A decisão da Prefeitura de Brusque de liberar parte dos servidores públicos para acompanhar o jogo do Brasil na Copa gerou reação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Brusque e Região, o Sinseb. Em manifestação, a presidente da entidade, Tânia Pompermayer, criticou o fato de servidores da Saúde e da Educação não terem sido incluídos na liberação.
Segundo Tânia, a medida criou uma diferenciação entre categorias e causou indignação entre os profissionais que permaneceram em atividade. Para ela, a decisão representa “dois pesos, duas medidas”.
“Os servidores, alguns, dispensados. Que bom para eles que foram liberados. Mas e os que não foram? Dois pesos, duas medidas. Estranho isso”, afirmou.
A presidente do sindicato também questionou o discurso político frequentemente associado à expressão “Deus, Pátria e Família”. Para Tânia, a administração municipal não teria aplicado, neste caso, aquilo que costuma defender publicamente.
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“Nos últimos tempos se fala muito em Deus, Pátria e Família. Onde é que está a Pátria, sendo que a Copa é a cada quatro anos, e liberar um período de um dia vai parar a cidade de Brusque? Acredito que não”, declarou.
Tânia também destacou que muitos pais que trabalham na iniciativa privada teriam conseguido negociar com suas empresas para compensar as horas posteriormente, a fim de acompanhar a partida com os filhos em casa. Na avaliação dela, a decisão da Prefeitura deixou de considerar também o aspecto familiar do momento.
“E a família? Como fica? Também não tem mais valor à família neste momento”, questionou.
Outro ponto levantado pela presidente do Sinseb foi o histórico de atuação dos servidores da Saúde e da Educação durante a pandemia. Ela afirmou que justamente essas categorias estiveram na linha de frente e precisaram se reinventar para manter os serviços públicos funcionando.
“Quem esteve à frente durante a pandemia? Servidores da Saúde e da Educação. Se reinventaram para não deixar o município na mão. E é desta forma a retribuição dada pela administração?”, criticou.
A dirigente sindical também reclamou da forma como a comunicação interna da Prefeitura teria sido conduzida. Segundo ela, circulares, normativas e ofícios foram divulgados em cima da hora, causando insegurança e confusão entre os servidores.
“Primeiro, as circulares, as normativas, os ofícios saem nos últimos segundos da prorrogação do segundo tempo. Aí vem um: todos serão liberados. Uma hora depois, revogam tudo: somente serviços essenciais”, disse.
Para Tânia, toda a estrutura pública municipal tem relevância para a cidade, incluindo prefeitura, autarquias e fundações. Por isso, ela questionou por que apenas algumas áreas teriam sido mantidas fora da liberação.
“Toda a prefeitura, autarquias e fundações são serviços importantes para a cidade. E por que somente duas categorias sendo discriminadas e penalizadas?”, afirmou.
A presidente do sindicato também sugeriu que a Prefeitura poderia ter buscado uma alternativa para permitir que os servidores acompanhassem a partida sem deixar os locais de trabalho, como a instalação de um telão em espaços públicos ou nos próprios ambientes administrativos, com retorno das atividades após o jogo.
“Por que a prefeitura não botou um telão lá atrás no estacionamento e todos os servidores que estivessem na prefeitura fossem assistir o jogo ali no local de trabalho? Mesma coisa em fundações e autarquias. Após o jogo, voltasse a funcionar os seus setores normalmente”, sugeriu.
Ao final da manifestação, Tânia afirmou que a indignação dos servidores é legítima e criticou o uso da população como justificativa para a decisão. Para ela, esse tipo de postura pode colocar os moradores contra o funcionalismo público.
“A indignação do servidor é justa. Muito justa. E usar a população para justificar algo que não tem justificativa é uma forma de jogar a população contra o servidor público. Isso tem que se acabar”, concluiu.
O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Brusque.




