A audiência pública promovida pela Comissão Especial da Saúde da Câmara de Vereadores de Brusque, na quinta-feira (20), colocou frente a frente servidores, usuários, representantes do Conselho Municipal de Saúde (Comusa), vereadores e a gestão municipal para discutir os problemas enfrentados pela rede pública.
Durante o encontro, surgiram críticas à demora por exames e especialistas, falta de espaço físico nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), sobrecarga e adoecimento de servidores, necessidade de ampliar as equipes multiprofissionais, dificuldades na entrega de medicamentos e questionamentos sobre planejamento e aplicação dos recursos da Saúde.
Mas uma das manifestações mais contundentes veio do vice-presidente do Comusa, Juarez Graczcki, que utilizou a expressão “sabor secretário” ao criticar a forma como a Secretaria Municipal de Saúde vem sendo comandada.
A declaração ocorreu em uma audiência da qual o atual secretário municipal de Saúde, Ricardo Alexandre Freitas, não participou. Ao final do encontro, o presidente da Comissão Especial, vereador Joubert Lungen (PODEMOS), afirmou que houve convite formal ao secretário, além de representantes de hospitais, imprensa, servidores e comunidade. A Secretaria de Saúde foi representada durante a audiência pela diretora Inajá Gonçalves de Araújo.
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“Nós temos sempre um sabor secretário”
Ao receber a palavra, Graczcki disse participar do Conselho Municipal de Saúde há anos e fez uma crítica que não se restringiu ao atual titular da pasta, mas ao modelo adotado em diferentes períodos.
“Algumas vezes eu percebo que nós não temos um secretário de Saúde. Nós temos sempre um ‘sabor secretário de Saúde’”, declarou. Na sequência, explicou o que pretendia dizer com a expressão. “Porque alguns dão aula, o outro faz operação, o outro vem duas vezes por semana. E a pasta é séria”, afirmou.
Para Graczcki, o titular da Secretaria deveria ter dedicação integral à função. “A pasta deveria ter pelo menos alguém que tocasse oito horas por dia. E, quando assumir a pasta, teria que ficar as oito horas. Não assumir duas, três, quatro funções ao mesmo tempo e não conseguir cumprir”, disse.
O Secretário de Saúde, Dr. Ricardo Freitas, foi procurado pelo Olhar do Vale para comentar as declarações do vice-presidente do Comusa. Ele diz que: “a atuação é integral dentro das oito horas propostas, fora disso tenho minha vida de médico e, mesmo assim, a disposição on-line para a secretária, bem como reuniões a noite e finais de semana, mas sempre tem algum entendimento contrário, faz parte da vida adulta”, afirma.
Sobre a sua ausência na audiência pública, o Secretário comentou que ” o foco da Secretaria foi encaminhar os técnicos da Secretaria para que se ouvisse a comunidade”, finaliza.
Vice do Comusa questiona contratos: “cheque em branco”
Graczcki também levantou questionamentos sobre contratos da Secretaria de Saúde analisados pelo Conselho Municipal. Segundo ele, quando participou da comissão de contratos do Comusa, identificou que parte considerável dos contratos não teria passado pela análise do colegiado.
O conselheiro afirmou que a Saúde trabalhava com aproximadamente R$ 300 milhões e que, ao fazer um levantamento, encontrou entre R$ 150 milhões e R$ 160 milhões em contratos. “Onde é que está o resto dos contratos? Não passa por nós os contratos?”, questionou.
De acordo com Graczcki, em determinado período, de aproximadamente 60 contratos, cerca de 40 não teriam passado pelo Conselho. “Praticamente um cheque em branco. Cada secretário, cada administração que pega, é um cheque em branco”, afirmou.
Ele também ironizou a transparência existente nesses processos. “Ah, tem transparência? Não. É tão transparente que ela é invisível no final”, declarou.
As afirmações foram feitas pelo conselheiro durante a audiência e deverão integrar os apontamentos analisados pela Comissão Especial. O presidente informou que vários dos questionamentos levantados por Graczcki já haviam sido objeto de ofícios enviados pela comissão em busca de respostas.
Crítica à construção de UBSs com recursos próprios
O vice-presidente do Comusa também defendeu que Brusque busque recursos estaduais e federais para financiar novas estruturas, evitando, segundo ele, retirar recursos próprios que poderiam ser destinados diretamente ao atendimento.
Ao citar a construção da nova UBS do bairro Tomaz Coelho, Graczcki afirmou que o Conselho havia feito uma ressalva para que a Prefeitura buscasse recursos externos.
“Quando você usa o dinheiro da Secretaria de Saúde de Brusque, você está retirando a saúde dos usuários. Você está comprando cimento, prego. Não é esse o objetivo. O objetivo é buscar dinheiro novo”, declarou.
Segundo ele, recursos empregados em obras acabam deixando de ser utilizados para procedimentos, medicamentos ou redução das filas.
Graczcki também estimou que existem entre “40 e 50 mil pessoas” aguardando na fila represada da Saúde e afirmou que algumas UBSs ainda enfrentam falta de infraestrutura.
O conselheiro ainda colocou em discussão o futuro do prédio da Policlínica e o volume de recursos gastos com locações de imóveis.
“Tu tiver uma casa velha, um prédio velho, a Secretaria de Saúde já está alugando”, criticou.
Na avaliação dele, Brusque deveria buscar recursos para aproveitar melhor imóveis públicos e reduzir despesas contínuas com aluguéis.
Ao encerrar, resumiu sua avaliação: “Não é falta de dinheiro. Eu não vejo que há falta de dinheiro. Eu vejo que há falta de planejamento a longo prazo.”
UBSs viraram “mini UPAs”, diz enfermeira
A audiência também revelou insatisfação entre servidores da própria rede. Cláudia Carraro, enfermeira da UBS Ponta Russa, relatou que, desde a pandemia, as unidades básicas passaram a absorver uma demanda cada vez maior por atendimentos imediatos.
“As UBSs se tornaram mini UPAs. E não é o nosso objetivo”, afirmou. Segundo ela, a atenção básica deveria recuperar sua função de acompanhamento contínuo da população, com prevenção, promoção da saúde e acompanhamento de gestantes, crianças, idosos, diabéticos e hipertensos.
Cláudia também lamentou a perda de serviços que anteriormente eram oferecidos por meio do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), como acompanhamento de nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e atividades coletivas.
Na avaliação dela, as atuais equipes ainda não suprem essa necessidade.
“Nós estamos adoecendo”
Outro ponto levantado pelos profissionais foi a relação com os próprios usuários. Cláudia relatou situações de agressões verbais e disse que os trabalhadores da Saúde também estão adoecendo.
“Nós estamos adoecendo porque estamos sendo também assediados”, afirmou. A enfermeira contou ter passado por uma situação de conflito com um usuário justamente no dia da audiência. “Hoje eu sofri um assédio por parte do usuário que eu não tinha culpa. Eu estou muito magoada até agora”, disse.
Ela pediu maior apoio da gestão, da Ouvidoria e do próprio município aos servidores que enfrentam esse tipo de situação.
165 pacientes faltaram a consultas em uma única UBS
Ao mesmo tempo em que cobrou melhorias do poder público, Cláudia chamou a atenção para a responsabilidade dos usuários. Segundo a enfermeira, a UBS Ponta Russa registrou 165 faltas a consultas médicas entre janeiro e junho.
“Dá uma média de 28 faltas. E as pessoas voltam à agenda e depois não dizem: ‘olha, eu não vou poder ir’. E outras pessoas que precisam comparecer não conseguem acesso”, afirmou.
Para ela, a solução dos problemas da Saúde passa também pela parceria entre usuários, servidores e gestão.
Gestão promete cinco equipes eMulti até 2029
Em resposta às cobranças, Inajá informou que o planejamento da Secretaria prevê a criação de cinco equipes eMulti até 2029. As equipes multiprofissionais devem reunir profissionais de diferentes áreas para apoiar as equipes de Saúde da Família e ampliar ações coletivas e preventivas.
Segundo a diretora, o processo também depende da contratação de profissionais com perfil adequado para esse tipo de atuação.
“Eu te dou a minha palavra aqui que até 2029 nós vamos ter esses cinco eMulti”, afirmou.
A previsão, entretanto, foi imediatamente questionada por servidores.
“Em 2029 esse planejamento já furou”
A enfermeira Daiana Paixão, que atua há 14 anos na rede, afirmou que a proposta pode nascer defasada diante do crescimento da população atendida.
“Que bom que, em 2029, a gente vai ter cinco eMulti e que a gente vai ter uma para o regional. Só que, até 2029, provavelmente, a minha população não vai ser mais de três mil habitantes na minha equipe. Eu vou estar com cinco, talvez seis mil”, disse.
Na sequência, foi direta: “Com certeza, em 2029 esse planejamento já furou. Ele não vai dar conta.”
Daiana reconheceu avanços na contratação de médicos, enfermeiros e técnicos ao longo dos últimos anos, mas afirmou que o crescimento das equipes não foi acompanhado pela estrutura.
“A gente não aumentou o número de administrativos, a gente não aumentou o número de exames, a gente não aumentou o espaço físico”, afirmou.
Segundo ela, a falta de espaço também impede a realização adequada de atividades de prevenção e grupos de acompanhamento. A enfermeira criticou ainda a cobrança por produtividade baseada em números, argumentando que a qualidade do atendimento pode ser prejudicada.
Servidora diz que profissionais da ponta não são ouvidos
Daiana apresentou ainda uma das críticas mais diretas à forma como a Secretaria planeja suas políticas.
“Não há planejamento sem ouvir os profissionais que estão na ponta, e nós não estamos sendo ouvidos. Os planejamentos não estão ocorrendo com a nossa participação”, afirmou.
Para ela, médicos, enfermeiros, técnicos e agentes que trabalham diariamente nos bairros conhecem as particularidades de cada território e deveriam participar diretamente da elaboração das políticas.
“Ouçam os profissionais da ponta. A gestão precisa planejar com os profissionais, senão a gente não vai conseguir melhorar a saúde de Brusque”, defendeu.
A fala gerou um contraponto da própria gestão. Inajá afirmou que o atual comando da Secretaria mantém diálogo constante com os servidores e disse que as portas estão abertas inclusive fora do horário normal de expediente.
Segundo a diretora, ela, o secretário Ricardo Freitas e demais integrantes da direção percorrem unidades e mantêm contato direto com os profissionais.
Comissão diz ter percebido medo entre servidores
A agente comunitária de saúde Cátia Regina dos Santos Elias, servidora há 20 anos, perguntou à Comissão Especial qual era o maior descontentamento encontrado durante as visitas: o dos usuários ou o dos trabalhadores da Saúde.
Cátia afirmou que existe insatisfação dos dois lados. “O que vocês acham que pesa mais? O descontentamento da população ou o descontentamento do servidor? Porque estão os dois lados descontentes”, questionou.
Na resposta, Joubert afirmou que a comissão ouviu mais reclamações de usuários, mas fez uma ressalva importante. Na avaliação do presidente, parte dos servidores demonstrou receio em falar durante as visitas.
“A minha opinião é que muitos servidores, na hora que a gente estava lá, ficaram receosos de fazer o seu relato. Isso eu pude comprovar”, disse.
Joubert afirmou que a comissão pretende retornar às 27 UBSs e buscar novos depoimentos de usuários e trabalhadores antes da conclusão dos trabalhos.
“A gente perdeu a essência da Unidade Básica de Saúde”
Cátia também criticou o enfraquecimento da capacidade de resolução das UBSs. Segundo ela, anteriormente as equipes conseguiam lidar dentro da própria atenção básica com parte de situações que atualmente acabam encaminhadas para especialistas.
“A gente perdeu a essência da Unidade Básica de Saúde”, afirmou.
Ao citar a antiga estrutura do NASF, disse que profissionais conseguiam auxiliar inclusive em situações de saúde mental. “Hoje é tudo para especialidade. A gente não consegue ter um manejo correto dentro da Unidade de Saúde, porque a gente precisa mandar para a especialidade”, declarou.
Para Cátia, o modelo aumenta gastos e pressiona ainda mais as filas.
“A ponta, a base, não tem mais o poder de fazer nada. A gente não consegue fazer mais nada. A gente precisa só encaminhar”, disse.
Gestão admite: “É fato. Nós temos fila”
Ao responder aos relatos, Inajá reconheceu que existem filas na rede municipal. “É fato. Nós temos fila”, afirmou.
A diretora argumentou que parte do crescimento da procura está relacionada ao envelhecimento da população, à demanda crescente por especialidades e ao ingresso no SUS de pessoas que anteriormente utilizavam planos de saúde.
Ela também defendeu maior investimento em prevenção para tentar reduzir a demanda futura. “As filas aumentam e nunca ninguém vai dar conta. Governo municipal, governo estadual e federal”, declarou.
Falta de espaço impede equipes de trabalhar no mesmo horário
A falta de estrutura física também foi reconhecida pela representante da Secretaria. Inajá citou como exemplo a UBS do Rio Branco. Segundo ela, a unidade possui três equipes, mas não comporta simultaneamente os três médicos e três enfermeiros durante todo o expediente.
“Eu não tenho espaço físico para todos trabalharem nesse mesmo horário”, explicou. Por isso, segundo a diretora, a Secretaria precisa fazer ajustes de horários.
Ela informou que situação diferente foi conseguida no Planalto, onde a gestão reorganizou o espaço após conversar com a comunidade e anunciou atendimento das 8h às 17h.
A Secretaria pretende avaliar outras unidades para verificar se ajustes semelhantes podem ser adotados.
Usuário relata espera por remédio e restrição de horário
A audiência também ouviu reclamações diretamente da população. Maurino Gripa, usuário da região da rua São Pedro, relatou dificuldades na retirada de medicamentos. Em um dos episódios, segundo ele, encontrou uma indicação de “volto logo” no local onde deveria receber o remédio.
“Eu fiquei uma hora nesse ‘volto logo’”, afirmou.
Maurino também questionou situações em que o usuário pertence a uma equipe que atende em determinado período do dia, dificultando o acesso de quem trabalha naquele mesmo horário.
“Se eu trabalho de manhã, por que não me colocam à tarde? Aí eu não perco meu serviço, não preciso ir atrás de atestado”, questionou.
Inajá afirmou que a farmácia de uma UBS deve permanecer funcionando durante todo o expediente e que a ausência do funcionário normalmente responsável pelo serviço não pode impedir a entrega de medicamentos de rotina.
Segundo ela, outros profissionais habilitados podem auxiliar na dispensação.
“A falta do funcionário não deve [impedir] o usuário de pegar o seu remédio”, afirmou.
“Plano, teoria e planilha não resolvem a dor diária”
Patrícia Freitas, que se apresentou como usuária do SUS e assessora da vereadora Bete Eccel, fez uma série de questionamentos à gestão.
Ela citou demora para exames, espera por especialistas, falta de odontologia em unidades, problemas estruturais e ampliação de equipes sem aumento correspondente do espaço físico.
Patrícia também levantou uma divergência que, segundo ela, existe no discurso sobre as finanças da pasta.
“O secretário de Saúde disse que tinha um déficit na Saúde, o prefeito disse que tem um superávit na Saúde, mas todos os problemas da Saúde permanecem”, afirmou.
Ela relatou ainda situações em que pacientes aguardam meses ou anos por exames, fisioterapia ou especialistas, fazendo com que a insatisfação acabe recaindo sobre o servidor que está na unidade.
“O profissional que está lá acaba levando a paulada”, afirmou.
Patrícia concluiu com outra crítica ao planejamento:
“Plano, teoria e planilha não resolvem o problema diário da população. Não resolvem a dor diária que o usuário tem.”
Gestão diz que problemas exigem mais recursos
Inajá respondeu que os diferentes níveis de governo precisam atuar conjuntamente. Segundo ela, o município não conseguirá sozinho financiar todas as necessidades existentes na rede.
“A grande maioria desses problemas que você nos colocou se resolve com uma coisa: dinheiro”, declarou.
A diretora defendeu maior participação dos governos estadual e federal e reconheceu novamente que há necessidade de melhorar estruturas e fazer ajustes na rede.
“A gente sabe que o espaço físico precisa melhorar? Precisa. A gente precisa de ajustes em muitas outras coisas? Precisa”, afirmou.
Integrantes também saem em defesa dos profissionais
Apesar das críticas à gestão, boa parte da audiência também foi marcada pela defesa dos servidores.
O presidente do Comusa, doutor Lima, argumentou que reclamações individuais acabam ganhando maior repercussão que os atendimentos realizados corretamente e defendeu maior valorização dos profissionais.
Cláudia e Daiana também sustentaram que grande parte dos trabalhadores busca oferecer atendimento humanizado, mesmo diante da falta de estrutura, da demanda crescente e dos conflitos com usuários.
O debate mostrou, portanto, dois problemas simultâneos: usuários frustrados com filas, demora e dificuldades de acesso e profissionais que relatam sobrecarga, falta de estrutura e desgaste emocional.
Comissão passou pelas 27 UBSs
Antes da audiência, os integrantes da Comissão Especial percorreram as 27 Unidades Básicas de Saúde e outros equipamentos ligados à rede municipal.
Durante as visitas, foram avaliadas estruturas físicas e ouvidos usuários e profissionais.
O relator da comissão, vereador Felipe Hort, afirmou ao final da audiência que todos os equipamentos visitados apresentam algum tipo de necessidade de melhoria.
“A gente visitou as 27 Unidades Básicas de Saúde, todos os aparelhos de saúde, e todos realmente carecem de melhorias”, declarou.
Segundo ele, a comissão ainda está recebendo informações antes de apresentar as propostas no relatório final.
Vereadores apontam falhas e dizem que cobranças continuarão
Os vereadores presentes também fizeram considerações sobre os problemas levantados ao longo da audiência. As manifestações passaram pela necessidade de melhorar a estrutura das unidades, valorizar os servidores, cobrar respostas do Executivo e transformar os relatos colhidos pela Comissão Especial da Saúde em medidas concretas.
A vereadora Bete Eccel, integrante da comissão e uma das defensoras de sua criação, afirmou que a audiência permitiu confrontar aquilo que os vereadores encontraram nas visitas com as explicações apresentadas pela gestão.
Segundo ela, em alguns momentos, “as respostas se encontravam” e, em outros, “se desencontravam”.
Bete disse que essas diferenças deverão ser observadas na elaboração do relatório final e nas futuras cobranças ao Executivo. A vereadora também rebateu o argumento de que o crescimento populacional pressiona cada vez mais a Saúde.
“Óbvio que [a população] aumentou, mas a arrecadação também aumentou”, afirmou.
Relator da Comissão Especial, Felipe Hort destacou que o grupo reúne vereadores de diferentes posições políticas e afirmou que o objetivo é tratar a Saúde como uma questão de Estado, independentemente de governo ou oposição.
“O contribuinte, o usuário da UBS, pouco quer saber se é vereador, se é deputado, se é diretor de Saúde, se é secretário. Quer ser bem atendido”, afirmou.
Hort também fez uma avaliação direta sobre o que a comissão encontrou em campo.
“A gente visitou as 27 Unidades Básicas de Saúde, todos os aparelhos de saúde, e todos realmente carecem de melhorias”, disse.
O vereador afirmou ainda que a comissão identificou sinais de adoecimento entre servidores públicos e que o relatório deverá buscar fazer a ligação entre as demandas dos trabalhadores, dos usuários e do poder público.
Vice-presidente da comissão, Pedro Correa ressaltou que não é possível cobrar resultados dos profissionais sem oferecer condições adequadas de trabalho.
“Cobrar é fácil. A gente dando estrutura, dando condições, a gente pode cobrar. Quando não tem essas condições, então a gente não tem como cobrar”, afirmou.
Segundo Pedro, as visitas encontraram profissionais empenhados em atender a população, mas também “muitos pontos” que precisam ser melhorados. Ele defendeu ainda uma campanha de orientação para explicar à população qual é a verdadeira função das UBSs e quais situações devem ser encaminhadas aos serviços de pronto atendimento e hospitais.
Antônio Roberto destacou que os problemas atingem os dois lados do balcão: quem procura atendimento e quem trabalha na rede.
“A saúde não tem partido, a saúde tem prioridade”, afirmou.
Para o vereador, tanto o usuário que necessita do serviço quanto o profissional responsável pelo atendimento enfrentam dificuldades, e o município precisa buscar soluções que evitem o adoecimento de ambos.
Jean Dalmolin também ressaltou que a Câmara recebe reclamações tanto da população quanto dos servidores e afirmou que o Legislativo continuará aberto para ouvir os dois lados. Ele ainda lamentou a baixa participação popular na audiência e reforçou que, segundo a organização, houve divulgação do encontro.
Já Paulinho Sestrem, que falou no início da audiência, lembrou que Brusque já teve uma comissão semelhante em outro período e afirmou que alguns dos apontamentos feitos naquela ocasião foram acolhidos pelo Executivo, enquanto outros não. Para ele, a atual comissão chega à fase final com um panorama mais amplo após acompanhar UBSs, hospitais e outros serviços da rede.
No encerramento, o presidente Joubert Lungen afirmou que a comissão manterá uma postura de fiscalização e destacou que as manifestações apresentadas serão incorporadas ao relatório final. Também revelou que foram encaminhados convites à população, imprensa, hospitais e ao secretário municipal de Saúde.
Joubert demonstrou incômodo com a ausência de parte dos convidados e de pessoas que anteriormente haviam apresentado reclamações.
“A gente fica indignado”, afirmou, acrescentando que esperava uma audiência com participação muito maior de usuários e servidores. Para ele, o número de presentes ficou abaixo do necessário diante da quantidade de problemas relatados à comissão durante os meses de trabalho.
Relatório deve reunir cobranças e propostas
As manifestações feitas durante a audiência serão agora incorporadas ao trabalho da Comissão Especial da Saúde.
O colegiado pretende reunir as informações colhidas nas visitas às UBSs, documentos enviados pela Secretaria, depoimentos de servidores e usuários e os questionamentos apresentados na audiência para produzir o relatório final.
Entre os temas que deverão aparecer no documento estão as filas por consultas e exames, estrutura física das unidades, distribuição e quantidade de servidores, saúde mental dos trabalhadores, funcionamento das farmácias, papel da atenção básica, necessidade de equipes multiprofissionais, planejamento dos investimentos e aplicação dos recursos públicos.
A audiência mostrou que, embora gestão, servidores, usuários, Comusa e vereadores divirjam sobre causas e responsabilidades, existe um ponto praticamente consensual: a rede municipal de Saúde de Brusque ainda possui problemas que precisam ser enfrentados.
E, em meio às inúmeras reclamações e propostas apresentadas durante a noite, a provocação feita por Juarez Graczcki acabou sintetizando uma das principais cobranças dirigidas ao comando da pasta: para o vice-presidente do Comusa, a Saúde precisa não apenas de mais dinheiro, mas de planejamento de longo prazo e de uma liderança integralmente dedicada à Secretaria.



