A região de Itajaí amanheceu sob a expectativa do início oficial da greve dos caminhoneiros, prevista para ganhar força a partir do meio-dia desta quinta-feira. A mobilização, convocada pela Associação Nacional do Transporte de Cargas (ANTC), teve seu primeiro ato marcado para as 8h em frente à Superintendência do Porto de Itajaí, servindo como ponto de partida para um movimento que se estende por diversas regiões portuárias do país, como Santos e Paranaguá. A principal concentração de veículos deve ocorrer no pátio do Posto Dalçóquio, no início da Rodovia Jorge Lacerda, estrategicamente próximo à BR-101.
As lideranças do movimento, encabeçadas por Sérgio Roberto Pereira e Joel Valmir Schubert, enfatizam que a paralisação possui um caráter pacífico e ordeiro, com o compromisso de não realizar bloqueios em rodovias ou vias urbanas. O objetivo central da categoria é pressionar o Governo Federal pela publicação urgente de uma medida provisória que atualize o piso mínimo do frete e estabeleça uma fiscalização rigorosa contra os sucessivos aumentos no preço do óleo diesel. Segundo a ANTC, o setor atingiu um limite financeiro onde a continuidade do trabalho se tornou inviável diante dos custos operacionais.
O impacto do anúncio já foi sentido pela população local antes mesmo do início da greve. Durante a quarta-feira, uma corrida generalizada aos postos de combustíveis causou filas quilométricas em Itajaí, Balneário Camboriú, Camboriú e Itapema. O aumento repentino na procura afetou severamente o fluxo de veículos em artérias importantes, como as avenidas Osvaldo Reis e do Estado Dalmo Vieira. Estima-se que cerca de três mil motoristas na região, entre associados da ANTC e do Sinditac de Navegantes, tenham sido orientados a não carregar seus caminhões e a recusar novos fretes de transportadoras ao longo do dia.
Em nota oficial intitulada “A Luta se Inicia Hoje”, a ANTC denunciou o que chamou de “canetadas” da Justiça contra a entidade, interpretando as medidas judiciais como uma prova de que o movimento incomoda grupos influentes e o poder público. A associação reforçou a orientação para que os manifestantes mantenham a disciplina, evitando transtornos ao tráfego, mas manteve o tom de urgência ao afirmar que a reação da categoria é uma questão de sobrevivência contra o esmagamento dos lucros dos trabalhadores autônomos.



