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Saúde sob pressão: Secretário nega futuro colapso financeiro, mas admite que contas não fecham

Brusquenses estão a cinco meses esperando por exames laboratoriais

Foto: Aline Bortoluzzi/Câmara de Brusque.

Após grande repercussão da entrevista concedida ao jornalista Anderson Vieira, do Olhar do Vale, o Secretário de Saúde de Brusque, Ricardo Freitas foi convidado para participar da Sessão da Câmara de Vereadores de Brusque para explicar a situação atual da Secretaria de Saúde.

Diferentemente do tom enfático na entrevista onde abriu o jogo e afirmou sobre o Déficit de R$ 20 milhões na pasta e disse que precisa de um ano para reorganizar a casa, Freitas adotou um discurso mais comedido, pensando muito nas palavras a serem utilizadas. Admitiu que a Saúde não vai colapsar financeiramente em Brusque, porém confirma que os brusquenses estão esperando cinco meses por um simples exame de sangue.

A dinâmica da reunião não favoreceu muito aos reais esclarecimentos que deveriam ter sido dados, visto que cada vereador pode fazer apenas uma pergunta e a maioria dos vereadores de situação utilizaram a estratégia de perguntar sobre temas diversos não focando nos principais pontos da entrevista, que era realmente o que a população queria saber. Também não foi abordada na sessão a gestão da ex-secretária de saúde Thayse Rosa, que, segundo o Secretário, contribuiu para a situação atual.

No entanto, apesar de usar palavras mais leves como descompasso financeiro, ele não negou o Déficit divulgado na primeira entrevista, mas também não foi instigado a detalhar este assunto. Em um momento afirmou: “Não posso ser inocente e sair gastando dinheiro agora”.

Além disso, admitiu que há problemas: “Orçamento é uma coisa, financeiro é outra. É claro e evidente que eu vou dizer que o orçamento de 2026 para a Saúde [previsto em R$ 295,1 milhões] não vai suprir a demanda, não vai dar, mas isso não é problema e cabe à gestão da secretaria fazer o ‘excesso’ de arrecadação, que vem com verbas da União e verbas do Estado, não são só recursos próprios. Como as verbas da União e do Estado entram no Fundo Municipal de Saúde e são repassadas para os prestadores, a maioria hospitais, elas acabam consumindo o orçamento, mas não consomem o financeiro”, argumentou o secretário.

O hospital Azambuja e o IMAS [hospital Imigrantes], por exemplo, foram contemplados com a oncologia. Vai ser meio a meio. Só que o recurso financeiro deve começar a chegar em fevereiro ou março. Esse é um recurso novo, que não foi previsto e irá entrar nos cofres da secretaria. Então, vai consumir certamente o orçamento e – como eu falei para o Anderson [Vieira, jornalista], na reportagem – a gente vai ter um descompasso entre o financeiro e o orçamentário”, salientou. “Vida que segue e, como diz o povo, ‘nós que lutemo’. Faz parte do processo e não existe o mundo ideal, disse.

Freitas disse aos parlamentares que irá “lutar até o fim para conseguir dar atendimento para a Saúde de Brusque” e pontuou: “Fiquem tranquilos. Não vai ter colapso financeiro, mas eu não posso ser inocente em sair gastando dinheiro agora. Não vai ficar nada parado, é só uma questão de alinhar contratos [como o do Azambuja] que estão finalizando agora”.

Outros temas que mereciam atenção e foram descritos na entrevista:

Transparência nos contratos — Na entrevista original, Freitas afirmou que contratos estavam com cláusulas pouco claras, pagamentos misturados, vigências vencidas. Se haverá mais clareza, esse foi tema de cobrança pelos vereadores.

Infraestrutura descuidada — O secretário disse que encontrou postos de saúde sucateados, unidades precisando de intervenções elétricas, problemas que “surpreenderam negativamente”.

Ampliação de serviços sem previsão orçamentária — A ampliação das equipes de saúde da família sem o devido acréscimo de recursos foi usada como exemplo de medidas com impactos financeiros não dimensionados.

Comprometimento dos serviços básicos — Freitas admitiu que, diante do déficit, decisões precisam ser feitas a partir de cortes ou remanejamentos em áreas como exames, manutenção ou contratação — um médico só entra no sistema se outro sair, por exemplo.

Opinião dos vereadores

Alguns parlamentares foram ouvidos pelo Olhar do Vale para darem a sua avaliação sobre a presença do Secretário na Câmara. A vereadora Bete Eccel(PT) diz que admira o Secretário, porém os pontos principais foram sequer foram perguntados. ” A participação do Secretário é sempre muito respeitosa e eu já falei para  ele o quanto que eu admiro pela sua transparência, mas, na minha opinião, nós não atingimos  o objetivo ao qual eu tinha proposto no meu requerimento, que eram perguntas relacionadas ao que o Secretário falou na entrevista quando respondeu para o Olhar do Vale. Eu anotei que todas as perguntas que foram feitas, e se eu não estou equivocada, a única  pergunta que esteve referenciada ao assunto do déficit de R$ 20 milhões foi a minha.  As outras foram perguntas pontuais que nós já poderíamos ter feito em outro momento  assim como a gente já fez quando o secretário esteve aqui nessa casa”, avalia Bete.

O presidente do legislativo, Jean Dalmolin (Republicanos) avaliou que a sessão poderia ser mais longa: ” Saúde realmente é um tema muito complexo, a gente ficou muito feliz com a visita do Secretário aqui e devido ao tempo, como é durante a sessão, realmente os vereadores não tiveram aquele tempo todo disponível para fazer todos os  questionamentos que talvez iriam fazer.

Quando questionado que é evidente que a situação da Secretaria de Saúde ainda está no vermelho, o vereador respondeu: “A gente sabe que toda a Secretaria trabalha com recursos, obrigada a ter recursos para fazer os trabalhos. Quando ele comentou da realização de exames, que estão demorando em torno de cinco meses,  outros tipos de tratamentos também estão demorando, a gente sabe que eles trabalham recursos limitados, com recursos direcionados para cada setor, para cada área. Às vezes realmente está no vermelho, às vezes está no verde e como bem disse, a gente tem que aguardar o final do ano para ver se realmente as contas irão fechar nessa secretaria”, analisa Dalmolin.

Já o vereador Antonio Roberto (PRD) disse que ” acredito que o Dr. Ricardo foi feliz na sua fala e muito preciso naquilo que nós perguntamos para ele. Existem algumas outras questões, algumas outras perguntas e que nós vamos entendendo  no decorrer do tempo. A gente entende que o dinheiro público tem que ser, na verdade, bem avaliado naquilo que vai ser gasto”, finaliza o parlamentar.

Pedidos de informação:

A líder do PT na Câmara, Bete Eccel, teve aprovado três pedidos de informação, questionando o poder público sobre os temas abordados na entrevista do Olhar do Vale e também sobre um vídeo publicado pelo prefeito nas redes sociais onde responsabiliza o Governo Federal pela situação atual da saúde brusquense. “Aí a gente também vai ter a verdadeira informação  sobre alguns fatos que estão sendo divulgados, como se tivesse culpa também do Governo Federal e eu digo aqui para ti, eu quero sim que todos esses pedidos de informações cheguem e se tiver alguma informação, algum repasse que foi prometido pelo governo federal  e não foi executado, eu vou ter toda a tranquilidade de chegar aqui e assumir.  Agora, o que não dá para a gente ficar aceitando são as falas dizendo que são apenas verbais  e não tendo um documento comprovando o que de fato não está vindo do governo”, ressalta. Leia aqui os arquivos em PDF:

Ao final da reunião os vereadores trouxeram seu ponto de vista, veja a matéria em vídeo:

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