O pastor Marcus Foppa decidiu sair dos bastidores para entrar de vez na disputa política em Santa Catarina. Pré-candidato a deputado estadual pelo Republicanos, ele chega com um discurso que mistura fé, enfrentamento ideológico e críticas diretas à forma como o poder público vem sendo conduzido, inclusive em Brusque.
A decisão, segundo ele, não é improvisada. Foppa afirma que há quase uma década atua nos bastidores organizando a participação de lideranças evangélicas na política e que agora apenas assume a linha de frente. “Não é teste, não é aventura. É um projeto”, afirma.
O ponto central do discurso é claro. Ocupar espaço ou perder espaço. Para o pastor, a ausência de representantes ligados à fé no poder abre caminho para interferência direta do Estado. “Se a igreja não ocupar os lugares de governo, o Estado vai entrar na igreja”, dispara.
A fala vem acompanhada de um posicionamento firme sobre representação. “A galera da Bíblia tem que ter representante. Ponto final. Gostando ou não”, afirma, sem tentar suavizar o tom.
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Ao mesmo tempo, ele tenta se posicionar fora do modelo tradicional de político. Diz não depender de cargo, nem buscar eleição por vaidade. “Eu não estou desesperado por cadeira. Estou resolvido na minha vida”, afirma, ao destacar sua trajetória fora da política institucional.
A chegada ao Republicanos, segundo ele, foi construída com articulação política e respaldo de lideranças nacionais, incluindo a senadora Damares Alves. Ainda assim, Foppa faz questão de marcar independência. “A sigla não me domina. Eu tenho princípios. Se estiver errado, eu vou falar”.
E é justamente nesse ponto que o discurso ganha peso local. Mesmo com o Republicanos alinhado ao governo estadual e inserido no jogo político, o pré-candidato não poupou críticas à atual gestão de Brusque. Sem citar nomes diretamente, mas deixando claro o alvo, Foppa aponta falhas básicas na administração.
Para ele, problemas como mobilidade, infraestrutura e serviços essenciais não são mais justificáveis. “As coisas básicas não estão sendo bem geridas. A cidade precisa melhorar muito”, afirma.
A crítica fica ainda mais dura quando entra na área da saúde. O pastor relata situações que, segundo ele, revelam desorganização e falta de prioridade. “Tem gente perdendo a vida por falta de gestão”, diz, ao mencionar casos de falta de medicamentos e demora no atendimento.
Ele também aponta morosidade em obras e decisões administrativas. “Tem coisa que era para resolver em semanas e se arrasta. Isso impacta empresa, família, trabalhador. Não dá”, afirma.
A linha adotada é clara. Não há blindagem política. “Pode ser quem for. Se está errado, está errado”, diz, reforçando que não pretende se submeter a alianças ou conveniências.
No cenário eleitoral, Foppa também levanta um problema recorrente. Brusque não consegue eleger representantes porque parte significativa dos votos vai para candidatos de fora. Para ele, a cidade tem força eleitoral, mas não transforma esse volume em cadeiras na Assembleia Legislativa. “Quase metade dos votos vai embora. Isso precisa mudar”, afirma.
Mesmo sendo sua primeira disputa eleitoral, ele minimiza a falta de experiência como candidato e aposta na trajetória construída fora da política institucional. “Política é cuidar de gente. Eu faço isso há décadas”, finaliza.




