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Empresário cobra CPI do lixo e diz que investigação anda “adiada e enrolada” em Brusque

Norival Comandolli afirma ter levado informações aos vereadores, critica relatoria de Jean Pirola e diz que comissão precisa mostrar se vai investigar ou apenas empurrar o caso

O empresário Norival Comandolli. Foto: Anderson Vieira/Olhar do Vale.

O empresário Norival Comandolli voltou a colocar pressão sobre a Câmara de Vereadores de Brusque e fez duras críticas ao ritmo da CPI do lixo. Para ele, a comissão, aprovada com ampla adesão no Legislativo, estaria longe de demonstrar a velocidade e a disposição esperadas diante da gravidade das denúncias envolvendo o sistema de resíduos do município.

Em uma fala direta e sem rodeios, Comandolli afirmou que a CPI “está sendo adiada e enrolada”. A crítica mira especialmente a condução dos trabalhos e o papel do vereador Jean Pirola (PP), apontado por ele como alguém que não teria demonstrado entusiasmo na instalação da investigação, mas acabou assumindo a relatoria.

“Eu me admiro como é que o Jean Pirola não vota, não incentiva, e aceita ser relator. É muito grave isso”, afirmou o empresário.

Comandolli também defendeu que Pirola deixe a relatoria da CPI. Segundo ele, diante do afastamento divulgado pelo vereador por motivo de saúde, a medida seria necessária para que a comissão não fique ainda mais lenta.

“Ele devia renunciar à relatoria da CPI para o bem do povo de Brusque”, declarou.

O empresário afirma ter experiência de décadas em concessões e diz conhecer de perto o tema dos resíduos. Segundo ele, o problema não estaria apenas na coleta do lixo nas casas, mas principalmente no tratamento e na destinação do material. Comandolli sustenta que há falhas graves e afirma ter provas já repassadas a diferentes autoridades.

“O povo de Brusque está sendo lesado em vários sentidos”, disse. “O lesar não é aquele negócio de recolher o lixo em casa. O lesar é no tratamento.”

A fala de Comandolli joga gasolina em uma CPI que, na teoria, nasceu para investigar um dos temas mais sensíveis da administração pública: dinheiro, contrato, meio ambiente e serviço essencial. Na prática, porém, segundo a crítica do empresário, a comissão corre o risco de virar mais um daqueles instrumentos que fazem barulho na largada, mas perdem força quando chega a hora de ouvir quem diz ter documentos, informações e nomes.

Comandolli afirmou que se reuniu com vereadores antes da abertura da CPI, explicou o que sabia e que os parlamentares se sensibilizaram. Segundo ele, a comissão foi aprovada por 13 votos. Agora, cobra que o mesmo Legislativo que apoiou a investigação tenha coragem de tocar o trabalho até o fim.

O empresário também disse ter pedido para ser ouvido pela CPI. Segundo ele, o presidente da comissão, vereador Paulinho Sestrem, chegou a visitá-lo e conversou com ele por cerca de uma hora. Depois disso, Comandolli afirma que protocolou oficialmente, por meio de advogada, um requerimento para prestar depoimento.

“Eles têm quase que obrigação de me convidar”, disse.

Na avaliação do empresário, há resistência porque seu depoimento poderia trazer novos elementos ao caso. Ele afirma que tem “muita coisa” para contar à comissão e que o assunto é grave.

“Eles têm receio de mim, porque eu vou contar muita coisa”, declarou.

Comandolli também fez críticas ao Ministério Público. Ele afirmou que repassou informações ao órgão ao longo dos anos e disse ter recebido recentemente a informação de que um procedimento teria sido arquivado por falta de endereço. O empresário contestou a justificativa e afirmou que pretende levar o caso ao Conselho Superior do Ministério Público.

“Eles têm que saber que eu não estou parado. Estou com uma equipe de advogados trabalhando”, afirmou.

Apesar do tom duro, Comandolli nega interesse em operar o sistema de lixo de Brusque. Segundo ele, sua atuação ocorre por interesse público e para “defender o povo de Brusque”.

“Jamais eu vou operar o sistema de Brusque, porque eu não preciso. Eu tenho interesse de ajudar Brusque”, disse.

A fala do empresário aumenta a pressão sobre a CPI. Agora, a Câmara precisa responder uma pergunta simples: a comissão vai investigar de verdade ou vai apenas administrar o desgaste político até o assunto esfriar?

Prorrogação e composição da CPI:

A CPI que apura supostas irregularidades da empresa Veolia teve uma duração inicial de 90 dias e seu prazo expira na data de hoje, 20, porém foi solicitada prorrogação até o dia 18 de agosto, A CPI é formada pelos vereadores Paulinho Sestrem(PL- Presidente), Rogério dos Santos(Republicanos – vice-presidente), Jean Pirola(Relator), Leonardo Schmitz(PL – membro) e Joubert Lungen (Podemos -membro)

Contraponto

O Olhar do Vale entrou em contato com o Ministério Público (MP) para comentar a declaração do empresário. O MP enviou a seguinte nota:

“O Ministério Público de Santa Catarina recebeu representações formuladas pelo empresário junto a Promotorias de Justiça da Comarca de Brusque. Parte das manifestações resultou na instauração de procedimentos investigatórios que seguem em andamento, dentro dos limites legais e sob sigilo quando necessário. Esclarecemos que toda notícia de fato encaminhada às Promotorias de Justiça é analisada com responsabilidade, imparcialidade e observância aos requisitos legais.

O objetivo é assegurar a correta apuração dos fatos apresentados, bem como garantir proteção, acolhimento e segurança às pessoas que procuram os órgãos de controle e fiscalização. Vale ressaltar, ainda, que nem toda denúncia (representação) resulta na abertura de investigação ou no ajuizamento de medidas judiciais. Em alguns casos, após análise técnica e jurídica, pode ser verificada a ausência de elementos mínimos que indiquem irregularidade, autoria ou materialidade suficientes para justificar a continuidade da apuração.

Nessas situações, o arquivamento ocorre em conformidade com a legislação e com os princípios que regem a atuação ministerial, especialmente quando os fatos narrados não configuram infração, não apresentam indícios mínimos de prova, carecem de informações essenciais para aprofundamento ou quando não há justa causa para prosseguimento do procedimento” afirma o órgão.

A reportagem do Olhar do Vale também entrou em contato com os vereadores Paulinho Sestrem e Jean Pirola, citados na matéria, porém não teve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue em aberto. Veja a declaração do empresário na íntegra:

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