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Denúncia de possível furto de água atinge diretor do Samae enquanto autarquia evita explicações

Foto;: Divulgação

Um servidor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Brusque, com salário superior a R$ 20 mil, é alvo de uma notícia-crime encaminhada ao Ministério Público de Santa Catarina sob suspeita de fraude no consumo de água, abuso de autoridade e coação de testemunhas.

De acordo com o documento, o investigado teria, em tese, substituído o hidrômetro do imóvel onde reside por um equipamento possivelmente adulterado, que não registraria o consumo real de água. A conduta, caso confirmada, pode se enquadrar em crimes como furto mediante fraude e peculato, por envolver possível vantagem indevida com uso da estrutura pública.

A denúncia aponta ainda que, ao ser questionado por um leiturista durante o exercício da função, o servidor teria utilizado sua posição hierárquica para impedir a fiscalização, alegando ocupar cargo de direção na autarquia.

Há uma sindicância instaurada no Samae para apurar os fatos. Segundo o Olhar do Vale apurou, com base em diversas fontes ouvidas pela reportagem na condição de anonimato, o investigado ocupa um cargo de direção dentro da autarquia.

Após o registro interno da ocorrência, o caso teria avançado para um cenário mais delicado dentro do Samae. Há indícios de que servidores envolvidos na comunicação da irregularidade estariam sendo pressionados, direta ou indiretamente, o que amplia a gravidade do caso para além de uma possível fraude individual.

A Portaria nº 142/2026 do Samae, que instaurou a sindicância investigativa, é citada na denúncia como possível instrumento utilizado não apenas para apuração dos fatos, mas também como mecanismo de reação interna ao episódio.

O documento oficial confirma a abertura da sindicância para apurar fatos relatados em memorandos internos e registros da ouvidoria, com prazo inicial de 60 dias para conclusão. A comissão designada tem poderes para coletar depoimentos, requisitar documentos e conduzir a investigação, que tramita sob sigilo.

No pedido encaminhado ao Ministério Público, o denunciante requer medidas urgentes, como o afastamento cautelar do servidor investigado, a realização de perícia técnica no hidrômetro e garantias de proteção aos funcionários que formalizaram a denúncia, diante do risco de intimidação.

Silêncio que se repete

A reportagem buscou posicionamento oficial do Samae. O diretor-presidente da autarquia, Rodrigo Cesari, foi procurado, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

Não é a primeira vez. Sempre que questionado pelo Olhar do Vale em situações sensíveis envolvendo a autarquia, o diretor-presidente tem optado pelo silêncio. A ausência de respostas, que já se tornou recorrente, levanta questionamentos sobre transparência e disposição para prestar esclarecimentos à população.

O espaço segue aberto para manifestações.

Dois pesos, duas medidas?

O caso escancara um contraste que chama atenção: enquanto moradores são frequentemente expostos em ações contra ligações clandestinas de água, com divulgação pública e rigor nas medidas, a apuração envolvendo um servidor em cargo de direção ocorre sob sigilo e sem qualquer posicionamento oficial até agora.

A diferença de tratamento levanta uma pergunta inevitável: a regra vale para todos ou há exceções dentro da própria estrutura pública?

A investigação segue em andamento tanto na esfera administrativa quanto sob análise do Ministério Público de Santa Catarina.

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