A forma como os moradores de Brusque pagam pela água poderá passar por mudanças. Uma proposta de revisão tarifária em análise pela Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos (AGIR) prevê a adoção de um novo modelo de cobrança pelo abastecimento realizado pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).
A principal mudança está na composição da fatura. Pelo modelo proposto, o consumidor passaria a pagar uma parcela fixa, relacionada à manutenção e à disponibilidade do sistema de abastecimento, além de uma cobrança variável correspondente ao volume de água efetivamente consumido.
Na prática, isso significa que mesmo um imóvel sem consumo registrado no mês poderá continuar sujeito à cobrança pela disponibilidade do serviço.
A proposta está aberta à consulta pública até a próxima quinta-feira, 5 de novembro, e ainda não representa uma alteração definitiva nas tarifas.
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O que muda na conta de água?
Atualmente, o Samae utiliza uma estrutura tarifária que estabelece valores mínimos conforme a categoria do imóvel e faixas de consumo.
Na categoria residencial, por exemplo, a tabela em vigor desde maio de 2026 estabelece uma cobrança de R$ 42,38 para consumo de até 10 metros cúbicos de água, equivalentes a 10 mil litros.
Quem ultrapassa essa quantidade paga valores adicionais conforme a faixa de consumo.
Com a proposta em discussão, a cobrança passaria a ser dividida em duas partes:
- Uma parcela fixa, denominada Tarifa Básica Operacional (TBO), destinada aos custos de manutenção e disponibilidade da rede de abastecimento.
- Uma parcela variável, calculada de acordo com a quantidade de água registrada pelo hidrômetro.
A mudança poderá produzir impactos diferentes entre consumidores, dependendo da categoria do imóvel, do consumo mensal e dos valores que vierem a ser aprovados.
Quem vai pagar mais?
Essa é uma das principais questões que precisam ser esclarecidas antes da implementação do novo sistema.
Uma mudança na estrutura tarifária não significa, necessariamente, que todos os consumidores terão aumento na conta. Alguns perfis poderão ter redução, enquanto outros poderão enfrentar valores superiores aos atuais.
O resultado dependerá da combinação entre a tarifa fixa e os preços estabelecidos para cada metro cúbico consumido.
Por isso, a comparação entre o sistema atual e o modelo proposto é fundamental para que a população compreenda os possíveis efeitos da alteração.
Também é importante esclarecer como ficarão as cobranças para famílias de baixa renda, imóveis com consumo reduzido e estabelecimentos comerciais.
Mudança ocorre após reajuste aplicado em 2026
A discussão acontece meses depois de o município estabelecer um reajuste de 3,36% nas tarifas do Samae.
O aumento foi formalizado pelo Decreto Municipal nº 10.669, de 13 de abril de 2026, com aplicação dos novos valores a partir de maio.
Agora, a proposta em análise não trata apenas de uma atualização percentual, mas de uma alteração na própria estrutura de cobrança dos serviços de abastecimento.
Segundo as informações divulgadas pelo Samae, a reestruturação pretende adequar o modelo tarifário às diretrizes regulatórias do setor de saneamento. A proposta também prevê uma categoria Residencial Social destinada a famílias de baixa renda, conforme critérios legais.
População pode participar até quinta-feira
A consulta pública foi aberta pela AGIR em 12 de outubro e permanecerá disponível até as 23h59 do dia 5 de novembro.
Durante esse período, moradores, entidades, empresas e demais interessados podem encaminhar manifestações sobre a proposta.
As contribuições devem ser apresentadas por meio dos canais disponibilizados no site oficial da agência reguladora.
A discussão envolve um serviço essencial e pode afetar diretamente o orçamento doméstico de milhares de consumidores de Brusque.
Até a conclusão do processo regulatório e a eventual aprovação de novas regras, permanece válida a estrutura tarifária atualmente em vigor.



