A morte de Oscar Schmidt, aos 68 anos, trouxe de volta uma memória que segue viva no esporte brusquense: a noite em que o maior nome do basquete brasileiro pisou na quadra da Sociedade Esportiva Bandeirante e transformou uma partida do Campeonato Nacional em um acontecimento para a cidade. Na reta final da carreira, vestindo a camisa do Flamengo, Oscar passou por Santa Catarina em jogos da competição nacional e também enfrentou a equipe de Brusque, deixando forte impressão em quem esteve em quadra e nas arquibancadas.
Naquele jogo em Brusque, dia 7 de abril 2002, um Domingo, o Bandeirante/Irmãos Zen não se intimidou. Pelo contrário: vendeu caro a derrota e empurrou o Flamengo até o limite. Conforme o registro do jornal da época enviado à reportagem, a equipe brusquense perdeu por 104 a 101, em uma partida acompanhada por 1,7 mil pessoas no ginásio da Sociedade Esportiva Bandeirante. O confronto foi decidido apenas no último quarto, com Oscar e Willy Bird terminando empatados como cestinhas, com 33 pontos cada. Mesmo derrotado, o time da casa saiu valorizado depois de encarar de frente um adversário nacionalmente badalado e um jogador já tratado como lenda.
O peso daquela noite vai além do placar. Não era apenas mais um jogo da tabela. Para Brusque, receber Oscar em um ginásio carregado de tradição esportiva transformou o duelo em capítulo histórico. A Sociedade Esportiva Bandeirante, fundada em 1900, ocupa lugar central na memória esportiva catarinense e foi nas dependências do clube que nasceram os Jogos Abertos de Santa Catarina, em 1960, um dos maiores eventos poliesportivos do país.

O contexto do campeonato ajuda a dimensionar o feito do time brusquense naquela noite. O Nacional de 2002 reuniu 17 equipes de sete estados. Ao fim da fase classificatória, o Flamengo/Petrobras terminou em 5º lugar, com 21 vitórias e 11 derrotas, enquanto o Bandeirante/Irmãos Zen fechou sua campanha em 15º, também com oito vitórias, em uma competição duríssima. Oscar ainda terminou aquele campeonato como cestinha geral, com 1.183 pontos. Ou seja: Brusque não enfrentou um veterano em fim de carreira apagado, mas sim o principal pontuador de todo o torneio.
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A lembrança daquele duelo continuou circulando no basquete catarinense. Em reportagem publicada após a morte de Oscar, o Globo Esporte resgatou depoimentos ligados à passagem do craque por Santa Catarina. Serjão, que dirigiu o Brusque, voltou a destacar o impacto técnico do camisa 14, enquanto o ex-jogador Olavo Silva definiu o encontro como algo marcante em sua carreira. Segundo ele, dentro de quadra, Oscar mostrou por que era uma referência mundial.

No fim da partida em Brusque, ainda segundo o jornal da época, Oscar foi homenageado pelo Bandeirante e agradeceu a recepção recebida na cidade. Esse detalhe ajuda a explicar por que a notícia de sua morte teve peso especial por aqui.
Para o Brasil, desapareceu uma lenda do esporte. Para Brusque, ficou também a lembrança muito concreta de uma noite em que o Mão Santa passou pela cidade, lotou o ginásio, decidiu no braço e deixou a sensação de que o basquete brusquense, por algumas horas, esteve no centro do país.

Oscar morreu em 17 de abril, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória, e a família relembrou sua luta de 15 anos contra um tumor cerebral. A despedida, segundo os comunicados divulgados na ocasião, foi reservada aos familiares.
O texto do jornal
O Jornal O Município, datado de 08 de abril de 2002 , traz a seguinte matéria:
Brusque – O Bandeirantes/Irmãos Zen, que perdeu para o Universo/Ajax, em Goiânia, por 114 a 111, foi derrotado ontem à noite pelo Flamengo, de Oscar, também por três pontos: 104 a 101. O jogo foi assistido no ginásio da Sociedade Esportiva Bandeiranter por 1,7 mil pessoas.
O jogo contra o Flamengo foi marcado pela emoção, e foi decidido no último quarto. Os cestinhas foram Oscar, do Flamengo, e Willy Bird, do Bandeirante/Irmãos Zen, com 33 pontos cada. Apesar da derrota, o técnico Serjão considerou boa a atuação do Bandeirante, que cometeu várias falhas na defesa.
O norte-americano Gee Gerwin, que não entrou em quadra, desligou-se da equipe de Brusque porque acertou sua transferência para o San Antonio, do Texas, Estados Unidos. No final do jogo, Oscar foi homenageado pelo Bandeirante e agradeceu a recepção que recebeu na cidade.







