Preconceito contra pacientes do CAPS AD ainda são um desafio


O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) é um órgão público de atenção diária voltado para o tratamento de dependentes químicos, bem como a sua reinserção social, familiar e comunitária. Apesar da missão nobre, tanto o serviço quanto os pacientes ainda sofrem com o estigma e preconceito.

Retrato vivo deste sofrimento é Joana (nome fictício), moradora de Brusque há 30 anos. Ela recorreu ao CAPS em março deste ano, apesar de já ter precisado do centro em outras duas oportunidades.

“É um julgamento muito triste em cima de quem precisa desse tratamento. Tem muita discriminação e preconceito. Quem não conhece, deveria vir até o local para entender o trabalho que é feito aqui e quais atividades realizamos. A sociedade não entende que isso é uma doença”, desabafa.

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Junto com ela, outras dezenas de cidadãos usufruem da estrutura do serviço, que ainda é alvo de preconceito contra os dependentes químicos. A médica do CAPS AD, Giovana Falcão Socoloski, enfatiza que a dependência química é uma doença e que o preconceito pode matar.

“O estigma dentro da saúde mental é muito grande, assim como o impacto do preconceito nas pessoas doentes. Ele afeta o curso da doença, a procura e a adesão do tratamento, e geralmente atrasa a busca pela ajuda profissional, sem contar a perda de autoestima. Ainda é possível notar que as pessoas têm preconceito aos locais de tratamento, bem como aos pacientes. A dependência química é uma doença, e precisa ser tratada como qualquer outra. A psicofobia, o estigma e o preconceito podem matar. Precisamos de mais mãos estendidas do que dedos apontados”, salienta.

Serviço público é aberto a comunidade

O principal intuito do CAPS Álcool e Drogas é a reabilitação de pacientes com transtornos recorrentes ao uso nocivo de substâncias psicoativas. A equipe profissional está habilitada para prestar o cuidado em atenção psicossocial, buscando preservar a cidadania da pessoa, o tratamento no território e seus vínculos sociais. Atualmente, o órgão atende mais de 100 pacientes no município.

No primeiro momento, o paciente é acolhido por um profissional da equipe, que avalia seu perfil. Se a indicação for para a assistência no CAPS AD, a equipe, junto com o paciente, elabora um Projeto Terapêutico Singular, no qual será especificada sua frequência no serviço e áreas de cuidado dos quais o usuário se beneficia.

O serviço é dividido em encontros de grupos, oficinas temáticas, consultas médicas e outras ações. “Aqui eu estou em contato com quem está passando pelos mesmos problemas que eu. Então nos ajudamos e seguimos juntos. Eu estou aqui por eu mesma e por minha família. Muitos já se foram porque não tiveram ajuda e a próxima podia ser eu. Aqui é um lugar para se sentir em casa, em família. Tem sempre uma luz no fim do túnel”, finaliza a paciente.

A equipe é formada por enfermeiros, médicos, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, artesãos e um terapeuta ocupacional. O atendimento é destinado a maiores de 18 anos, mas também se estende aos familiares dos participantes do serviço.

O enfermeiro Adriano Cesar Wantroba destaca a importância da participação da família quando possível, já que, muitas das vezes, são os próprios familiares que trazem esse paciente. “Nós promovemos grupos e reuniões com as famílias que estão dispostas a participar desse processo. No contexto do tratamento do paciente, o familiar é muito importante, a gente liga, pede pra vir aqui, coleta informações do paciente”, conta o profissional.

Ferramenta de reinserção social

A estrutura do CAPS AD trabalha com a ressocialização do dependente químico Isto é, um processo de readaptação de um indivíduo que já foi socializado anteriormente. O objetivo geral é ajudar o cidadão a novamente se tornar um membro funcional e produtivo da sociedade.

“Nós fazemos que o paciente se sinta valorizado novamente. Eles chegam aqui muito para baixo, desconexos com a realidade, sem contato com a família, perdem emprego, saúde e quase perdem a vida. A gente vai tentando reerguer essas pessoas, colocando em contato com o mercado de trabalho, com a família, trabalhando a conscientização do uso das substâncias nocivas. Não temos dados concretos sobre participantes totalmente recuperados, mas muito voltam a suas rotinas, ou pelo menos reduzem os danos durante o uso”, ressalta o enfermeiro.

O CAPS AD está localizado na rua Riachuelo, n° 45, Centro I. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Para usufruir do serviço, é necessário entrar em contato, seja pessoalmente ou através do número 47 3306-9305.

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