O novo edital do Programa Arthur Schlösser de Incentivo ao Esporte (Bolsa-Atleta e Bolsa-Técnico), lançado pela Prefeitura de Brusque com a promessa de ser o maior investimento da história no setor, virou alvo de denúncia formal dentro do próprio Conselho Municipal de Esportes. O alerta parte do jornalista esportivo e conselheiro Sidney Silva, que protocolou pedido urgente solicitando a convocação de uma reunião extraordinária antes do encerramento das inscrições, marcado para a próxima quarta-feira. 21 de janeiro.
A manifestação ocorre após uma sequência de reportagens que apontaram distorções consideradas graves na distribuição dos recursos públicos da Prefeitura de Brusque previstos no edital 2026. O ponto mais crítico envolve a previsão de repasse de R$ 19,5 mil mensais para a Ginástica Artística — modalidade que não possui equipe estruturada, base ou projetos permanentes na cidade.
Mesmo sem atuação local, o valor previsto é um dos maiores entre todas as modalidades contempladas, superando inclusive entidades brusquenses que mantêm projetos de formação há anos. Como conselheiro do órgão responsável por acompanhar e fiscalizar a política esportiva do município, Sidney afirma que a situação precisa ser tratada com urgência institucional, sobretudo em virtude do silêncio e da falta de transparência da Prefeitura de Brusque.
“Não estamos falando de um detalhe administrativo. É dinheiro público sendo direcionado para uma modalidade que não existe na cidade, com base em brechas legais criadas e aprovadas a toque de caixa que permitem contratar atletas de fora apenas para competir. Isso fere completamente o conceito de incentivo ao esporte local e precisa ser discutido imediatamente pelo Conselho”.
O conselheiro também critica a forma como o edital foi elaborado e aprovado. Segundo ele, o texto foi encaminhado e validado em caráter de urgência no fim de 2025, praticamente às vésperas do Natal, sem debate amplo com a comunidade esportiva e sem análise aprofundada do próprio Conselho.
Entre os pontos denunciados por Sidney e levados oficialmente ao órgão estão. Destinação elevada de recursos a modalidade sem atuação comprovada em Brusque; permissão expressa no edital para vínculo de atletas de fora; desigualdade nos valores repassados a associações locais com base ativa; flexibilização de critérios permitindo exceções em até 30% dos atletas das equipes; distorções no paradesporto, com campeões recebendo menos; falta de transparência sobre a redistribuição de valores excedentes gerados por resultados acumulados.
Sidney reforça que o Conselho Municipal de Esportes tem papel fiscalizador e consultivo e que a ausência de manifestação antes do encerramento das inscrições pode legitimar repasses questionáveis. “Se o Conselho se calar agora, estará assumindo para si a responsabilidade de omissão na aplicação dos recursos do esporte. O maior investimento já anunciado precisa ser também o mais transparente e justo, priorizando quem realmente trabalha pelo esporte brusquense”.
Segundo o conselheiro, até o momento, o presidente do Conselho Municipal de Esportes, Delmar Tondolo, ainda não confirmou a convocação da reunião extraordinária solicitada. Enquanto isso, as inscrições seguem abertas até quarta-feira (21). A denúncia amplia a pressão por esclarecimentos públicos da Prefeitura de Brusque e da Fundação Municipal de Esportes.




