ACIBr comemora 84 anos de fundação

Evento foi marcado pela homenagem ao ex-presidente, Nelson Zen Filho e pela palestra ministrada pelo Doutor em Comunicação, Dado Schneider

Foto: Darci Hellmann / Foto Primavera

Aconteceu na noite desta segunda-feira,15 o jantar festivo que comemorou os 84 anos de fundação da Associação Empresarial de Brusque (ACIBr), no Clube Santos Dumont. Participaram do encontro os diretores da entidade, seus associados e lideranças políticas e empresariais do município e da região.

“A ACIBr foi fundada em 1934 e, desde então, representa os interesses econômicos e sociais de Brusque, Guabiruba e Botuverá. Durante a noite de hoje queremos prestar uma justa homenagem ao nosso ex-presidente e grande amigo, Nelson Zen Filho, que carinhosamente chamamos de Tato e que tão cedo nos deixou. Também teremos uma palestra ministrada por Dado Schneider, sobre um tema bastante oportuno da vida empresarial que são as mudanças”, explica o presidente da ACIBr, Halisson Habitzreuter.

Na oportunidade, o presidente da entidade comentou o resultado do primeiro turno das eleições. “Infelizmente, Brusque, Guabiruba e Botuverá novamente ficaram sem representantes nas Câmaras Estadual e Federal, apesar da campanha feita pelo Conselho das Entidades, que conscientizava a população sobre a importância de votar nos candidatos da região. Para nós, o resultado é complicado e até prejudicial. Mas vamos seguir com as reivindicações e com o apoio do poder municipal e da Câmara de Vereadores. Apesar da ausência de representatividade, a renovação que tivemos nas esferas Estadual e Federal deve ecoar nosso grito de desenvolvimento. O resultado das urnas foi claro e mostra que o eleitor está cansado da velha política e do modelo ultrapassado de se fazer política sempre com os mesmos grupos, as mesmas pessoas e os mesmos conchavos. Acredito que a mudança vai impactar positivamente a nossa economia”, avalia Habitzreuter.

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Segundo ele, enquanto alguns políticos fazem uso da máquina pública para garantir os próprios privilégios, Brusque, Guabiruba e Botuverá seguem na contramão deste modelo e já exibem os bons resultados das gestões públicas participativas. “Estamos construindo uma nova política, na qual podemos opinar, contribuir e trabalhar juntos com os poderes constituídos. Quando a sociedade se envolve, conseguimos escolher a melhor solução”, detalha o presidente da ACIBr.

Para Habitzreuter, o mercado já se comporta de modo positivo com o provável desfecho do segundo turno. No entanto, ele reforça a importância do investimento para a retomada do crescimento econômico. “E a classe empresarial também espera que as condições para esta retomada sejam implementadas logo, através da reforma tributária, política, previdenciária e trabalhista para que nós, agentes propulsores da economia, possamos gerar emprego e renda”, pontua.

A vice-presidente regional da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) do Vale do Itajaí, Maria Izabel Pinheiro Sandri, prestigiou o evento e falou sobre as mais de oito décadas de história da entidade, marcadas por episódios e ciclos responsáveis por grandes mudanças no cenário econômico da região. Também explanou sobre o compromisso e inspiração de manter-se forte e seguir o caminho, sempre honrando a memória de seus fundadores.

“Salvo as diferenças contemporâneas, as dificuldades econômicas do passado não divergiam tanto das atuais, como crises financeiras, impostos abusivos, preocupação em ser competitivo, concorrência crescente, entre outros. Mas os empresários vislumbraram na atividade associativa o fortalecimento da classe e passaram a buscar juntos a solução para problemas em comum. Inúmeros foram os questionamentos que pautaram as reuniões. Mas os dirigentes estavam comprometidos com a missão de promover integração e desenvolvimento, estimulando a livre iniciativa e o associativismo. Por isso, fica registrado nosso reconhecimento aos diretores que conduziram e ainda conduzem a entidade, motivo de orgulho para seus associados”, ressalta Maria Izabel.

O prefeito de Brusque, Jonas Oscar Paegle, falou em nome dos prefeitos de Guabiruba e Botuverá. Ele destacou o crescimento industrial e comercial da cidade e da região e a importância da ACIBr em capacitar os setores econômicos. “Brusque é a segunda melhor cidade para se viver do Estado e a 45ª para se viver no Brasil. Isso se deve também ao trabalho que a ACIBr realiza, na organização e desenvolvimento das empresas”, ressalta.

Homenagem póstuma

O evento que comemorou os 84 anos de fundação da ACIBr foi marcado pela homenagem póstuma ao empresário Nelson Zen Filho, carinhosamente chamado de Tato, que faleceu no dia 1º de agosto deste ano. Tato Zen ingressou na diretoria da entidade em 2005, como Diretor para Assuntos de Comércio Exterior, cargo que ocupou por dois mandatos. Em 2009 foi eleito presidente da ACIBr com votação expressiva e, desde 2011, ocupava o cargo de Diretor para Assuntos da Indústria. Também foi presidente do Conselho Deliberativo da entidade, idealizador e coordenador do Conselho das Entidades e idealizador do Observatório Social de Brusque.

Casado com Maria do Carmo Tomazoni Zen, Tato é pai da Magali, Gabriel e Arthur. Nasceu em 1957 em São Paulo e desde 1978 morava em Brusque, onde iniciou a vida profissional como desenhista na área técnica da Zen SA. Foi responsável pela área de vendas e, até 2014, vice-presidente financeiro da empresa. Desde então, integrava o Conselho Administrativo da metalúrgica.

“Era um amigo admirado pela honestidade e boa índole. Com tais características se destacou como um homem de negócios. Suas premissas eram vistas em todas as áreas da sua vida. Tato era atuante e bem sucedido em suas iniciativas, pois havia nele a luz própria dos vitoriosos”, afirma o empresário Ingo Fischer.

“No começo pensei que seria fácil expressar a admiração que sinto pelo Tato. Contudo, ao parar para pensar nos motivos pelos quais o admiro, vejo quão grande pode ser o homem na sua simplicidade. E admito que falar do Tato não é fácil. Busquei então uma palavra: gratidão. Agradeço a oportunidade de ser vice-presidente em sua gestão na ACIBr e agradeço pelo brilhante trabalho que fez frente à entidade”, destaca o empresário Edemar Fischer.

“Para quem conheceu o Tato e o seu trabalho, fica a admiração e o respeito. Ele não será esquecido dentro de nossa entidade”, salienta o empresário Luciano dos Santos.

“Tive a honra de ser contratado por Nelson Zen Filho e lembro-me dele, no dia seguinte da posse, de passar em todas as mesas e cumprimentar todos os colaboradores. Foi uma rotina que se repetiu durante toda a sua gestão. Tato é exemplo de um ser humano simples e comprometido com as coisas do bem, mas, acima de tudo, com as causas do bem e as suas maiores virtudes eram a humildade e o tratamento com as pessoas”, lembra o diretor executivo da ACIBr, Cândido Horácio Godoy.

“Tato transpirava bondade e se preocupava com as causas de Brusque e região. Foi ele quem plantou a semente e depois regou a plantinha do Observatório Social para consolidar a ideia no município. Uma cidade melhor era o sonho dele e hoje é também o nosso sonho”, avalia o diretor do Observatório Social de Brusque, Evandro Gevaerd.

“Todo presidente deixa sua marca registrada e o que o Tato fez ainda ecoa no nosso meio, através de suas ideias, dinâmicas de trabalho e formas de pensar. Ele implementou projetos que continuam vivos. Era uma pessoa do bem, que para mim é exemplo de líder e empresário”, analisa o presidente da ACIBr, Halisson Habitzreuter.

A esposa de Nelson Zen Filho, Maria do Carmo Tomazoni Zen, fez o uso da palavra e, bastante emocionada, agradeceu pela lembrança e pelo carinho. “Estou um tanto saudosa pela ausência física do meu marido. Mas, ao mesmo tempo, alegre por estar aqui. Tato amava a vida e fazia tudo com amor. Foram quase 13 anos de dedicação à ACIBr, sempre marcados pela responsabilidade”, lembra a esposa.

Adultos inéditos

Durante a comemoração dos 84 anos de fundação da ACIBr foi apresentada a palestra “O mundo mudou… Bem na minha vez”, ministrada pelo Doutor em Comunicação, Dado Schneider. Pesquisador comportamental especialista na Geração Z (nascidos a partir do ano 2000) ele falou sobre a mudança de comportamento, as novas tecnologias e como esta conjunção vai impactar as relações de trabalho, especialmente para quem nasceu no século – e no milênio – passado, antes do advento da internet.

“Tenho 57 anos e meu primeiro emprego foi aos 17. Era uma grande empresa, mais de 200 funcionários, um dono e dez diretores. Eu era o ‘peão’. Passava o dia todo imaginando o que fazia um gerente. E jurei para mim mesmo que um dia chegaria neste cargo. Trabalhei muito, me aperfeiçoei. Fiz mestrado, doutorado. E quando finalmente chegou a minha vez, a agência de publicidade me deu uma sala que era um cubículo e muito trabalho. Em toda a história da humanidade as ordens vinham de cima. E isso mudou bem na minha vez”, conta Schneider.

Arrancando risos da plateia pela avaliação honesta dos tempos atuais, o palestrante destaca que as diferenças entre as pessoas não são mais ditadas pela idade e, sim, pela mentalidade.

“Aos 20 anos eu precisei responder três perguntas. Com quem vou casar? Qual profissão vou seguir? Já fiz concurso para o Banco do Brasil? Mas, no início da década de 1980, a expectativa de vida era de 62 anos e tudo acontecia mais cedo. Agora nós somos adultos inéditos porque teremos 30 anos a mais de vida do que nossos avós. Vamos aprender a mudar como nenhum adulto já mudou em toda a história da humanidade”, acrescenta o palestrante.

Schneider explica que quem nasceu no século 21 é considerado nativo digital. Os demais, nascidos antes desta data, são os imigrantes digitais. “Por favor, parem de reclamar que o neto de vocês, com três anos, já sabe entrar na internet. É claro que sabe, quando ele nasceu já havia o smartfone e o Google. A Geração Z é multicanal, como as mulheres também são, pela capacidade de executar mais de uma função ao mesmo tempo”, explica.

De acordo com o palestrante, a habilidade de suportar mais estresse e pressão vai determinar o futuro dos profissionais. “E sabe o que significa isso? Quem tiver essa possibilidade vai apenas receber metas maiores. Ou seja, nunca foi assim até aqui, mudou bem na minha vez”, brinca Schneider.

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