Unifebe Vargas Câmara

Paixão e Morte de um Homem Livre:Customização e sustentabilidade em cena

figurino

Faz um mês que tudo começou. Desde então, os encontros da equipe de figurino do espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre”, são realizados em uma sala pequena, nos fundos de uma casa no bairro São Pedro, em Guabiruba. A costureira Iria Ebele Habitzreuter abriu o ateliê e o coração para dar vida a uma nova proposta de figurino para os mais de 300 atores que participam do projeto. Tudo ainda é muito recente, é verdade, embora o objetivo esteja claro: reutilizar todo tipo de material que se tem para customizar as peças já conhecidas e usadas nas edições anteriores do projeto.

A missão foi acolhida com carinho e otimismo pelo grupo. No terceiro encontro, realizado na noite desta terça-feira, 30 de agosto, as voluntárias já começaram a se aventurar entre agulhões, retalhos coloridos, restos de couro, ilhós e sisal. Uma composição mais manual do que mecânica, mais criativa do que sistemática. E, de repente, a conjunção de um retalho com uma linha mais rústica, transforma por completo as antigas túnicas de algodão.

“Aprendi a costura ainda menina, com a minha mãe. Por um tempo costurei para fora, fazia vestidos sociais, vestidos de casamento. Mas há 20 anos não trabalho nesta área, embora me dedique, nas horas vagas, ao artesanato. Aqui em casa o movimento da máquina de costura nunca parou”, conta Iria, que já foi costureira voluntária em outras edições do espetáculo realizado pela Associação Artístico Cultural São Pedro (AACSP).

Apesar da contribuição na história do teatro, nenhum convite foi tão desafiador quanto o projeto de 2017. Repaginar mais de 300 figurinos vai exigir longas noites de trabalho da equipe e mais pessoas dispostas em ajudar. “Com certeza não faria de graça se não fosse para contar a história de Jesus. Isso é gratificante e vale todo o trabalho”, ressalta.

 

Pesquisa histórica

A estudante de moda Camila Schlindwein é a coordenadora de figurino do espetáculo e está no comando da equipe. Ela, que acompanhou esse departamento na última edição do teatro, em 2015, conhece bem a responsabilidade de vestir tantas pessoas. E, diante da nova proposta, partiu para as pesquisas, buscando inspirações em filmes épicos e na novela “Os dez mandamentos”.

“Vamos investir nos detalhes. Até então, atores que interpretavam o povo, por exemplo, usavam apenas uma túnica com uma faixa, além de um turbante na cabeça. Uma das novidades da edição de 2017 é a proximidade que alguns personagens terão do público presente, então um figurino mais detalhado é importante, vai fazer a diferença”, explica.

Para ajudar Camila no desenvolvimento do projeto, a voluntária Solange Aparecida Silveira do Nascimento, voltou a integrar o espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre”, do qual participa desde a infância. “Na última edição decidi não me envolver. Pela primeira vez eu queria apenas assistir ao teatro. Foi o que fiz na Quinta-feira Santa, mas acabei voltando na Sexta-feira Santa também. Estou desde o começo, conheço bem o trabalho, a dedicação. E quando vivi essa experiência de passar um ano fora, posso dizer com certeza de que aquela Páscoa não foi a mesma. Estou feliz por voltar”, garante.

E para animar um encontro que estava mais sério e concentrado, a coordenadora de maquiagem do teatro, Liliane Terezinha Debatin Kohler, trouxe seu sorriso e todo o carisma que lhe é característico. Em poucos minutos já estava provando as túnicas, opinando sobre cortes, se oferecendo para levar serviço para casa. “É o primeiro ano que estou ajudando aqui, porque meu foco são cabelos e maquiagens, que exigem dedicação mais próxima à data do evento. Até lá tinha algumas noites livres e decidi dar uma mãozinha”, observa.

A verdade é que a equipe de figurino da AACSP está precisando de mais “mãozinhas” dispostas a ajudar voluntariamente. E nem precisa ter máquina de costura, já que a maior parte do trabalho nas peças será manual. Da mesma forma, é solicitada a doação de retalhos, inclusive de materiais ligados à estofaria. Interessados em ajudar basta entrar em contato pelo telefone 3354-1275 ou emailmarcelonascimento010@uol.com.br. Acesse também a rede social da entidade: /aacsp ou /Espetáculo Paixão e Morte de um Homem Livre. Mais informações estão disponíveis no site www.aacsp.com.br.

Em 2017, o espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre” será realizado nos dias 13 e 14 de abril, no pátio da capela São Cristóvão, no bairro Aymoré, em Guabiruba.


Publicado por Olhar do Vale

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