Em meio à disputa política que se formou nos últimos dias em torno da habilitação da oncologia para atendimento pelo SUS em Brusque, o vereador Cacá Tavares (Podemos) adotou um tom diferente na tribuna da Câmara. Em pronunciamento, ele defendeu que a conquista seja tratada como uma vitória da população e não como troféu de partidos.
A fala ocorre após uma sequência de movimentos políticos em torno do tema. Na sexta-feira passada, a deputada federal Ana Paula Lima (PT) esteve no Hospital Azambuja com a portaria de habilitação ao lado da direção da instituição. Já na segunda-feira, o governador Jorginho Mello (PL) elevou o tom e chamou os petistas de “picaretas”, aprofundando a guerra de versões sobre quem deve ficar com os créditos pela medida.
No plenário, Cacá preferiu sair desse embate e centrou seu discurso em quem, segundo ele, realmente importa nesse momento: os pacientes e suas famílias.
“Para quem sofre de câncer, está pouco se lixando para quem assinou o quê”, afirmou o vereador, ao destacar que quem enfrenta a doença não quer saber se a medida partiu do governo federal, do governo estadual ou de qualquer outro agente político. O que pesa, segundo ele, é o alívio de não precisar mais sair de madrugada de Brusque para buscar tratamento em outras cidades.
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Durante o pronunciamento, Cacá lembrou o sofrimento de pacientes que precisavam se deslocar até Blumenau em vans, muitas vezes ainda de madrugada, enfrentando longas horas de espera para só então retornar para casa. Para ele, esse cenário expunha uma realidade inadmissível para uma cidade do porte de Brusque.
O vereador também fez questão de reconhecer que a pauta da oncologia local foi defendida por diferentes nomes ao longo do tempo, citando especialmente o ex-vereador Ivan Martins, além de outros parlamentares que já levantaram a bandeira na Câmara em legislaturas passadas.
Ao mesmo tempo, Cacá afirmou que a conquista não deve ser tratada como favor de governo algum. Segundo ele, os recursos públicos usados na saúde vêm dos impostos pagos pela própria população.
“Esse dinheiro é nosso. Não é favor, é obrigação”, declarou.
Na mesma linha, o vereador também relativizou o discurso em torno de emendas parlamentares. Embora tenha agradecido deputados e senadores que já destinaram recursos ao Hospital Azambuja, ele reforçou que essas verbas também são provenientes do dinheiro público e, por isso, representam dever do poder público, e não benevolência pessoal de políticos.
Outro ponto forte da fala foi o reconhecimento ao empresariado brusquense e à comunidade, apontados por ele como peças fundamentais para o fortalecimento do Hospital Azambuja ao longo dos anos. Cacá destacou que parte importante da transformação da estrutura hospitalar da cidade só aconteceu porque empresários locais se mobilizaram, investiram e puxaram esse processo junto com a sociedade civil.
Em um dos momentos mais sensíveis do discurso, o vereador relatou ter lembrado de duas pessoas simples que, para não depender do transporte coletivo da saúde e evitar a rotina exaustiva de sair de casa às quatro da manhã, chegaram a fazer rifas de bolo entre vizinhos para conseguir pagar um táxi até o tratamento. Para ele, é esse tipo de sofrimento que precisa acabar.
A manifestação de Cacá recebeu apartes de vereadores como Pedro e Paulinho Sestrem, que reforçaram o entendimento de que a saúde deve estar acima das disputas ideológicas e que a habilitação representa um marco para Brusque.
Ao final, Cacá resumiu o tom do pronunciamento ao afirmar que a vitória não pertence a um partido, a um governo ou a um nome específico, mas ao povo brusquense.
“Parabéns, Brusque. Parabéns, população de Brusque. Essa vitória é de vocês”, concluiu.




