Um caso envolvendo denúncias dentro da Escola de Ensino Fundamental Edith Gama Ramos, no bairro Cedro Grande, em Brusque, voltou ao centro das atenções após novos desdobramentos e reabertura de apuração pelo Ministério Público de Santa Catarina. Inicialmente arquivado em 2025 por ausência de elementos conclusivos, o caso passou a ser reavaliado a partir de novas manifestações e do volume de informações reunidas ao longo dos últimos meses. A escola tem gestão municipal.
Os episódios relatados envolvem dois irmãos, de 3 e 9 anos, filhos de João Paulo Hessmann e Vanderleira Contenzini Hessmann. De acordo com os responsáveis, as situações incluem exposição em sala de aula, constrangimento e dificuldades no diálogo com a direção da unidade. Após os acontecimentos, as crianças foram retiradas da escola.
Segundo o pai, a situação teria se agravado após um episódio envolvendo o filho mais novo, que não quis participar de uma atividade escolar. “Uma das professoras tirou o meu filho, deixou ele de lado e não deu cuidado pra ele. O mais velho viu tudo e chegou em casa chorando contando pra gente”, relatou.
A partir daí, segundo o depoimento, houve tentativa de diálogo com a escola, sem avanço. “Fui procurar a professora, mas o diretor não deixou conversar. Disse que tinha que ser ele que ia resolver. Esperei e não resolveu”, afirmou.
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Ainda de acordo com o pai, o filho mais velho teria sido exposto em sala de aula após o episódio. “A professora foi lá e envergonhou ele na frente da turma inteira. Disse que por causa dele o diretor estava em reunião, que ele levou fofoca pra casa. Ele chegou chorando”, disse.
As denúncias atingem a condução da unidade escolar à época dos fatos e passaram a integrar apuração administrativa. Ainda não há conclusão oficial sobre eventuais irregularidades, mas o caso avançou internamente com a abertura de procedimento específico para análise das condutas relatadas.

Após os episódios, os dois alunos passaram a apresentar alterações comportamentais. O mais novo iniciou acompanhamento terapêutico, enquanto o mais velho segue em atendimento psicológico, com registros de ansiedade associados ao período escolar.
O pai afirma que houve impacto direto na rotina da família. “Eu tive que tirar os dois da escola. Hoje um estuda a cinco quilômetros e o outro a oito da minha casa. Antes eu via eles entrarem no portão da escola de casa. É tudo prejuízo que veio pra gente”, relatou.
O caso, segundo ele, não seria isolado. “Não é só a gente. Tem professor, coordenador, ex-funcionário. São várias denúncias. Não é picuinha de pai”, afirmou.
Outro ponto levantado diz respeito à condução do caso pela Secretaria de Educação. O pai relata dificuldades no atendimento e na resposta às denúncias. “A gente chamou a prefeitura várias vezes pra conversar e não teve resultado. Nem sequer quiseram atender a gente direito”, disse.
Em um dos trechos mais contundentes, ele critica a atuação da gestão pública diante das denúncias. “A gente entende que a denúncia foi ignorada. A sensação é que colocaram a bunda em cima disso e não deram andamento como prometeram”, afirmou.
Ele também questiona a condução interna do caso. “A Secretária de Educação foi na nossa casa, escreveu várias folhas, disse que ia fazer uma ata e não fez nada. Depois chamou outras pessoas pra prefeitura e fez ata lá. Mas tudo que a gente entregou, ela tem. Não adianta dizer que não tem”, declarou.
Volume de denúncias e documentos reforça complexidade do caso
O conjunto de informações reunido ao longo do processo indica que o caso não se restringe a um único episódio. Há registros de diferentes manifestações ao longo do tempo, incluindo questionamentos sobre a condução da unidade e relatos envolvendo o ambiente escolar.
Os registros apontam para versões divergentes dentro da comunidade escolar, mas também para a existência de múltiplos relatos, o que levou à reabertura da análise e ao avanço de medidas administrativas.
Diante desse cenário e a pedido do Ministério Público, a Secretaria Municipal de Educação instaurou procedimento administrativo para apuração técnica das situações relatadas. A medida inclui a análise da conduta de profissionais da unidade.
Procurada pela reportagem, a secretária municipal de Educação, Franciele Mayer, confirmou a apuração e encaminhou nota oficial. A manifestação foi enviada na íntegra:
“As situações envolvendo as relações interpessoais já vinham sendo acompanhadas administrativamente. Diante das manifestações recebidas, foi instaurado procedimento administrativo, por meio de comissão específica, para apuração técnica, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Como medida preventiva, o Diretor e a Coordenadora Pedagógica foram afastados, visando assegurar a lisura do processo e a normalidade do ambiente escolar.
Há versões divergentes no âmbito da comunidade escolar, com manifestações tanto em relação à atuação do diretor quanto da coordenação, bem como apoio de diferentes grupos da comunidade, o que reforça a necessidade de uma apuração criteriosa.
A Secretaria segue acompanhando a situação, adotando todas as providências necessárias para garantir o pleno funcionamento da unidade.”
O caso segue sob análise do Ministério Público e com procedimento administrativo em andamento. Até o momento, não há decisão final sobre as denúncias.





