A Tribuna Popular da Câmara Municipal de Brusque recebeu, durante a sessão ordinária da última terça-feira, 16 de junho, a presidente da Associação de Pais, Profissionais e Amigos dos Autistas de Brusque e Região (AMA Brusque e Região), Márcia Graf Faria. Em sua manifestação, ela apresentou um panorama da evolução dos serviços voltados às pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no município e chamou atenção para as demandas que ainda persistem no acesso ao atendimento especializado.
Márcia destacou a estrutura atualmente mantida pela entidade e os convênios que possibilitam o atendimento de centenas de crianças e adolescentes. Segundo ela, a AMA oferece serviços em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE). “Temos a felicidade de dizer que hoje nós temos uma sede da AMA que atende centenas de pessoas autistas, principalmente crianças e adolescentes”, afirmou.
Por outro lado, a presidente expressou preocupação com a crescente fila de espera por consultas e terapias. Ela mencionou a dificuldade enfrentada por famílias que aguardam acesso a especialistas, especialmente neuropediatras. “Ainda é uma angústia todos que nós não estamos conseguindo atender, todos que ainda estão precisando de ajuda”, declarou.
“É assim que o autismo funciona”
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Durante o pronunciamento, Márcia compartilhou experiências pessoais para ilustrar desafios enfrentados por pessoas autistas e suas famílias. Ao comentar a presença de sua filha no plenário, explicou que determinados comportamentos da menina, que tem nove anos e é autista, podem ser compreendidos à luz das características do transtorno. “Realmente, é um pouco difícil controlar essa menina. Para estar aqui, ela precisa estar em movimento. É assim que o autismo funciona”, disse.
A presidente também defendeu mais informação e conscientização da sociedade sobre o tema. “Muitas crianças estão todos os dias aprendendo a viver em sociedade. Então, a sociedade precisa aprender um pouquinho a conviver com eles”, pontuou.
Ela ressaltou ainda que, embora o autismo seja frequentemente associado às potencialidades das pessoas diagnosticadas, a condição envolve desafios que exigem acompanhamento contínuo e suporte especializado. “O autismo muitas vezes é colocado como um superpoder, como algo extraordinário, muito positivo e, obviamente, existem muitos pontos positivos em ser autista, mas também existem muitos pontos negativos, e é por isso que essas pessoas têm um diagnóstico de um transtorno do neurodesenvolvimento”, observou.
Números do TEA em Brusque
Ao agradecer a participação da presidente da AMA Brusque e Região, o presidente da Câmara, Jean Dalmolin, parabenizou o trabalho desenvolvido pela entidade e citou números relacionados ao TEA no município. Segundo ele, Brusque conta atualmente com mais de 2,2 mil pessoas diagnosticadas com o transtorno, sendo 1441 homens e 808 mulheres. “Parabéns pelo trabalho da AMA, à diretoria e aos pais envolvidos com a associação”, concluiu.
Assista ao pronunciamento de Márcia Graf Faria na íntegra: https://youtu.be/lRnCxTcEguY




