Apae de Brusque desenvolve projeto “Fazendo Arte na Quarentena”


Com a interrupção dos atendimentos presenciais e os diversos impactos causados pela pandemia da Covid-19, desde o mês de março desde ano, os alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Brusque passaram a ficar em casa, tendo atendimento de forma remota e on-line com os profissionais da instituição. Mas, não apenas a rotina dos alunos foi impactada já que, com a permanência em casa, os familiares dos alunos também precisaram adaptar suas atividades para os cuidados, em tempo integral, com as pessoas com deficiência.


Desde o mês de agosto deste ano, entretanto, um projeto passou a fazer a diferença na rotina de cuidadores dos alunos da Apae de Brusque: o ‘Fazendo Arte na Quarentena’. A iniciativa, da assistente social da Apae de Brusque, Jeane Medeiros de Souto, tem como objetivo estimular as cuidadoras dos alunos a desenvolverem suas habilidades, por meio de atividades manuais de seu interesse, a serem realizadas, em âmbito doméstico.
A assistente social relata que durante os atendimentos remotos foi perceptível, através dos relatos das famílias, o desânimo e até indícios de depressão entre as cuidadoras. “Vimos que muitas mulheres, como mães e irmãs, haviam deixado de fazer atividades que elas praticavam antes da pandemia. Algumas até precisaram deixar o trabalho para se dedicar à pessoa com deficiência. E desta forma iniciamos o projeto, para instigar essas cuidadoras a desenvolver suas potencialidades, a resgatar a produção de atividades que estavam esquecidas ou a aprenderem novas habilidades, o que deu certo”, comenta Jeane.

Habilidades e empoderamento
A proposta do projeto foi apresentada e aprovada pela diretoria da Apae de Brusque e, através de um grupo criado pelo Whats App, as cuidadoras dos alunos interessadas passaram a receber orientações, trocar experiências e técnicas focadas no desenvolvimento de trabalhos manuais. Com itens que elas tinham em casa surgiram os primeiros resultados: materiais em ponto cruz, bordados, itens em crochê, tapetes de fios de malha, sandálias bordadas com pedras, decoração com fitas, entre outros.
Com o tempo, a Apae de Brusque também contou com a doação de materiais e aviamentos, que foram disponibilizados as integrantes do Fazendo Arte da Quarentena, para dar continuidade às produções. “Esta foi a forma que encontramos em motivar essas cuidadoras no desenvolvimento das suas potencialidades, promovendo também a interação social entre elas e até fortalecendo os vínculos de amizade, mesmo que de forma virtual”, comenta Jeane.

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Lançamento
Como forma de apresentar alguns itens produzidos pelas 13 cuidadoras que integram o projeto, o ‘Fazendo Arte na Quarentena’ terá os produtos lançados nesta quarta-feira, 25 de novembro, de forma on-line. Assim, o público poderá acompanhar por vídeos e fotos, disponibilizados nas redes sociais da Apae de Brusque (Instagram e Facebook), o trabalho realizado pelas cuidadoras dos alunos e integrantes do projeto da instituição. Os produtos serão apresentados como demonstração, de forma on-line, na oportunidade, já que a produção é das próprias mulheres, como forma de valorização do trabalho desenvolvido.
“A pandemia trouxe muita vulnerabilidade, mas também muitas possibilidades. Este projeto contribuiu não só para a ocupação e uma possível geração de renda dessas cuidadoras, mas também para elevar a autoestima, a criatividade, a concentração e a valoração delas enquanto mulheres. Com ele descobrimos o quanto elas são talentosas, fortes, guerreiras, que compartilharam saberes e experiências. É muito gratificante ver o resultado disso: algo simples e transformador. Temos muito a agradecer às participantes por terem topado a ideia e todo o mérito desse projeto vai para elas. Lidar com a deficiência é difícil e esse projeto é uma rede de apoio para elas, pois quando o cuidador está bem, quem é cuidado também está”, complementa Jeane.

Depoimentos
Entre as mulheres que integram o projeto está Antônia Marciel da Costa do Amaral, mãe da aluna da Apae, Ana Carla Costa do Amaral. Para ela, o projeto tornou-se não apenas sinônimo de ocupação, mas também de felicidade. “Tive a oportunidade de mostrar uma parte do meu trabalho manual durante esta pandemia, algo que estava esquecido há mais de 20 anos. Então, o pouco que tive oportunidade de fazer me deixou muito feliz. As pessoas gostaram e isso me motiva ainda mais”, comenta.
Para Roseli Siqueira Tomazzia, mãe do aluno Luiz Felipe S. Tomazzia, o projeto está apenas em sua fase inicial e deve render ainda mais frutos. “Esse projeto veio incentivar as mães a mostrarem os seus trabalhos. Cada peça é única, feita com muito amor e carinho e com certeza esse é só o primeiro passo para uma longa caminhada, de sucesso”, avalia.
Já Maria José Carriel, mãe da aluna da Apae, Keitlin Carriel Antunes, considera a participação no projeto como uma ‘cura’. “Comecei a fazer o crochê depois que tive depressão. Parei de trabalhar para cuidar da minha filha por conta da pandemia e, após participar do projeto, o crochê me ajudou a curar a doença, a me ocupar, a distrair a minha cabeça. Recomendo às mães e demais cuidadoras para que possam ocupar sua mente também e descobrir seus talentos”, relata.

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