Há quatro anos, um projeto social transforma a dança em uma oportunidade acessível para crianças de Brusque. A iniciativa oferece gratuitamente aulas de balé para meninas de 3 a 12 anos. As aulas acontecem nas dependências da Igreja Casa do Pai, na Rua São Pedro, em Brusque, mas é aberto a todas as religões e a todos os bairros de Brusque.
O projeto Ekklesia, que quer dizer igreja para fora, nasceu da própria história da professora Sara Raíssa Machado. Ela conta que sonhava em fazer balé durante a infância, mas somente conseguiu iniciar as aulas aos 16 anos, quando começou a trabalhar como jovem aprendiz e passou a pagar pela própria formação.
A experiência despertou nela o desejo de compartilhar o conhecimento adquirido e permitir que outras crianças tivessem a oportunidade que ela não teve na infância.
“Eu acredito que várias crianças tenham esse sonho de poder dançar em um palco. Às vezes, elas não querem nem crescer com isso, mas só querem ter essa experiência. Criei o projeto para que elas possam ter essa oportunidade de crescer e se desenvolver, porque sempre acreditei que a arte tem que ser acessível para todos”, afirma.
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Segundo Sara, qualquer criança dentro da faixa etária atendida pode participar, independentemente da religião.
“A maioria das minhas alunas não congrega na nossa igreja. Elas são de fora, do bairro ou de regiões próximas. O projeto é para todas as crianças que têm o desejo de aprender dança e balé”, explica.
Balé ajuda no desenvolvimento das crianças
Além do aprendizado dos passos e das coreografias, as famílias percebem mudanças no comportamento, na comunicação, na concentração e na desenvoltura das participantes.
De acordo com Diana Patrícia, mãe da Emanuela e da Rafaela, sendo uma delas autista, conta que as aulas contribuíram para uma evolução significativa na convivência e na comunicação da criança. Elas moram no bairro Volta Grande.
“Eu vi uma grande evolução no comportamento dela. Ela conseguiu se soltar mais, ficou mais comunicativa e hoje consegue abraçar e interagir com as outras crianças. A minha outra filha também desenvolveu mais concentração, fala e oralidade por meio do balé”, relata.
Lorine Morais, moradora do Rio Branco, acompanha o projeto desde o início. Ela conta que a filha, Liz, de 7 anos, era mais retraída e tímida, mas apresentou mudanças ao longo dos quatro anos de atividades.
“Percebi um grande desenvolvimento comportamental. Até diante do público ela consegue fazer as apresentações com mais liberdade nos movimentos. É um projeto voluntário, gratuito e de muita qualidade”, destaca.
O pai de Antonella, de 6 anos Éde dos Santos, morador do São Pedro, também destaca que os benefícios do projeto vão além do aprendizado técnico do balé. Segundo ele, as aulas contribuem para o desenvolvimento físico e emocional das crianças, além de estimularem a convivência e o trabalho em equipe.
“Elas aprendem a dividir brinquedos e tarefas e desenvolvem o espírito de equipe por estarem junto com as amigas. Para elas, é uma diversão, mas, ao mesmo tempo, também desperta a vontade de buscar algo melhor para a vida”, afirma.
A percepção também aparece nas falas das próprias alunas. Esther, de 6 anos, conta que gosta das aulas porque realiza exercícios e “fica mais forte”. Já Sofia, também de 6 anos, diz que ama estar no projeto e destaca os passos aprendidos durante os encontros.
Alice, de 9 anos, também comemora a oportunidade de participar das aulas e das apresentações. “A gente dança e faz coreografias muito legais. Tem passos, giros e dança. Eu amo muito”, afirma.
Espetáculo será apresentado em outubro
As crianças já estão ensaiando para a apresentação de “O Reino Invisível”, marcada para 9 de outubro, às 19h30, no Teatro do Centro Empresarial Social e Cultural de Brusque (CESCB)
O espetáculo contará a história de princesas que procuram um reino e acabam descobrindo que ele está dentro de cada uma delas. Segundo Sarah, as alunas estão há meses preparando as coreografias e aguardam com ansiedade o momento de subir ao palco.
Os ingressos custarão R$ 15. O valor arrecadado terá uma finalidade especial: comprar um espelho para o espaço onde as aulas são realizadas. Atualmente, as crianças ainda não contam com o equipamento, considerado importante para acompanhar e aperfeiçoar os movimentos do balé.
“O ingresso tem um valor simbólico porque queremos comprar um espelho para elas. Ainda não temos esse espelho, mas queremos muito conseguir”, explica Sara.
Mais informações sobre os ingressos para o evento e sobre a participação nas aulas podem ser obtidas pelo Whatsapp: (47)99632- 6301 com a professora Sara.






















Fotos: Anderson Vieira/Olhar do Vale




