Barragem de Botuverá depende de aprovação em Brasília, diz Secretário Estadual de Defesa Civil

Crédito: Guédria Motta / Ideia Comunicação

A Associação Empresarial de Brusque, Guabiruba e Botuverá (ACIBr), realizou na tarde desta segunda-feira, 24 de junho, uma reunião com o secretário Estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel BM Fabiano de Souza. O encontro, promovido no hall do Centro Empresarial, Social e Cultural de Brusque (CESCB), reuniu diretores da entidade e presidentes que formam o Conselho das Entidades por uma Brusque Melhor. Os prefeitos de Brusque, André Vechi; de Guabiruba, Valmir Zirke; e de Botuverá, Alcir Merízio, também se fizeram presentes, assim como demais autoridades públicas.


A construção da Barragem de Botuverá foi a principal pauta discutida durante o encontro. “Não é possível que voltemos a acumular prejuízos diante das enchentes, especialmente quando já foi indicada, há mais de 10 anos, a necessidade da construção de uma barragem em Botuverá. Esta foi a conclusão de um estudo feito pela Agência de Cooperação Internacional do Japão para o Governo de Santa Catarina”, disse o presidente da ACIBr, Marlon Sassi, em seu discurso.


Segundo ele, a sociedade civil organizada e o poder público das três cidades formam uma voz única, que insiste para que o projeto saia do papel e se transforme em realidade. “É, com certeza, a segurança que o nosso empresário e que o nosso cidadão merece. Ainda que fortes chuvas caiam na região, todos nós precisamos estar certos de que fizemos o necessário para que vidas e patrimônios estejam resguardados”, afirma Marlon.

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O presidente da ACIBr ainda destacou que os valores aplicados na recuperação de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Itajaí, nas enchentes de 2023, já representam 50% do investimento necessário para a obra. “Vislumbramos a Barragem de Botuverá com múltiplas funções. O potencial de complexo turístico, com Parque Nacional da Serra do Itajaí aberto ao público; o Parque Municipal das Grutas de Botuverá, com as cavernas consideradas por estudiosos entre as mais bonitas do mundo; e com a construção da obra com atividades náuticas e de hotelaria. Há, ainda, a possibilidade de abastecimento de água potável para diversas cidades do litoral de Santa Catarina. E, sobretudo, a mitigação das cheias, que além de colocar tantas vidas em risco, deixa um rastro de destruição e prejuízo pelo Vale do Itajaí Mirim”, citou Marlon, elencando as vantagens do projeto.

Trâmite em Brasília
O secretário Estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel BM Fabiano de Souza, ressalta que é uma prioridade do governo de Santa Catarina a mitigação de inundações e desastres naturais. Para ele, o diálogo é ainda mais oportuno, por conta das cheias que assolam o Rio Grande do Sul. “A barragem de Botuverá tem o projeto executivo e as licenças finalizadas, assim como as áreas já indenizadas. Porém, dependemos da redemarcação do Parque Nacional da Serra do Itajaí. Esse projeto passou na Câmara dos Deputados, em Brasília, e agora está no Senado Federal, tendo como relator o senador catarinense, Jorge Seif. Ele já apresentou o relatório, que passou na Comissão do Meio Ambiente na semana passada e agora está sendo direcionado para pauta e aprovação no plenário”.


Conforme a explanação do coronel Fabiano, o governador Jorginho Mello está em contato com o senador Rodrigo Pacheco, para que o projeto seja aprovado e siga para sanção presidencial. “Em Santa Catarina tudo está muito adiantado e temos a expectativa que, em um curto prazo, ocorra a ordem de serviço. Mas, só depois da redemarcação do parque em Brasília é que poderemos falar em datas”, ressalta. .


Segundo o coronel Fabiano, a obra em Botuverá é complexa, envolve licenciamento ambiental e a atualização do projeto, que permaneceu por muitos anos engavetado. “Houve dispêndio financeiro no passado para contratar projetos que não evoluíram. O governo está preocupado e buscando dar celeridade às obras. Mesmo assim, é preciso vencer algumas amarras burocráticas”, detalha.
O secretário ainda pontua que, a partir do licenciamento e ordem de serviço, inicia a complexidade de execução. “É algo que não se faz da noite para o dia, mas vamos acompanhar para que a obra tenha começo, meio e fim”.

Outras medidas
Por fim, o secretário Estadual de Defesa Civil elencou melhoramentos fluviais, desassoreamento (por sucção ou mecânico), construção de diques e de barramentos. “No contexto do Vale do Itajaí, são 25 obras que não têm uma relação direta com Brusque, mas com todo o Vale. São medidas que beneficiam a região, que concentra um terço da população catarinense”.

Manifestações
Durante o encontro, o engenheiro agrônomo, Carlos Rockenbach, fez a apresentação de um estudo muito detalhado sobre a barragem de Botuverá e, sobretudo, os impactos positivos que a obra deve gerar na contenção de cheias. Depois de ouvir as considerações do secretário, ele acredita que o governo de Santa Catarina está sensibilizado sobre a necessidade do projeto. “Estamos esperançosos para que a obra saia do papel o quanto antes”, afirma.


O prefeito de Botuverá, Alcir Merízio, também deixou a reunião satisfeito. “Há um mês estive com o governador e com o secretário Fabiano e os dois demonstraram conhecimento sobre o projeto. Esperávamos uma boa notícia hoje, mas entendemos os entraves e percebemos que existe uma preocupação do Estado sobre o tema. Estamos caminhando ao lado dos demais governos municipais e da classe empresarial, em apoio para que as obras estruturantes aconteçam”.


Já o prefeito de Brusque, André Vechi enfatizou a importância da barragem de Botuverá para minimizar a preocupação com a cidade em períodos prolongados de chuva. “Nos últimos cinco anos, o rio saiu da calha 19 vezes, 12 delas de setembro de 2023 para cá. Então percebemos que esses episódios de chuvas volumosas estão acontecendo com uma frequência maior”, alerta.


O prefeito de Guabiruba, Valmir Zirke, também fez o uso da palavra, ressaltando a necessidade da obra. “Ainda que o nosso município não sofra diretamente com a cheia do rio Itajaí-Mirim, nós acompanhamos e nos solidarizamos com a situação das cidades vizinhas”.

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