Estudo da DIVE/SC diz que taxa de óbito em idosos não vacinados é 47 vezes maior


Um estudo realizado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC) da Secretaria de Saúde (SES) de Santa Catarina com dados de novembro de 2021 a janeiro de 2022 aponta que o risco de hospitalização e morte é maior entre pessoas não vacinadas ou que estão com a vacinação incompleta do que naquelas que receberam a dose de reforço. Durante o período ocorreram 871 mortes por Covid-19.

A taxa de óbitos por Covid-19 em idosos não vacinados ou com vacinação incompleta foi 47 vezes maior do que naqueles que já receberam a dose de reforço. Já entre os adultos, a taxa entre os não vacinados ou com vacinação incompleta foi 39 vezes maior do que naqueles que receberam a dose de reforço.

“Os dados demonstram a importância da dose de reforço para se garantir uma proteção mais ampla contra formas graves da Covid-19, reduzindo hospitalizações e mortes principalmente na população acima de 60 anos, mas também na população de 18 a 59 anos, num contexto de alta transmissibilidade promovida pela variante Ômicron do coronavírus”, explica o superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário.

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Ao todo em Santa Catarina, 1.110.860 idosos com 60 anos já completaram o esquema primário de duas doses. No entanto, apenas 651.489 idosos já receberam a dose de reforço, o que representa pouco mais de 59% de cobertura de dose de reforço para esta população. Portanto, aproximadamente 459 mil idosos estão em atraso para receber a dose de reforço, e assim garantir uma maior proteção contra formas graves de Covid-19. O resultado dessa baixa cobertura tem se refletido nos últimos dias no aumento da taxa de ocupação de leitos hospitalares e de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) respiratória em todo o estado, refletindo também no aumento da mortalidade nesse grupo.

“Nós temos vacinas em número suficiente para atender a toda a população catarinense. Nós precisamos vacinar e todos precisam ter ciência de que essa é a melhor forma para sairmos dessa pandemia. Quando olhamos para os pacientes que estão evoluindo de forma grave com o coronavírus, observamos que a maioria possui um esquema vacinal incompleto e neste sentido é imprescindível que a população busque a dose de reforço e que os municípios facilitem o acesso a vacina ampliando e flexibilizando os horários de atendimento”, afirma o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro.

Internações
Nos casos de hospitalização, no período do estudo foram registradas 2.501 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com confirmação para Covid-19. A taxa de hospitalização em idosos não vacinados ou com vacinação incompleta foi 31 vezes maior do que entre os idosos que já receberam a dose de reforço. Já entre os adultos, a taxa entre os não vacinados ou com vacinação incompleta foi 20 vezes maior do que naqueles que receberam a dose de reforço.

Boletim epidemiológico
Segundo boletim epidemiológico da Covid-19 divulgado na terça-feira, 1º, houve um aumento de 95% no registro de mortes por Covid-19 em Santa Catarina entre a semana epidemiológica 03 (16 a 22 de janeiro) que registrou 93 óbitos, e a semana epidemiológica 04 (23 a 29 de janeiro), que registrou 181 óbitos. O maior número de óbitos registrados nessa semana vem acometendo idosos principalmente os que ainda não receberam a dose de reforço.
Santa Catarina teve um aumento de 68% nas hospitalizações de SRAG por Covid-19 em relação a última semana de 2021, passando de 221 na semana Epidemiológica 52/2021 (26/12 a 01/01) para 641 na semana epidemiológica 03/2022 (16 a 22/01).

Dose de reforço
Todas as pessoas acima de 18 anos que já completaram 4 meses do esquema vacinal primário de duas doses devem receber a dose de reforço. Para isso, são utilizadas vacinas do laboratório Pfizer, mas também doses dos laboratórios Janssen e AstraZeneca. De acordo com o diretor da DIVE/SC, João Fuck, a população precisa garantir a dose de reforço para obter uma maior proteção contra formas graves e óbitos por Covid-19. “Hoje recebemos mais doses do Ministério da Saúde, e com isso esperamos que haja uma maior busca da população para receber as doses de reforço, além de um empenho maior dos municípios no sentido de promover estratégias para sua aplicação”, enfatiza.

Dados do estudo
O estudo aponta que, em Santa Catarina, no período de 01 de novembro de 2021 a 30 de janeiro de 2022, a taxa de hospitalização por Covid-19 na população acima de 60 anos que ainda não se vacinou ou se encontra com a vacinação incompleta foi de 1567,8 casos por 100 mil pessoas vacinadas. Entretanto, quando se observa a taxa de hospitalização entre os idosos que completaram o esquema primário e receberam a dose de reforço, a taxa de hospitalização cai para 50,2 por 100 mil pessoas imunizadas. Isso representa um risco 31 vezes maior nos não completamente vacinados do que nos vacinados com dose de reforço.
Em relação a população adulta (18 a 59 anos), a taxa de hospitalização por Covid-19 foi 20 vezes maior entre a população não vacinada ou com vacinação incompleta (116,0 casos por 100 mil pessoas) quando comparada com a população que completou o esquema vacinal mais a dose de reforço (5,9 casos por 100 mil pessoas).
“As taxas de hospitalização e óbito por Covid-19 utilizada no estudo é calculada por meio do número de hospitalizações e mortes por Covid-19 em relação ao status vacinal da população catarinense. É uma medida que informa o quanto uma determinada população não completamente imunizada apresenta de risco em relação a uma população devidamente imunizada. Temos uma boa parte da população já vacinada, e aquelas que se encontram no grupo dos não vacinados estão com o risco maior que os vacinados”, explica Macário.

Em relação a mortalidade, no período do estudo, a taxa de óbitos por Covid-19 na população acima de 60 anos que ainda não se vacinou ou se encontra com a vacinação incompleta foi de 836,4 óbitos por 100 mil pessoas vacinadas. Entretanto, quando se observa a taxa de óbitos entre os idosos que completaram o esquema primário e receberam a dose de reforço, a taxa de óbito cai para 17,7 óbitos por 100 mil pessoas imunizadas. Isso representa um risco 47 vezes maior de morte para as pessoas não imunizadas.

A população adulta (18 a 59 anos), a taxa de óbitos foi 39 vezes maior entre a população não vacinada ou com vacinação incompleta (27,3 óbitos por 100 mil pessoas) quando comparada com aqueles com esquema vacinal e mais a dose de reforço (0,7 óbitos por 100 mil pessoas).

Veja aqui os gráficos do estudo:

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