Estudo de perfil dos casos de Covid em Brusque é premiado no Congresso Catarinense de Clínica Médica


O perfil clínico e epidemiológico dos casos de Covid-19 em Brusque foi tema de um estudo realizado pelos estudantes de medicina, Bernardo Przysiezny (Furb), Lucas Vinicius Paza (Univali) e Gabriel Isaac de Oliveira (Unifebe). O trabalho foi premiado no Congresso Catarinense de Clínica Médica, realizado no último final de semana (20 e 21).

O estudo foi realizado durante os primeiros 60 dias da doença na cidade, como explica Bernardo: “Bem no início conversei com o secretário de Saúde, Humberto Fornari, sobre a possibilidade de traçar um perfil da Covid-19 em Brusque, ele prontamente aceitou e então eu e Lucas iniciamos as coletas. Unificamos informações da Vigilância em Saúde, Centro de Triagem e hospitais sobre sintomas, comorbidades, tratamentos e complicações”.

O objetivo deste estudo era ajudar a secretaria e vigilância no melhor entendimento da doença, colaborando com dados na elaboração de protocolos e condutas. O estudo foi aprovado pelo Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa).

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Durante o período de estudo e com os fatores de exclusão o perfil traçado foi: 51% do sexo masculino, média de idade de 40 anos, sendo 70% das pessoas entre 15 e 49 anos. Profissionais de saúde correspondiam a 12% do total. Pouco mais de 30% eram obesos (IMC > 30), aproximadamente 28% com pressão alta, 9,6% diabetes, 9,6% colesterol elevado (dislipidemia) e 10% tinham histórico tabagista.

Bernardo aponta que a severidade da doença foi dividida entre grupos“quando analisado entre grupos; o grupo domiciliar composto por pessoas que cumpriram isolamento exclusivamente em seus domicílios e hospitalar, que em algum momento necessitaram de atendimento e/ou internação hospitalar. O sintoma de desconforto respiratório na admissão e as comorbidades pressão alta e dislipidemia sugeriram um pior desfecho (internação ou atendimento complementar)”.

No período estudado, 27 de março a 27 de maio não haviam muitos estudos semelhantes no país. “Haviam estudos que buscavam por sintomas específicos, acometimento em gestantes ou crianças, mas não um perfil como um todo”. Por isso o perfil traçado foi comparado a outros realizados na China e nos Estados Unidos.

“Não achamos tantas semelhanças, apenas isoladas. Por exemplo, nos estudos chineses além da média de idade ser superior a 50 anos, a história tabagista foi maior, tiveram mais complicações, sintomas foram parecidos. Já o norte-americano, da cidade de Nova York, de 390 casos, a população tinha média de idade superior a 60 anos, e comorbidade obesidade superior a 50%. Em ambos estudos tiveram mais mortalidade, complicações e internações”.

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