O motoboy Djonata Thomaz, de 33 anos, morador do bairro São Luís, em Brusque, relata ter enfrentado demora e problemas na estrutura do Hospital Azambuja após ser socorrido em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido na quinta-feira (3), em Guabiruba.
Em contato com o Olhar do Vale, ele afirmou que encontrou macas danificadas, permaneceu em um corredor por falta de leito e aguardou pela avaliação, por exames e pela administração de medicamentos. Também relatou que a entrada da esposa como acompanhante foi inicialmente negada.
Procurado pela reportagem, o Hospital Azambuja confirmou que o Pronto-Socorro tem enfrentado períodos de superlotação nas últimas semanas. A instituição explicou que utiliza o Protocolo de Manchester e que os pacientes são atendidos conforme a gravidade do quadro clínico, não pela ordem de chegada.
O hospital não respondeu de forma individualizada aos pontos apresentados por Djonata. Alegou que, em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às normas de sigilo assistencial, não divulga informações sobre atendimentos individuais.
Leia também
Acidente ocorreu durante uma entrega
Djonata conta que sofreu o acidente enquanto realizava a última entrega do dia. Ele seguia do Centro de Guabiruba em direção ao bairro Guarani quando, nas proximidades da rótula do Posto Márcio, precisou desviar de um Chevrolet Onix que reduziu a velocidade de forma brusca.
O motoboy reconhece que estava momentaneamente desatento e afirma que desviou para não atingir a traseira do veículo. Nesse momento, ainda segundo seu relato, um Fiat Uno que estava mais à frente iniciou uma conversão à esquerda sem sinalizar.
Djonata tentou evitar a batida, mas acabou atingindo a parte traseira do Uno e caiu na pista. Ele afirma que o motorista do automóvel deixou o local após a colisão.
Com dores intensas nas costas, nas costelas e em um dos braços, além de dificuldade para respirar, o motoboy permaneceu deitado no asfalto até a chegada do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, o socorro foi rápido e ocorreu em menos de dez minutos. Após os procedimentos de imobilização, foi encaminhado ao Hospital Azambuja.
Espera e maca com problemas
Djonata afirma que chegou ao hospital por volta das 17h20 ou 17h30. Conforme o relato, a unidade estava lotada e foi necessário esperar até que houvesse uma maca do hospital disponível para que ele pudesse ser retirado da maca da viatura dos bombeiros.
Segundo o motoboy, o equipamento disponibilizado apresentava problemas nas rodas. Ele diz que o profissional teve dificuldade para conduzi-lo pelos corredores e que a maca chegou a bater nas paredes durante o deslocamento.
Djonata estima ter aguardado entre 20 e 30 minutos até a primeira avaliação médica, mas ressalva que não tinha uma percepção exata do tempo por estar deitado e com dores.
Durante o atendimento, informou à equipe que já havia fraturado as mesmas costelas cerca de nove anos antes e acreditava ter sofrido novas fraturas. Inicialmente, teria sido solicitado um raio-X, mas ele afirma que não conseguiu se posicionar na mesa devido às dores. Posteriormente, foi submetido a uma tomografia.
Conforme Djonata, o exame apontou fraturas em seis arcos costais, do quinto ao décimo, e a equipe indicou sua internação.
Permanência no corredor
O motoboy relata que retornou à ala vermelha e permaneceu entre uma hora e uma hora e meia sobre a mesma maca. Segundo ele, a internação foi efetivada por volta das 20h20, cerca de três horas após sua chegada à unidade.
Depois disso, afirma ter sido transferido para uma segunda maca, cujo encosto não levantava. Djonata diz que a posição completamente deitada aumentava as dores e dificultava sua respiração por causa das fraturas.
Sem leito disponível, ele relata que permaneceu em um corredor ao lado de outros pacientes. O motoboy afirma que havia grande demanda e que, em sua percepção, a equipe presente não conseguia atender todas as pessoas com a rapidez necessária.
Djonata também conta que estava sem se alimentar desde o meio-dia e recebeu comida somente perto da meia-noite. Para se levantar, ir ao banheiro e conseguir comer, afirma ter contado com a ajuda de um médico.
Medicação teria sido administrada durante a madrugada
De acordo com Djonata, foram aplicadas inicialmente duas injeções intramusculares na coxa, por cima da calça, porque ele não conseguia se virar na maca. Ele também afirma que a medicação intravenosa prescrita no momento da internação, por volta das 20h20, foi administrada somente perto das 2h.
Os horários mencionados correspondem ao relato do paciente e não foram confirmados pelo hospital. Djonata afirma possuir o laudo das fraturas, os documentos de alta e o receituário médico.
Acompanhante foi autorizada após contato com a administração
Por não conseguir realizar atividades sozinho, Djonata pediu que a esposa permanecesse com ele como acompanhante. Segundo o motoboy, a entrada foi negada inicialmente.
A família procurou o vereador Paulinho Sestrem, que, conforme Djonata, fez contato com a administração do hospital. Após a intervenção, a presença da esposa teria sido autorizada.
O Hospital Azambuja foi questionado sobre os critérios para permitir acompanhantes a pacientes adultos temporariamente incapacitados, mas não se manifestou especificamente sobre esse ponto.
Paciente questiona diferença entre os atendimentos
Djonata também afirma ter visto a chegada de ambulâncias da Unimed enquanto esteve na ala vermelha. Segundo sua percepção, pacientes transportados pelo convênio não permaneceram no corredor, diferentemente do que ocorreu com ele, atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“O SUS também é pago pela gente e eles têm que prestar um atendimento de qualidade, não somente no particular”, afirma.
A observação representa a percepção do paciente durante o período em que esteve na unidade e não comprova que tenha ocorrido prioridade em razão da modalidade de atendimento. O hospital foi questionado sobre a existência de estruturas, leitos ou fluxos distintos para pacientes do SUS, de convênios e particulares, mas não respondeu especificamente a esse ponto.
Alta sem necessidade de cirurgia
Na sexta-feira (4), Djonata foi avaliado por um ortopedista. Segundo o motoboy, o médico concluiu que as fraturas não apresentavam desalinhamento que justificasse uma cirurgia naquele momento e considerou que o procedimento poderia representar um risco maior do que a recuperação natural.
Ele recebeu alta com orientação para permanecer em repouso e acompanhar a evolução das fraturas.
Apesar das críticas, Djonata reconhece que o hospital enfrentava uma demanda elevada quando foi atendido. Para ele, no entanto, a situação observada demonstra a necessidade de mais estrutura, equipamentos e profissionais.
“Eu me machuquei bastante, mas não estava correndo risco de vida. E se eu tivesse perfurado algum órgão? Com essa demora e essa superlotação, será que eu teria sido salvo?”, questiona.
O que diz o Hospital Azambuja
Em nota encaminhada ao Olhar do Vale, o Hospital Azambuja informou que o Pronto-Socorro utiliza o Protocolo de Manchester para realizar a classificação de risco. Nesse sistema, os pacientes com quadros mais graves são priorizados, independentemente da ordem de chegada.
A instituição também confirmou que o setor tem enfrentado períodos de superlotação nas últimas semanas e reconheceu que esse cenário aumenta o tempo de espera, principalmente para os casos classificados como de menor urgência.
Segundo a instituição, as informações sobre atendimentos individuais são protegidas pela LGPD e pelas normas de sigilo assistencial. O hospital acrescentou que as manifestações encaminhadas pelos canais oficiais são apuradas e respondidas diretamente ao paciente ou ao responsável legal.
Confira a nota na íntegra:
“O Hospital Azambuja informa que o Pronto-Socorro utiliza o Protocolo de Manchester para a classificação de risco. A prioridade é definida a partir da avaliação do quadro clínico, sendo os casos mais graves atendidos primeiro, não por ordem de chegada.
Nas últimas semanas, o setor tem enfrentado períodos de superlotação. Esse cenário aumenta o tempo de espera, principalmente para os casos de menor urgência.
Em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às normas de sigilo assistencial, o Hospital não divulga informações sobre atendimentos individuais. As manifestações encaminhadas pelos canais oficiais são apuradas e respondidas diretamente ao paciente ou ao responsável legal.”



