Aonde vamos parar: assassinato ocorrido no fim de semana foi planejado por filho e esposa da vítima


Foto: Wilson Schmidt Junior -
Foto: Wilson Schmidt Junior –

Brusque – Cerca de 48 horas depois de um dos crimes mais brutais já registrados no município de Brusque, a Polícia Civil apresentou, na manhã desta terça-feira, 17 de maio, os principais suspeitos de terem cometido o assassinato de Natal Avi, 54 anos de idade. O fato, de acordo com o delegado responsável pela Divisão de Investigações Criminais (Dic), Alex Bonfim Reis, ocorreu entre a noite de sexta-feira, 13, e madrugada de sábado, 14.

A própria esposa e filho de Natal, identificados como sendo Maria de Fátima Legal, 52, e Eduardo Avi, 24, foram apontados por Reis como os mandantes confessos do crime. Segundo o delegado, há algumas semanas ambos planejavam a sua morte.

“Após o crime, investigadores começaram a colher alguns elementos. Num primeiro momento, foram averiguadas algumas imagens de uma empresa próxima do local do crime, aonde foi visto o carro da vítima, seguido de um Fiat Palio vermelho (…) com base em algumas informações que nos foram repassadas por terceiros, chamamos os parentes da vítima que vieram até a unidade policial. Durante a tarde, começamos a conversar com essas pessoas e durante os depoimentos foi percebido que havia algumas contradições graves naquilo que se apresentava. Com base em informações que já tínhamos, conseguimos confrontar, até que em dado momento eles confessaram a prática do crime”, explicou o policial.

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A partir daí, com o apoio de policiais militares do 18º Batalhão de Polícia Militar (18º BPM) de Brusque, além de peritos criminalísticos do Instituto Geral de Perícias (IGP), foram feitas diligências para encontrar os demais envolvidos. O executor do assassinato, de acordo com as confissões do filho e esposa da vítima, teria sido Cleon Betim dos Santos, 23, com a ajuda de um adolescente não identificado pela nossa reportagem, tão somente, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca). Os dois também foram detidos. “Eles (Fátima e Eduardo) prometeram valores ao Cleon para que lhes auxiliassem na prática do crime e, também, contando com o possível apoio de um adolescente”.

Foto: Wilson Schmidt Junior - Delegado em entrevista coletiva -
Foto: Wilson Schmidt Junior – Delegado em entrevista coletiva –

A emboscada em detalhes

Na noite de sexta, Cleon, junto do adolescente, teria se deslocado até a casa da família Avi, já pertencente ao município de Botuverá, mas ainda na zona urbana de Brusque, próximo da empresa Baterias Erbs. Simulando um defeito na Ford Ecosport do pai, Eduardo pede para que a mãe acorde Natal, a fim de verificar o ocorrido. Neste momento, quando a vítima saiu de casa e tentou auxiliar o filho a reparar o automóvel, o algoz dá o primeiro golpe contra a sua cabeça. “A violência dos golpes foi tamanha que existem respingos de sangue até no ar-condicionado (…) prometeram ao Cleon R$ 1 mil em dinheiro, mais o carro de Natal para que ele o matasse”, afirmou Alex Reis.

Após a agressão, a vítima foi colocada dentro da Ford Ecosport, já proferindo seus últimos suspiros. Cleon, na direção da camionete, levou o homem até o local ermo onde o corpo foi abandonado. Eduardo, filho da vítima, seguiu logo atrás na companhia do adolescente, com o Palio, para resgatar o assassino depois de que ele abandonasse o carro. Ao retornar à casa, Maria já teria limpado todo o sangue contido nas paredes e chão. “Fátima, inclusive, enterrou alguns pedregulhos com sangue, que ela mesma nos apontou onde estavam”, disse o policial, ao considerar o palco do crime como um verdadeiro “circo de horrores”.

A mulher teria ainda cumprimentado os seus comparsas, rejubilando-se da ocorrência recém-praticada. “Ainda os orientou, caso indagados, que o homem tinha saído para comprar óleo diesel e não mais retornado. A própria Maria de Fátima ligou para familiares e dissimulou o desaparecimento dele”.

Motivação

Para o delegado Alex Bonfim Reis, a motivação do homicídio varia: uma vertente vai pela linha do dinheiro, já que Eduardo e Maria seriam beneficiários de uma eventual herança deixada por Natal. Já a outra linha de investigação aponta que tudo foi premeditado por conta de várias violências físicas e morais supostamente cometidas pela vítima, em vida, aos dois. Nenhuma destas violências foram comprovadas. Da mesma forma, nenhum registro anterior na polícia dá conta de tais agressões.

Cleon, Maria e Eduardo irão responder por homicídio triplamente qualificado e corrupção de menores. Ao executor do crime ainda caberá a acusação de furto, já que a carteira de Natal foi levada. O menor, se for devidamente apurada a sua responsabilidade no crime, também responderá por ato infracional análogo ao crime de homicídio triplamente qualificado.

Brutalidade

O delegado afirmou categoricamente que esse crime foi um dos mais brutais que já presenciou em sua carreira, considerando os requintes de crueldade e, também, a participação de filho e esposa no planejamento do assassinato. Sem contar o fato de que o “golpe fatal” foi dado no momento do abandono do homem na ribanceira de uma via pública, através de uma pedrada no rosto. “É um dos crimes que vão ficar na nossa memória por muito tempo, como uma das coisas mais horrendas que já presenciamos”, completou.

por Wilson Schmidt Junior

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