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CED desmonta versão de André Vechi sobre desistência de Brusque dos Jasc 2027

Prefeito culpou demora do Conselho Estadual de Esporte, mas órgão afirma que processo estava em andamento, tinha parecer favorável e faltava apenas a plenária final

Recordar é viver: Vechi já foi aliado do vereador cassado Jocimar Lima. Reprodução/Instagram.

A versão apresentada pelo prefeito de Brusque, André Vechi, para justificar a desistência da candidatura do município a sede dos Jogos Abertos de Santa Catarina de 2027 sofreu um duro revés poucas horas depois do anúncio feito pelo próprio chefe do Executivo. A informação foi trazida em primeira mão pelo jornal Esporte SC.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (15), Vechi afirmou que Brusque retirou a candidatura por causa da demora do Conselho Estadual de Esporte em definir a cidade-sede. Segundo ele, a indefinição inviabilizaria o planejamento do município para receber o evento.

A explicação, no entanto, foi rebatida pelo próprio CED. Em nota enviada ao EsporteSC, o presidente do Conselho, Alexandre Beck Monguilhott, afirmou que o processo não estava parado e que a candidatura de Brusque já havia passado por etapas técnicas importantes. Segundo o órgão, a vistoria das estruturas esportivas foi concluída em 27 de fevereiro, o parecer técnico de viabilidade foi finalizado em 18 de março e, no dia 24 de março, as comissões técnicas já haviam concluído análise favorável à candidatura brusquense.

Ou seja: ao contrário do que tentou fazer parecer o prefeito, o processo não estava engavetado por omissão do Conselho. De acordo com o CED, faltava apenas a realização da sessão plenária final, etapa em que as cidades interessadas apresentariam oficialmente suas candidaturas ao colegiado antes da escolha da sede.

A nota do Conselho coloca em xeque a narrativa adotada por Vechi. O prefeito disse que não poderia “esperar até o segundo semestre” para começar o planejamento de um evento do tamanho dos Jasc. Mas, conforme o CED, a tramitação havia avançado e a definição dependia da plenária, considerada pelo órgão uma etapa essencial e que não poderia ser feita “a toque de caixa ou de maneira leviana”.

O Conselho também revelou um ponto que não apareceu no discurso do prefeito: a primeira candidatura de Brusque havia sido protocolada fora do prazo, em junho de 2025, e acabou rejeitada pela composição anterior do CED. Somente depois da posse da nova diretoria, em novembro, o prazo foi reaberto para garantir maior transparência ao processo. Brusque, então, reapresentou a documentação.

Nos bastidores, conselheiros ouvidos pelo EsporteSC também apontaram outro problema: a falta de articulação política da prefeitura. Integrantes do CED afirmaram que Brusque teria apenas enviado a documentação, sem demonstrar empenho suficiente para convencer o colegiado. Um conselheiro chegou a resumir a situação dizendo que “faltou articulação política”.

Além da articulação, a estrutura esportiva do município também gerava dúvidas. A Arena Brusque, frequentemente alvo de reclamações por problemas de goteiras, e a limitação de outros espaços esportivos estavam entre os pontos de preocupação de membros do Conselho.

A tentativa de sediar os Jasc em 2027 era tratada como uma das grandes apostas políticas do governo André Vechi. O evento poderia funcionar como vitrine no último ano da atual gestão. Para isso, o município chegou a flexibilizar regras do Bolsa-Atleta e investiu pesado em contratações, incluindo mais de R$ 300 mil em uma equipe de ginástica artística de Florianópolis, formada por atletas e profissionais sem vínculo direto com Brusque, medida que gerou críticas dentro da comunidade esportiva.

Agora, sem a candidatura, o prefeito afirma que os recursos que seriam usados na competição serão destinados a projetos sociais e à base do esporte. O discurso, porém, ocorre depois de o próprio Conselho Estadual de Esporte desmentir a principal justificativa usada pela prefeitura para abandonar a disputa.

Na prática, Vechi tentou jogar no colo do CED o peso de uma desistência política. A resposta do Conselho, no entanto, mostra que a história era mais complexa do que a versão publicada nas redes sociais. E, principalmente, que a candidatura de Brusque não caiu apenas por demora em Florianópolis, mas por falta de força, articulação e confiança na capacidade do município de convencer o colegiado.

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