Comissão de Agricultura debate aplicação de larvicida para o controle de borrachudos em Blumenau

Fotos: Denner Ovidio | Imprensa CMB

A Comissão de Agricultura da Câmara realizou, na manhã desta quinta-feira (4), uma reunião extraordinária com representantes da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde (Semus), Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Secretaria Municipal de Turismo e Lazer e Epagri, para tratar sobre questões relacionadas à aplicação de larvicida para o controle de borrachudos na cidade. 

O encontro, que aconteceu na Sala das Comissões, contou com as presenças do presidente da comissão, vereador Maurício Goll (PSDB), do vice-presidente da comissão, vereador Professor Gilson de Souza (Patriota) e do relator, vereador Carlos Wagner – Alemão (União Brasil). Estiveram presentes também a diretora de Vigilância em Saúde, Jeckeline Maria Sartor; a coordenadora do Programa de Combate à Dengue do município, Eleandra Casani, o engenheiro Agrônomo da Epagri, Cesar Lordi, o diretor de Gestão Florestal, Recursos Naturais e Planejamento Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Felisberto José Luciani, e Nilson Passarin, diretor de Planejamento e Promoção da Secretaria Municipal de Turismo.

Os vereadores presentes afirmaram que recebem constantemente demandas da população de uma grande quantidade de borrachudos presentes em várias regiões da cidade, principalmente em áreas rurais e turísticas, como a da Nova Rússia. Diante dessas cobranças, os parlamentares reuniram os representantes de diversas secretarias para esclarecer a utilização e aplicação do larvicida BTI como forma de controlar o borrachudo. Lembraram que anos atrás o município aplicava o produto para amenizar a situação, principalmente em ribeirões, e, comentaram que outras cidades vizinhas fazem a aplicação. Questionaram as secretarias presentes se existe algum impedimento legal ou ambiental que estaria causando a não aplicação do produto na cidade. 

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Na reunião ficou esclarecido por parte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente que não conhece nenhum impedimento legal ou ambiental para a aplicação do produto. Mas os representantes da Epagri e da Secretaria de Meio Ambiente frisaram que a aplicação do larvicida resolve a situação pontualmente e imediatamente, mas não resolve a longo prazo, pois a infestação de borrachudos se dá pela alteração do ambiente por meio da ação humana e que para que haja um equilíbrio permanente é necessário um trabalho em conjunto com diversas secretarias na conscientização ambiental da população. Entre as ações necessárias citadas por ambos seriam a retirada de lixo dos ribeirões, eliminar e diminuir a matéria orgânica nos rios, aumentar a mata ciliar e o sombreamento das margens, citando que tudo isso contribuiria para controlar o problema. A Secretaria de Meio Ambiente e a Epagri se colocaram à disposição para fazer um projeto de educação ambiental com o auxílio de outras pastas. 

Na reunião também foi explicado pelas representantes da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde que o borrachudo não é um vetor transmissor de doença, por isso não tem relevância epidemiológica. Além disso explicaram que através do Fundo Municipal de Saúde, o Ministério da Saúde e o Governo Estadual repassam produtos para as ações de combate à dengue nos municípios infestados e para o combate a outros vetores que transmitem doenças, mas que o gestor municipal não pode utilizar deste fundo para a compra de BTI para aplicação, pois o borrachudo não é um vetor transmissor de doença. Foi mencionado alguns produtos que são fornecidos pelo Estado, mas salientou-se que a orientação do programa de combate à dengue é preferencialmente a eliminação mecânica, ou seja, a remoção de tudo que possa acumular água, e que é feito um trabalho intenso de orientação da comunidade dentro do município.

As representantes afirmaram que o BTI foi comprado pelo município e é utilizado pela pasta municipal da Saúde desde quando Blumenau foi considerada infestada pela dengue. Apontaram, porém, que é usado em pequena quantidade e moderadamente e em áreas específicas no combate ao mosquito que transmite a dengue, o Aedes aegypti, pois a prioridade é a eliminação mecânica, mas que o produto acabou surtindo efeito em relação à transmissão da doença.

Porém, as representantes da Secretaria salientaram que o produto não é recomendado pelo Ministério da Saúde e nem pelo Governo do Estado, por isso seu uso é pontual e moderado, mas foi autorizado pelo Ministério da Saúde a compra em virtude de Blumenau ser considerada infestada pela doença. As representantes explicaram que foi comprado com recursos da própria secretaria, mas que a pasta não tem condições de adquirir este produto em larga escala para aplicar em ribeirões, por exemplo, pois é muito caro. Ainda informaram que foram compradas três caixas por ano, são 36 kg do produto para fazer este trabalho de combate ao Aedes aegypti

A Secretaria de Meio Ambiente, por meio do Fundo do Meio Ambiente, também se manifestou dizendo que não tem condições de comprar este produto pelo seu alto custo.

Também lembraram que antes de 2014, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, repassava verba aos municípios para a aquisição e a aplicação deste produto em áreas rurais e ribeirões, mas desde lá o repasse desta verba foi cancelado, e, por isso, os municípios que têm interesse precisam adquirir por conta própria.  

O representante da Secretaria de Turismo ressaltou a importância dessa discussão trazida pela Câmara, pois disse que a pasta está trabalhando na apresentação da cidade para os turistas, principalmente levando material da Nova Rússia e da Vila Itoupava, que são destinos de natureza. Salientou que é um nicho de turismo que vem crescendo nos últimos anos e que para atrair o turista para esses lugares e fazê-lo voltar a esses destinos é necessário que se sinta confortável e a cidade proporcione bem-estar.

Por fim, os presentes fizeram algumas ponderações e encaminhamentos. Citaram a necessidade de criar um programa do governo municipal ou buscar outra fonte para obter recursos para a aquisição do produto em quantidade maior, inclusive fazendo interlocução com os deputados estaduais, federais e senadores para a busca de recursos. Os vereadores se colocaram à disposição para fazer estas cobranças dos governos.

Apontaram a necessidade de uma ação conjunta e criação de um programa com várias secretarias municipais e demais órgãos envolvidos para o trabalho em relação à educação ambiental para a conscientização da população. Sugeriram ainda o envolvimento das associações de moradores para a aquisição de parte do produto como também para a aplicação do produto se adquirido, sendo que a Epagri e a Secretaria de Meio Ambiente poderiam ser parceiras da população fazendo a orientação da aplicação até a comunidade passar a assumir este trabalho.

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