Uma denúncia encaminhada ao Olhar do Vale por uma fonte ouvida sob condição de anonimato levantou questionamentos sobre a composição da escala médica da UTI pediátrica do Hospital Imigrantes, em Brusque.
Com base nas informações recebidas, a reportagem teve acesso à escala de trabalho da unidade referente ao mês de março de 2026 e realizou o cruzamento dos nomes nela constantes com o cadastro público do Conselho Regional de Medicina. Na verificação feita pelo Olhar do Vale, não foi localizado, no momento da consulta, registro público de especialidade em pediatria para três dos dez profissionais que aparecem na escala analisada.
Segundo a apuração, um desses médicos aparece como responsável pela enfermaria da UTI pediátrica, enquanto os outros dois constam em plantões da unidade. A denúncia recebida pela reportagem aponta preocupação justamente com a presença desses profissionais em um setor voltado ao atendimento de recém-nascidos e crianças.
A apuração também levou em conta normas técnicas relacionadas ao funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e à habilitação médica para atuação em UTIs pediátricas e neonatais. Entre os documentos consultados pela reportagem estão a RDC nº 7/2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de normas do Conselho Federal de Medicina sobre qualificação e atuação profissional nessas áreas.
Essas diretrizes estabelecem exigências relacionadas à assistência médica contínua e à qualificação compatível com o tipo de atendimento prestado. No caso da UTI neonatal e pediátrica, a formação dos profissionais escalados é um dos pontos observados nas regras técnicas aplicáveis ao serviço.
Procurado pela reportagem, o IMAS/Imigrantes Hospital e Maternidade de Brusque negou qualquer irregularidade, mesmo após ser informado de que o Olhar do Vale teve acesso aos documentos analisados na apuração.
Em nota, a administradora da unidade afirmou que “a informação não procede”. O hospital declarou ainda que mantém “escala médica completa e regularmente preenchida, garantindo a assistência contínua e segura aos pacientes”.
Segundo a manifestação enviada ao Olhar do Vale, “todos os profissionais que atuam na UTI Neonatal e Pediátrica possuem formação e qualificação compatíveis com a área, incluindo complementação em pediatria”.
A instituição também informou que o serviço “opera dentro dos padrões assistenciais exigidos, com equipe estruturada e preparada para o atendimento” e acrescentou que permanece à disposição para esclarecimentos.
A reportagem optou por não divulgar os nomes dos profissionais citados na denúncia.
Confira a nota completa:
O IMAS/Imigrantes Hospital e Maternidade de Brusque informa que a informação não procede.
A unidade mantém escala médica completa e regularmente preenchida, garantindo a assistência contínua e segura aos pacientes. Todos os profissionais que atuam na UTI Neonatal e Pediátrica possuem formação e qualificação compatíveis com a área, incluindo complementação em pediatria.
O hospital reforça que o serviço opera dentro dos padrões assistenciais exigidos, com equipe estruturada e preparada para o atendimento.
O hospital permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos.





