Um ambiente pensado para reduzir estímulos, proporcionar tranquilidade e ajudar crianças a compreender e regular as próprias emoções. Assim funciona a sala sensorial da Escola de Ensino Fundamental Nova Brasília, em Brusque, espaço utilizado pelos alunos em momentos em que precisam se reorganizar emocionalmente antes de retornar às atividades escolares.
Logo na entrada, uma mensagem apresenta a proposta do ambiente: “Entre, respire, ouça, olhe, toque, sinta, viva, acalme a sua mente e o seu coração”.
Segundo a professora Charlene Lançoni Soares, a sala foi planejada para oferecer diferentes possibilidades de estímulo sensorial e auxiliar principalmente no processo de autorregulação. A ideia é que o estudante encontre no local recursos capazes de proporcionar segurança e tranquilidade quando estiver agitado, sobrecarregado ou demonstrando sinais de que pode entrar em uma crise.
Mais do que um espaço para ser utilizado depois que uma situação já se agravou, a proposta é trabalhar também de maneira preventiva. A percepção dos primeiros sinais apresentados pela criança permite que ela seja encaminhada ao ambiente e encontre formas de reorganizar suas emoções antes que uma crise se estabeleça.
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Um ambiente diferente da sala de aula
Ao entrar na sala sensorial, a mudança de ambiente é perceptível. O espaço foi organizado para diminuir os estímulos comuns de uma sala de aula e oferecer experiências relacionadas à visão, audição, tato e outros sentidos.
Entre os recursos disponíveis estão elementos destinados ao relaxamento e à percepção corporal, além de estímulos visuais e sonoros. Durante a visita, por exemplo, imagens de peixes são projetadas enquanto sons semelhantes aos do mar ajudam a criar uma atmosfera mais tranquila. O ambiente também trabalha com aromas e diferentes possibilidades de contato sensorial.
Há ainda uma rede, que pode contribuir para a sensação de acolhimento e para o movimento corporal. Cada recurso tem uma finalidade dentro da proposta da sala e pode funcionar de maneira diferente de acordo com a necessidade de cada criança.
Isso ocorre porque aquilo que proporciona conforto para um aluno pode não ter o mesmo efeito sobre outro. O trabalho desenvolvido no espaço considera justamente essas particularidades.
Autorregulação
A sala sensorial está relacionada à capacidade de autorregulação, ou seja, à possibilidade de a criança perceber aquilo que está sentindo e encontrar estratégias para recuperar o equilíbrio.
Na rotina escolar, situações como excesso de barulho, movimentação, frustração ou uma grande quantidade de estímulos podem provocar desconforto em determinados estudantes. A sala oferece uma alternativa para que esses alunos tenham um ambiente apropriado para diminuir essa sobrecarga.
A proposta, conforme explicado durante a visita, não é simplesmente retirar a criança da sala de aula, mas ajudá-la a identificar aquilo que está acontecendo com seu corpo e suas emoções e, gradativamente, desenvolver maneiras de lidar com essas situações.
Depois que consegue se reorganizar, o estudante pode retornar às atividades.
Espaço surgiu após mudança da escola
A criação da sala tornou-se possível a partir da mudança da Escola de Ensino Fundamental Nova Brasília para uma estrutura que permitiu destinar um ambiente especificamente para essa finalidade.
A organização do espaço contou com recursos federais, além do apoio da Associação de Pais e Professores (APP). A partir disso, foram adquiridos e organizados materiais voltados às diferentes experiências sensoriais oferecidas aos estudantes.
O resultado é um ambiente que complementa o trabalho de inclusão realizado dentro da escola.
Para Charlene, um dos pontos mais importantes é justamente conseguir identificar a necessidade da criança antes que ela chegue ao limite. A intervenção antecipada permite utilizar os recursos da sala como ferramenta para evitar o agravamento da situação e ajudar o estudante a recuperar a tranquilidade.
Assim, a sala sensorial não funciona apenas como um espaço para momentos de crise. Ela passa a fazer parte de um trabalho mais amplo de desenvolvimento da autonomia, percepção das próprias emoções e inclusão no ambiente escolar.
Confira as fotos do ambiente: 








Fotos: Divulgação/ EEFNB


