Trabalho escolar sobre o uso medicinal da cannabis causa transtornos no Feliciano Pires

Um pai gravou vídeos criticando o tema dos trabalhos apresentados na feira de ciências da escola;


A feira de Ciências da E.E.B. Feliciano Pires, em Brusque iniciou com tumulto por conta do tema de um trabalho que seria apresentado pelos alunos do 9º ano do ensino fundamental e Ensino médio.

Segundo a escola, após 10 anos a feira voltou a ser promovida e neste ano o tema é Ciências da Saúde e foi organizada pelos professores das áreas ligadas as Ciências da Natureza, totalizando mais de 40 trabalhos.

Os trabalhos dos estudantes do 9° Ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio que estão sendo avaliados na Feira, trazem como foco central o tema saúde, preventiva ou tratamentos de doenças, das mais diversas características.

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Segundo nota oficial enviada pela escola, no momento da montagem dos estandes, antes do início da Feira, um pai de aluno causou grande tumulto na Unidade, pois ao ver o tema do trabalho, sobre o uso de canabidiol na cura de doenças, inconformado, pegou seu smartphone e passou a realizar filmagens e acusar a escola e seus professores de apologia ao crime e ao uso de drogas.

O grupo que aparece na imagem vinculada, absolutamente fora de contexto, traz como tema o uso do Canabidiol e outros compostos a base de cannabis ativa, substância esta aprovada para fins medicinais por meio de diversas resoluções e indicadas para diversos tratamentos.


Após causar grande constrangimento e um princípio de confusão, foi abordado pelo Diretor da escola, que procurou acalmá-lo e questionou se o mesmo havia entendido o contexto do evento e o trabalho. O mesmo não se mostrou aberto ao diálogo, repetindo que a escola estaria fazendo apologia ao crime e ao uso de drogas.


O pai acionou a Polícia Militar e na chegada dos policiais, direção e professores informaram aos agentes o contexto da apresentação e que a Feira não havia começado ainda, sendo a gravação e o tumulto causados durante a montagem dos estandes.


A guarnição da Polícia Militar que atendeu a ocorrência assistiu à a apresentação dos trabalhos em questão e constatou que não havia nenhum tipo de crime, apologia ao crime ou ao uso de drogas, conforme Boletim de Ocorrência lavrado no local do acontecimento.

Uso medicinal da cannabis

 Para o neurocientista Sidarta Ribeiro, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), “A cannabis é o remédio do século XXI e significa praticamente uma farmacopeia inteira”, tantos são os seus benefícios no tratamento de diversas enfermidades. Ribeiro acrescentou que “ainda neste século veremos a cannabis ser a primeira escolha médica para muitas doenças”.

No seminário internacional Cannabis medicinal: um olhar para o futuro, promovido pela Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal (Apepi), com apoio da Fiocruz, Ribeiro que várias doenças tratáveis com cannabis. “Entre elas, autismo infantil, carcinoma, distonia, dor crônica, depressão, encefalopatia, epilepsia, esclerose, esquizofrenia, fibromialgia, paralisia cerebral, Parkinson, retardo mental e transtorno de desenvolvimento”. Ribeiro acrescentou que os benefícios da cannabis medicinal tem atingido um número cada vez maior de pessoas. “E inclusive daqueles que, por preconceito ou desconhecimento, eram contrários ao uso terapêutico e, ao notarem os bons resultados, em si próprios ou em parentes e amigos, mudaram de ideia. Há pessoas convertendo parentes e amigos para essa causa. A informação de qualidade contribui para isso”.

A cannabis medicinal já é uma realidade em diversos países, como Alemanha, Israel, Canadá, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai, entre outros. E nos Estados Unidos está legalizada em 36 estados. “A cannabis é remédio há milênios e todos os seres humanos possuem substâncias semelhantes às da planta em seus organismos, tendo em vista o nosso sistema endocanabinoide”.

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