Jovem, técnico, com experiência no Executivo e um discurso centrado em planejamento, legislação e articulação, o vereador Anderson Luiz Cavichioli (Progressista), de 31 anos, vai se firmando como um dos nomes mais consistentes para assumir a presidência da Câmara de Guabiruba no próximo biênio. Atual vice-presidente da Casa, ele reúne características que, para muitos, pesam na hora de pensar quem tem condições de comandar o Legislativo com equilíbrio, modernização e capacidade de diálogo.
Natural de Guabiruba, nascido em 1994, Anderson é engenheiro civil formado pela Unifebe e atua há mais de sete anos como empresário na área de projetos de engenharia e negócios imobiliários. Antes de chegar ao Legislativo, foi secretário municipal de Planejamento Urbano e Infraestrutura entre 2022 e 2024, função que, segundo ele, mudou completamente sua visão sobre a vida pública e o preparou para o mandato.
Na entrevista, Anderson deixou claro que a política não fez parte de sua trajetória desde cedo. Segundo ele, a entrada na vida pública aconteceu de forma inesperada, no fim de 2021, quando recebeu do prefeito Valmir Zirke o convite para assumir a Secretaria de Planejamento. “Pra mim, foi até uma surpresa, porque, no momento, eu não tinha nem uma filiação política”, afirmou.
Ele conta que vinha de uma rotina voltada ao escritório de engenharia, já inserido na realidade local por meio da atividade profissional e do contato com a comunidade. A mudança para o setor público, segundo ele, foi desafiadora, mas também decisiva. “A gente buscou estruturar, melhorar algumas coisas e trazer um pouco essa visão que a gente tem do poder privado pra dentro do setor público”, disse.
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Foi justamente essa passagem pela secretaria que, na avaliação do próprio vereador, ajudou a amadurecer seu perfil e abriu caminho para a candidatura em 2024. Anderson afirma que o bom desempenho no Executivo fez com que seu nome começasse a ser cogitado de forma natural. “Quando alguém dentro do poder público começa a se destacar por um bom trabalho, começa a se cogitar a possibilidade de entrar pra alguma candidatura”, declarou.
A candidatura veio rápido, mas não sem respaldo político. Durante a conversa, ele reconheceu o papel do prefeito Valmir Zirke como principal incentivador de sua trajetória. “Politicamente, foi uma pessoa que me ajudou muito no sentido de me dar também um caminho. Uma oportunidade”, afirmou. Anderson também citou a importância do então presidente do partido, Cristiano Kormann, com quem conversou sobre o cenário legislativo e a viabilidade de seu nome na disputa.
Na eleição municipal de 2024, o resultado confirmou a força dessa construção. Em sua primeira candidatura, Anderson obteve 731 votos e garantiu uma cadeira na Câmara de forma direta, sem passar pela suplência. “Fui, na época, o terceiro mais votado, o segundo do partido”, lembrou. Para ele, o desempenho expressivo foi fruto de uma soma de fatores, como a experiência no Executivo, a inserção comunitária, os trabalhos voluntários e a credibilidade construída na vida profissional.
“Eu posso dizer que fiz um estágio na prefeitura antes de entrar, realmente, como candidato eleito”, resumiu. A fala ajuda a entender uma das marcas mais fortes de seu mandato até aqui: o conhecimento prático sobre a máquina pública. Ao contrário de parlamentares que chegam ao cargo ainda tentando compreender os limites da função, Anderson afirma que sua vivência anterior deu mais maturidade para saber até onde vai o papel do vereador e de que maneira é possível ajudar a comunidade sem criar falsas promessas.
Na Câmara, ele diz ter escolhido um caminho menos barulhento e mais técnico. “Eu sempre busquei um perfil realmente mais técnico”, afirmou. O vereador reconhece que essa postura pode não render o mesmo apelo de um mandato mais populista, mas sustenta que prefere focar naquilo que considera essencial: revisão de legislações, estudo de projetos e articulação de bastidor. “A gente não é o cara mais populista, a gente não é a pessoa que vai ficar batendo ou falando pra fazer show, pra ganhar reconhecimento lá fora”, declarou.
Essa postura aparece com força quando ele fala das prioridades do mandato. Anderson aponta a revisão do Plano Diretor como uma das pautas mais urgentes de Guabiruba. “É a minha prioridade, inclusive, da minha atuação esse ano”, disse. Segundo ele, a intenção é chegar ao fim do ano com o Plano Diretor revisado e aprovado, por entender que o documento define as principais diretrizes de crescimento do município e precisa acompanhar a dinâmica da cidade. “Muitas das discussões que se tem, muitas vezes, é porque o Plano Diretor ou ele é omisso, ou ele é falho em algumas situações pontuais”, observou.
Outra frente citada pelo vereador é a atualização do Estatuto do Servidor. Na avaliação dele, trata-se de uma demanda antiga, ligada à valorização salarial e à progressão de carreira dos servidores públicos. Ao destacar esses temas, Anderson reforça um estilo de atuação focado em pautas estruturantes, que interferem diretamente no funcionamento da cidade e da máquina pública.
Ao longo da entrevista, também ficou evidente uma preocupação em reposicionar o papel do vereador perante a população. Anderson disse que tenta romper com a visão limitada de que o parlamentar existe apenas para intermediar pedidos pontuais de infraestrutura. “Eu tenho tentado tirar um pouco aquela imagem do vereador de que o vereador é o cara que, às vezes, só resolve boca de lobo, iluminação pública”, afirmou. Para ele, isso não significa ignorar as demandas do dia a dia, mas sim não reduzir o mandato a esse tipo de atuação.
Nesse ponto, a experiência de ex-secretário aparece novamente como diferencial. Anderson afirma que conhece o funcionamento do Executivo e, por isso, sabe que apenas discursar na tribuna não resolve problema algum. “O simples fato de eu subir na tribuna e falar sobre ela não resolve o problema”, disse ao comentar sobre as demandas que recebe da população. Segundo ele, o vereador precisa orientar o cidadão, cobrar quando necessário e também explicar quando determinada reivindicação não cabe ao poder público. “É nosso papel também explicar para a comunidade porque talvez a determinada demanda não pode ser atendida”, pontuou.
Esse entendimento técnico e realista do cargo pode ser um dos fatores que hoje fortalecem seu nome para a presidência da Câmara. O comando da Casa exige mais do que visibilidade: pede organização interna, leitura de cenário, relacionamento político e condução equilibrada dos trabalhos. Anderson dá sinais de que enxerga isso. Ao falar da convivência com os colegas, afirmou que sempre buscou deixar o partido em segundo plano na relação dentro do plenário. “Tem um relacionamento bom, julgo eu, com todos os vereadores”, afirmou.
Quando provocado sobre a possibilidade de presidir o Legislativo no ano que vem, ele adotou um tom de cautela, mas não escondeu a disposição. “Estou à disposição para isso”, declarou. Em seguida, ponderou que uma definição como essa não depende apenas de vontade pessoal, mas de construção com a base e consenso entre os vereadores. A resposta mostra ambição com prudência, combinação valorizada para quem pretende ocupar um posto de liderança institucional.
Ao fim da entrevista, Anderson também fez uma reflexão sobre o momento político da Câmara e a renovação registrada na última eleição. Para ele, o eleitorado mandou um recado claro ao apostar em nomes mais novos e menos vinculados à política tradicional. “Quando a gente quer pessoas novas, é porque a gente quer ideias novas”, afirmou. Na visão do vereador, cabe aos eleitos corresponder a essa expectativa com uma atuação diferente, mais conectada ao que realmente importa e menos presa aos vícios de legislaturas anteriores.
Esse discurso ajuda a explicar por que seu nome passou a ganhar corpo como possível presidente da Câmara para o próximo biênio. Anderson reúne juventude, formação técnica, experiência administrativa, trânsito político e uma fala alinhada com modernização e responsabilidade institucional. Em vez de apostar em enfrentamentos vazios, ele procura se apresentar como alguém preparado para organizar, dialogar e dar ao Legislativo uma atuação mais qualificada.
Em um cenário em que a presidência da Câmara exige firmeza, capacidade de articulação e visão de longo prazo, Anderson Cavichioli aparece hoje como um nome natural e promissor para assumir essa missão em Guabiruba.




