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Horas decisivas: Hospital Evangélico pode fechar nesta sexta-feira

Casa de saúde apenas não fechará as portas se uma das três empresas interessadas no arrendamento fecharem negócio nas próximas horas;

Foto: Wilson Schmidt Junior -

Foto: Wilson Schmidt Junior –

Brusque – A novela envolvendo a grave crise no Hospital e Maternidade Evangélico (HEM) está prestes a ter um novo episódio: o estabelecimento pode ser novamente arrendado  ou, então, fechar. Informações apuradas por Olhar do Vale dão conta de que dois grupos de São Paulo (SP), além da Unimed, mostram interesse em tomar conta do espaço. Se a transação for realizada, o cenário caótico de não pagamento de salários, FGTS e rescisões pode cessar. Se não for, os imbróglios prometem se multiplicar. A notícia foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Blumenau (Sesblu), Ingo Ehlert, durante coletiva de imprensa organizada na tarde desta quinta-feira, 12 de janeiro, na subsede da entidade representativa, que também assessora os trabalhadores da unidade hospitalar brusquense.

Ehlert se reuniu com a direção do HEM durante o período matutino e repassou as informações para a imprensa regional durante esta tarde. Segundo ele, se as tratativas que visam o repasse do estabelecimento não obtiverem sucesso nas próximas horas, existe a possibilidade eminente de fechamento já durante esta sexta-feira, 13. “Com essa reunião, chegou-se ao consenso de que – como o hospital ainda não tem uma informação concreta da venda ou do repasse para outro grupo – a direção vai fazer uma reunião com seus funcionários amanhã às 9h para que seja esclarecida para seus funcionários a situação do hospital e de que forma será paga as dívidas com os trabalhadores”, frisou.

Assessoramento jurídico e Justiça célere

Ehlert confirmou que existe um grande número de funcionários que foram demitidos nos meses de novembro, dezembro e já neste janeiro de 17. Todos estes ex-servidores do HEM estão sendo encaminhados ao departamento jurídico para que possam ajuizar ações contra a unidade hospitalar. “O sindicato garante que os trabalhadores não terão custos com honorários advocatícios, que serão pagos pelo hospital”, continuou. Ingo solicita que as pessoas que ainda mantém vínculos empregatícios com a casa de saúde, mas que queiram se desligar, procurem a assessoria advocatícia do Sesblu, a fim de que seja feita a rescisão indireta. “É como se o hospital lhe demitisse, pois, não está cumprindo com suas obrigações”.

As primeiras audiências na Justiça, referentes a ações impetradas por servidores do HEM, já estão previstas para o fim de março, o que foi considerado um trâmite célere pelo presidente do Sesblu. “Informamos ainda que a maioria dessas 31 ações que já foram ajuizadas, os juízes já concederam liminar, exigindo que o hospital pague em 48 horas as verbas rescisórias, sob pena de multa”. Os valores variam de R$ 200 a R$ 500 por dia de atraso.

Aproximadamente 85 pessoas foram demitidas no ano de 2016. Destas, avalia Ingo, 42 ainda não receberam qualquer tipo de verba rescisória.

Crise não é de hoje

A grave crise pela qual passa o Hospital Evangélico não é recente. Atrasos dos depósitos do Fundo de Garantia (FGTS) já ocorrem, segundo Ehlert, há muitos anos. “O que ocasionou essas reclamatórias trabalhistas em torno de R$ 400 mil, já com esses processos anteriores que o sindicato sempre deu assistência aos seus trabalhadores”, diz Ingo. Verbas oriundas de aluguéis das salas, do estacionamento, da lanchonete, além do contrato que o hospital possui com a Unimed, já foram bloqueadas pela Justiça, a fim de que se garanta ao menos uma parte das obrigações financeiras da casa. “Mensalmente está sendo feito um bloqueio para garantir o pagamento destas reclamatórias trabalhistas”.

A melhor saída, para o Sesblu, é de que um grupo assuma a direção do Hospital e, também, as suas dívidas. “Queremos que o trabalhador exerça suas atividades com a certeza de que início do mês seguinte ele ganhe seu salário. Quem é o empregador muitas vezes não importa tanto para o trabalhador e para o sindicato. Desde que se respeite a dignidade do trabalhador de que seja seguida as leis trabalhistas, nós não temos nenhuma objeção de quem vai assumir a direção”, finaliza.

por Wilson Schmidt Junior

Publicado por Olhar do Vale

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