Três mulheres que seguiam para o trabalho na manhã do último sábado (2) precisaram correr e se esconder dentro da conveniência de um posto de gasolina, em Brusque, após serem perseguidas por um homem que, segundo relatos, portava uma faca. O caso ocorreu por volta das 6h30 e gerou medo entre funcionárias e clientes que estavam no local.
Em entrevista ao Olhar do Vale, a caixa do posto, Daiane Fátima dos Santos, contou que o movimento era calmo naquele horário quando ouviu gritos vindos da rua. “Eu estava sentada no caixa quando ouvi umas meninas gritando que alguém estava com uma faca. Quando eu vi, elas entraram desesperadas para dentro. A gente fechou a porta, tremendo, apavorada”, relatou.

Segundo Daiane, as mulheres contaram que o homem havia corrido atrás delas. Após elas entrarem na conveniência, ele teria permanecido em frente ao estabelecimento. A funcionária afirma ainda que, ao perceber a presença de um homem nas proximidades, o suspeito teria jogado a faca em um bueiro, em frente a uma academia.
A faca, conforme o relato da entrevistada, não teria sido recolhida imediatamente pela Polícia Militar. Daiane disse que a PM foi acionada e que a guarnição chegou ao local cerca de 20 minutos após o ocorrido. Ela também afirmou ter informado aos policiais onde a faca estaria, mas, segundo ela, os agentes não chegaram a verificar o bueiro naquele momento.
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Mais tarde, funcionárias do posto teriam comprado um ímã e retirado o objeto do local. “Realmente, a faca estava lá. Uma faca não pequena”, disse Daiane.
A entrevistada também questionou a versão de que o homem estaria em surto psicótico ou abalado por uma desilusão amorosa. Para ela, o comportamento do suspeito demonstrava intenção e consciência dos atos. “Ninguém de boa intenção anda com uma faca daquela correndo atrás de três mulheres”, afirmou.
Daiane relatou que o episódio deixou as mulheres em pânico e reforçou a sensação de insegurança. “São mulheres indo trabalhar, mães de família. A gente se sente à mercê. Você chama a polícia e fica com a sensação de que só seria feito alguma coisa se alguém tivesse morrido”, declarou.
A funcionária disse ainda que decidiu dar entrevista para chamar atenção ao risco enfrentado pelas mulheres. “Não é minha obrigação comprar spray de pimenta ou arma de choque. É obrigação da segurança pública proteger as pessoas”, afirmou.
PM diz que viatura chegou em cerca de 6 a 7 minutos
Procurada pelo Olhar do Vale, a Polícia Militar contestou a informação de demora no atendimento. Em entrevista exclusiva, o capitão Censi afirmou que a ligação foi registrada pelo Copom às 6h33 e que a guarnição levou cerca de 6 a 7 minutos para chegar ao local.
Segundo o oficial, desde o início da ligação até a chegada da viatura ao posto, o tempo não teria ultrapassado 10 minutos. “Para o horário em questão, em torno de 6h30 da manhã, é um tempo extremamente satisfatório, porque é um momento de troca de serviço de guarnição”, explicou.
O capitão afirmou que a ocorrência foi tratada como prioridade por envolver um homem portando arma branca e ameaçando mulheres. Ele disse ainda que, em situações de maior gravidade, a PM desloca equipes mesmo quando elas estão atendendo outros chamados de menor potencial ofensivo.
Suspeito não foi preso em flagrante
Sobre o fato de o homem não ter sido preso no momento da ocorrência, Censi afirmou que os policiais realizaram rondas nas proximidades, mas não conseguiram localizá-lo naquele primeiro atendimento. Segundo ele, há a possibilidade de o suspeito ter visto a viatura e se escondido.
Ainda conforme a PM, o homem foi localizado somente no período da noite. Ele foi encaminhado ao hospital para atendimento, pois, segundo o capitão, possivelmente apresentava um surto psicótico e não havia mais situação de flagrante que permitisse a prisão naquele momento.
“Ele estava fora das razões dele, tanto que foi internado no hospital”, disse Censi. O oficial também afirmou que a PM precisou retornar ao hospital posteriormente, pois o homem teria tentado deixar a unidade antes de receber alta.
Ocorrência foi registrada inicialmente como ameaça
Questionado se o caso poderia ser tratado como tentativa de feminicídio, o capitão afirmou que a ocorrência foi gerada inicialmente como ameaça, conforme o entendimento da guarnição no local.
Segundo ele, no primeiro atendimento, as vítimas diretas não teriam sido identificadas pela equipe, e os policiais conversaram principalmente com pessoas que estavam no posto. Apesar disso, o oficial reconheceu que, em tese, a situação poderia ser analisada sob outra ótica.
“A princípio foi enquadrada como ameaça, conforme o entendimento da guarnição que estava no local e fez a entrevista com as pessoas presentes”, afirmou.
PM explica críticas sobre tempo de resposta
Durante a entrevista, o capitão Censi também comentou reclamações frequentes da comunidade sobre demora no atendimento de ocorrências. Segundo ele, a Polícia Militar trabalha com critérios de prioridade, especialmente quando há risco à vida.
O oficial afirmou que, em determinados horários, a demanda pode ser maior do que a capacidade imediata de resposta. “As demandas são infinitas e os recursos são escassos. Com a Polícia Militar não seria diferente”, disse.
Ele citou como exemplo ocorrências de perturbação do sossego que, embora importantes para quem solicita atendimento, podem ficar em segundo plano quando há casos mais graves, como violência doméstica ou tentativa de feminicídio.
“A gente busca atender 100% das ocorrências, mas há períodos de maior movimento. Sextas e sábados à noite, por exemplo, há muitas ocorrências de perturbação do sossego”, afirmou.
Efetivo em jogos não prejudica atendimento, diz capitão
O capitão também foi questionado sobre o uso de policiais em jogos de futebol e se isso poderia prejudicar o atendimento das ocorrências na cidade. Segundo ele, o efetivo destacado para eventos esportivos não é retirado do policiamento ordinário das ruas.
Censi explicou que, normalmente, são empregados policiais que atuam em funções administrativas durante a semana, como setores de trânsito, recursos humanos, patrimônio e áreas internas da corporação. Em alguns casos, segundo ele, há reforço de outras unidades.







