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Datafolha projeta reeleição de Lula como presidente do Brasil

Ex-metalúrgico e líder sindical, petista supera Flávio Bolsonaro em uma eleição marcada pela polarização e amplia sua trajetória histórica na política brasileira

Foto: Divulgação

O Datalfolha acabou de projetar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeleito presidente da República neste domingo (25). Com a projeção, o petista conquista seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, consolidando uma das trajetórias políticas mais longas e marcantes da história contemporânea do Brasil.

Com 99.645.071dos votos e 79,6% das urnas apuradass até o momento Lula recebeu 50.422.675 votos, o que corresponde a 51,21% contra 48,73 % de Flávio Bolsonaro, que somou 48.190.618 votos até o momento.

A vitória garante ao presidente mais quatro anos de governo, entre 2027 e 2030. Geraldo Alckmin (PSB) permanece como vice-presidente da República.

O resultado representa mais um capítulo da trajetória de um político que saiu do sertão pernambucano, ganhou projeção nacional como líder sindical e chegou à Presidência pela primeira vez em 2003.

Da pobreza no Nordeste à liderança sindical

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco. Filho de uma família humilde, migrou ainda criança com a mãe e os irmãos para São Paulo, em busca de melhores condições de vida.

Ainda jovem, trabalhou como engraxate, office-boy e operário. Tornou-se torneiro mecânico e ingressou na indústria metalúrgica do ABC paulista, região que se transformaria no principal cenário de sua ascensão política.

Na década de 1970, passou a atuar no movimento sindical. Em 1975, assumiu a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

Durante a ditadura militar, liderou grandes greves operárias que desafiaram o regime e contribuíram para sua projeção nacional. Em 1980, foi preso durante a repressão aos movimentos grevistas.

No mesmo ano, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que se tornaria uma das principais forças políticas do país.

As derrotas antes da chegada ao Planalto

A primeira experiência eleitoral de Lula ocorreu em 1982, quando disputou o governo de São Paulo, sem sucesso.

Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte, participando da Assembleia responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Três anos depois, disputou pela primeira vez a Presidência da República. Chegou ao segundo turno das eleições de 1989, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello.

Voltaria a concorrer em 1994 e 1998, perdendo ambas as eleições para Fernando Henrique Cardoso.

A vitória finalmente veio em 2002, quando derrotou José Serra e se tornou o primeiro presidente brasileiro com origem diretamente ligada ao movimento operário.

Os primeiros mandatos e os escândalos políticos

Lula governou o Brasil de 2003 a 2010, após conquistar a reeleição em 2006.

Seus dois primeiros mandatos foram marcados pela expansão de programas sociais, como o Bolsa Família, pela valorização real do salário mínimo e por um período de crescimento econômico favorecido, entre outros fatores, pela alta internacional das commodities.

Também foram criados ou ampliados programas de acesso ao ensino superior, crédito e habitação, que contribuíram para consolidar sua popularidade.

Entretanto, os governos petistas também enfrentaram graves crises políticas, especialmente o escândalo do mensalão, revelado em 2005, que resultou na condenação de dirigentes do partido e integrantes da base governista.

Após deixar a Presidência com elevados índices de aprovação, Lula apoiou a candidatura de Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014.

Prisão, anulação das condenações e retorno ao poder

A trajetória política de Lula sofreu uma reviravolta com a Operação Lava Jato.

Em 2017, o ex-presidente foi condenado em primeira instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Preso em abril de 2018, permaneceu detido por 580 dias, até novembro de 2019.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações relacionadas à Lava Jato, por entender que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. O STF também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do tríplex.

As decisões restabeleceram seus direitos políticos, permitindo que voltasse a disputar eleições.

Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro em uma das disputas presidenciais mais acirradas da história brasileira, retornando ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023.

O terceiro governo e a disputa de 2026

No terceiro mandato, Lula voltou a priorizar políticas de transferência de renda, programas habitacionais e iniciativas de desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que enfrentou desafios relacionados às contas públicas, à inflação e à relação com o Congresso Nacional.

A polarização política permaneceu como uma das principais características do período, com embates frequentes entre o governo e a oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na eleição de 2026, Lula buscou a continuidade de seu projeto político, novamente ao lado de Geraldo Alckmin.

Do outro lado estava Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho de Jair Bolsonaro, que assumiu o protagonismo eleitoral do campo conservador.

A disputa colocou frente a frente dois projetos políticos distintos e mobilizou eleitores de diferentes regiões do país.

Um quarto mandato e novos desafios

Com a vitória, Lula entrará em 2027 com 81 anos, ampliando sua presença na história política nacional.

O presidente terá pela frente desafios como a manutenção do crescimento econômico, o equilíbrio das contas públicas, a geração de empregos, a melhoria dos serviços públicos e a busca por estabilidade nas relações institucionais.

Também precisará administrar um ambiente político marcado por profundas divisões ideológicas e pela necessidade de construir maiorias no Congresso Nacional.

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