanais.
O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente tramita no Senado. Pelos valores de 2026, o piso previsto seria de aproximadamente R$ 3.847 para uma jornada de 40 horas semanais.
Apesar da tramitação da proposta, Karine afirma que as monitoras de Brusque não podem esperar por uma eventual aprovação e sanção da lei para receber uma valorização.
“A gente não tem como esperar, porque não sabe se o projeto será sancionado neste ano ou no ano que vem. Se ficarmos nessa espera, fica complicado para nós, porque o nosso salário está muito abaixo”, afirmou.
Conforme Fabiana , depois dos descontos, as monitoras recebem aproximadamente R$ 1,9 mil mensais. A profissional afirma que algumas integrantes da categoria precisam manter um segundo emprego no período noturno para complementar a renda.
“Muitos dos monitores estão tendo que trabalhar à noite, em um segundo emprego, porque não conseguem se manter”, relatou.
Segundo a monitora, a categoria teve neste ano um ganho real de aproximadamente 0,61%, que teria representado menos de R$ 150 no salário, além de um acréscimo de R$ 100 em benefício creditado aos servidores.
A reivindicação apresentada pelas profissionais é que a remuneração corresponda a 75% do piso nacional do magistério, conforme previsto no projeto que tramita no Congresso.
“Estamos reivindicando esse valor antes mesmo da aprovação do projeto, porque o nosso salário está muito defasado”, disse Fabiana.
Jornada de oito horas com os estudantes
As monitoras também afirmam querabalham oito horas por dia, cinco dias por semana, permanecendo durante toda a jornada com os estudantes.
De acordo com elas. enquanto os professores possuem períodos destinados à hora-atividade, as monitoras continuam responsáveis pelo acompanhamento das crianças, inclusive durante as aulas de Educação Física.
“A gente está o tempo todo com as crianças e com os alunos. Às vezes, acompanhamos estudantes neurodivergentes sem estarmos aptas para isso, porque não temos a capacitação necessária”, explicou.
Com a ida à Câmara, as monitoras esperam que os vereadores intermedeiem uma nova conversa com o Executivo municipal. Uma reunião para ouvir detalhadamente as reivindicações da categoria deverá ser realizada na próxima semana.



