“A Prefeitura e a Fundação Cultural não estão agindo com caráter”, afirma Leoni sobre nota oficial divulgada

O assunto também foi destaque na sessão da Câmara Municipal de Vereadores.

Foto: Divulgação.

Em sessão realizada ontem (29) na Câmara Municipal de Brusque três dos 15 vereadores se manifestaram sobre a pintura de Douglas Leoni apagada das paredes da Fundação Cultural de Brusque. Assunto este que o Olhar do Vale trouxe com exclusividade já no domingo (29).

O vereador Cassiano Tavares (Podemos) fez um discurso emocionado em que disse que o assunto é sério, principalmente para quem preza por liberdade, lembrou que o projeto foi contemplado pela lei de incentivo a cultura Aldir Blanc e reputou a nota da prefeitura de Brusque “que diz que está apurando os fatos” como lamentável: “Mas como? A prefeitura não sabe quem é que pintou? Isso dá brecha para comentários do tipo: “Ah, provavelmente um pintor que passou lá de madrugada, não gostou da arte, comprou uma tinta e resolveu pintar em cima e ainda teve o cuidado de tirar as câmeras para não ser filmado”. Eu quero me solidarizar com o Douglas. Eu posso gostar ou não da arte dele, mas é algo que saiu dele. Fundações Culturais no mundo todo tem pintura. Em Brusque não pode ter. A prefeitura no mínimo tem que trazer respostas. Por que só a arte dele foi apagada? Prefeitura, traga as informações e arque com as consequências. Todo mundo busca a liberdade e isso está indo contra a liberdade. O pedido de liberdade não pode ser seletivo. A prefeitura tem que responder por que foi pintado esse mural? Prefeitura um pouco de respeito com o artista, com o cidadão. Respeito!”

Já Jean Dalmolin (Republicanos) manifestou solidariedade ao artista em aparte no pronunciamento de Tavares: “Eu me solidarizo com o Douglas, qualquer um de nós, se fossemos artista ficaríamos sentido com a situação que ocorreu”, relatou

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A vereadora Marlina de Oliveira (PT) também se manifestou na tribuna: ” Trata-se de um crime o que ocorreu na calada da noite de sexta para sábado. Foi um crime arquitetado com requintes de ódio e violência e de distorção daquilo que se compreende por arte. A obra em questão se trata de patrimônio artístico cultural do nosso município, uma vez que foi contemplada pela lei Aldir Blanc com recursos públicos. Douglas Leoni não é o amador. Ele passou por um processo criterioso. O que ocorreu em Brusque foi uma barbárie. Aqui não está em questão o gosto de um capanga de um empresário brusquense que estará na CPI da pandemia. A questão é de um projeto que foi rechaçado publicamente em rede social e depois disso misteriosamente entre muitas aspas amanheceu apagado”. O que está por trás do ódio gratuito ao artista? Prefeito Ari Vequi, cobro um posicionamento seu. Afinal prefeito, quem autorizou a pintura? A nota esvaziada emitida pela diretora da Fundação Cultural, não nos traz uma dimensão exata de que atitudes serão tomadas.

Requerimento

Passou pela votação dos vereadores um requerimento de autoria da vereadora Marlina de Oliveira que convida a Diretora da Fundação Cultural, Zane Marcos, para participar de uma sessão da Câmara com o objetivo de esclarecer os fatos. O requerimento foi aprovado pelos vereadores.

O que diz o artista?

Douglas Leoni esteve presente na sessão de ontem e acompanhou os pronunciamentos . Em entrevista aos veículos de comunicação da cidade, ele afirmou que foi censura o que ocorreu e aponta que em Brusque está ocorrendo uma caça às Bruxas por Brusque não aceitar “obras mais progressistas” e reclamou da obra ter sido retirada na calada da noite. “Por que a prefeitura municipal age de forma clandestina?”, questiona.

O artista também informou que atitudes serão tomadas em relação ao fato: “Então, nós estamos colhendo assinaturas em um abaixo-assinado, para que realmente seja feito uma investigação legítima e transparente. Já correu boatos que pessoas queriam ir lá apagar as imagens das câmeras. Se nós vivêssemos em uma democracia, se a fundação tivesse coragem de esclarecer os fatos, ela mesma ia mostrar as imagens. É simples, eles tem câmeras, tem vigia na praça. O vigia não viu. A obra é pública. Nós estamos com ações jurídicas e vamos entrar no ministério público. Tudo isso tem um tempo para acontecer, mas nossa maior resposta será a poesia”, salienta.

Quando perguntado se houve perseguição política, o artista respondeu: ” Se não teve, por que aconteceu isso? Me traga uma outra explicação e o projeto já teve outros momentos de perseguição. Teve empresário na cidade fazendo vídeo me chamando de pichador. Eu não comecei hoje, eu não sou um vagabundo. É um desrespeito não só a mim, mas a arte. É ignorante, eles mostram a sua ignorância. São pessoas que pararam lá no século XV. É um retorno a idade média. Daqui a pouco nós vamos subir a rampa da Fundação Cultural cantando louvores. É, isso? A Fundação Cultural não é uma igreja, é um lugar de arte. A Fundação e a prefeitura nesse momento não estão agindo com caráter”, finaliza.

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