DIEESE: Brusquense gasta quase R$ 640 para comprar produtos da Cesta Básica; Valor é mais da metade do salário mínimo

Pesquisa foi apresentada em evento do Fórum Sindical de trabalhadores na volta da consulta mensal na cidade.

Foto: Divulgação

O Fórum das Entidades Sindicais de Trabalhadores de Brusque e Região (Fórum Sindical) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) apresentaram na noite de terça-feira, 6 de dezembro, a retomada oficial da Pesquisa da Cesta Básica no município de Brusque. O evento foi realizado no auditório do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Fiação e Tecelagem (Sintrafite). Dirigentes sindicais acompanharam os detalhes de todas as tratativas para a realização dos trabalhos na cidade e a explanação realizada pelo supervisor técnico do DIEESE, José Álvaro de Lima Cardoso, que apresentou os dados da primeira pesquisa referente ao mês de novembro.


A coordenadora do Fórum Sindical, Marli Leandro, classificou o momento como de grande relevância, pois as informações trazidas pela pesquisa, impactam diariamente na vida dos trabalhadores e trabalhadoras do município. “Estamos fazendo a primeira divulgação oficial da pesquisa, depois do período em que o município ficou sem estes dados, ou seja, desde 2020 com a pandemia.

É um momento importante, pois dentro do Fórum Sindical vínhamos discutindo sobre esta retomada e desde o primeiro momento em que chamamos o DIEESE, prontamente ele nos atendeu. É importante para o município, para a classe trabalhadora saber esta variação da Cesta Básica, que será divulgada a partir de agora, todos os meses. Agradecemos todas as pessoas que estão envolvidas neste processo, o próprio DIEESE, o Joel Rodrigues dos Santos, diretor do Sintrafite que será o pesquisador junto do Jorge Luiz Putsch, do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Brusque (Sintimmmeb), o próprio Sintrafite que está junto conosco e desenvolveu esta coleta de dados por muitos e muitos anos e o DIEESE”, ressaltou.

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Para o presidente do Sintrafite, Anibal Boettger, é uma grande alegria para o sindicato retomar a apuração da Cesta Básica no município. “Esta é uma pesquisa que fazíamos desde 1987, por meio de um convênio com o DIEESE. Desde aquela época, Brusque é a única cidade fora das capitais que sempre foi feita a pesquisa. Com a pandemia e o adoecimento do nosso diretor Luiz Carlos Groh, o Finoca, que por muitos e muitos anos realizou a coleta de dados, a apuração dos custos da Cesta Básica foi parada. Agora, juntamente com o Fórum Sindical, entendemos de retomar esta importante ferramenta para a classe trabalhadora, para os munícipes, para toda a comunidade, para que tenham conhecimento do custo da Cesta Básica em nosso município e também em nível de Brasil, nas capitais”, enfatizou.


Segundo o supervisor técnico do DIEESE, a pesquisa de preços dos itens que compõem a Cesta Básica é a mais antiga que tem na cidade de Brusque. “É uma pesquisa simples, com 13 produtos alimentares, mas ela nos dá uma noção não só do custo absoluto da alimentação básica no custo de vida do trabalhador, como também a variação relativa. Por exemplo, a cesta aumentou 3,56% no mês de novembro, o custo dela é de R$ 636,68, isso é muito grande, pois representa 56% do salário mínimo líquido. Com uma média salarial em Brusque de R$ 2.700,00, é muito significativo se gastar este valor de quase R$640 para a Cesta Básica de uma pessoa adulta”, revelou.


Para retomada da apuração no município, Cardoso disse que foi feita uma pesquisa para atualização dos locais de compra (PLC), o que contou com o apoio de todos os sindicatos que compõem o Fórum Sindical. O objetivo foi descobrir em que locais o trabalhador normalmente adquire sua Cesta Básica. Na oportunidade, mais de 500 questionários foram feitos junto aos trabalhadores e trabalhadoras. “Realizamos esta etapa nos meses de julho e agosto, no mês de outubro fizemos um projeto piloto da pesquisa e no mês de novembro tivemos o reinício da pesquisa da Cesta Básica, cujos dados apresentamos hoje. Importante ressaltar que a atualização dos locais de compras era imprescindível para esta retomada.

Quando fizemos a pesquisa em 1987 em Brusque, havia padarias, açougues, feiras livres, isso tudo desapareceu. Agora estamos fazendo a pesquisa em nove supermercados, que foram os principais estabelecimentos apontados na PLC”, frisou.

Resultado da Pesquisa


O valor do conjunto dos alimentos básicos apurado pelo DIEESE no município de Brusque no mês de novembro foi de R$ 636,68. O custo da Cesta Básica de Brusque ocupa a 11ª colocação, entre as 18 cidades brasileiras nas quais o Departamento realiza a pesquisa, lembrando que 17 delas são capitais.
O valor da Cesta Básica de Brusque equivale a 56,79% do salário mínimo nacional líquido (1.121,10).

A pesquisa aponta que para a manutenção de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 6.575,30 em novembro, ou seja, 5,43 vezes o mínimo de R$ 1.212,00. O produto que teve a maior variação mensal foi a carne (7,79%), seguida do feijão (7,56%), banana (6,45%) e açúcar (4,07%).

Itens da Cesta Básica e sua história


A Cesta Básica foi definida pelo Decreto Lei n° 399, de 30 de abril de 1938, que regulamentou o salário mínimo no Brasil, durante o governo do presidente Getúlio Vargas. Ela foi elaborada com uma relação de 13 itens alimentícios em quantidades suficientes, para garantir, durante um mês, o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta.

Os alimentos com as provisões mínimas estipuladas pelo Decreto Lei n° 399, são diferentes dependendo da região. A Cesta Básica tem três configurações regionais e uma nacional. Santa Catarina faz parte da Região 3, tendo os mesmos itens da Cesta Básica que os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.


Em 1959 foi implantada em São Paulo a primeira Pesquisa Nacional da Cesta Básica (PNCBA), a partir dos preços coletados para o cálculo do Índice de Custo de Vida (ICV) e, ao longo dos anos, foi ampliada para outras capitais. Em Brusque, a pesquisa surgiu como uma necessidade do movimento sindical local, de ter verificação de preços própria, em uma conjuntura de inflação galopante, pela qual o Brasil passava na década de 1980, que chegou a apontar índices acima de 100%.

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