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Médico Sebastião Lima assume Conselho Municipal de Saúde e defende fiscalização, imparcialidade e “sintonia fina” nas decisões

O ortopedista e ex-vereador Dr. Lima. Foto: Anderson Vieira/Olhar do Vale.

Eleito presidente do Conselho Municipal de Saúde de Brusque , o ortopedista e ex-vereador Dr. Sebastião Isfer de Lima (PL), afirmou que assume a função com o objetivo de fortalecer o papel fiscalizador e consultivo do órgão, defendendo decisões mais bem lapidadas, com foco exclusivo no interesse da população. Em entrevista ao Olhar do Vale, Lima destacou que sua ligação com o Conselho vem de longa data e que a saúde pública exige envolvimento, responsabilidade e disposição para enfrentar momentos difíceis.

Segundo ele, sua participação no Conselho Municipal de Saúde remonta aos anos de 1997 e 1998, período em que, mesmo quando não podia assumir diretamente funções no órgão, indicava representantes para garantir o funcionamento e a continuidade dos trabalhos. Lima classificou o Conselho como um dos mais importantes da administração pública, especialmente pelo volume de recursos envolvidos e pelo impacto imediato das decisões na vida das pessoas. Para ele, o Conselho não apenas fiscaliza, mas também aconselha e contribui para aprimorar as decisões da Secretaria de Saúde.

Lima afirmou que aceitou assumir a presidência porque entende que se colocar à disposição é uma forma de contribuir com a coletividade. Ele destacou que o trabalho no Conselho é voluntário e que isso, muitas vezes, gera questionamentos injustos sobre possíveis interesses pessoais. Para o novo presidente, é grave supor que alguém se voluntarie com segundas intenções, e reforçou que sua motivação sempre foi a defesa da verdade e do interesse público, lembrando que a população é a verdadeira dona do dinheiro público.

“O Conselho precisa fazer a sintonia fina do sistema”

Durante a entrevista, Lima ressaltou que erros e falhas são possíveis em qualquer estrutura, especialmente em sistemas complexos como o da saúde, e que quanto mais pessoas participarem da construção das decisões, melhor será o resultado final. Ele explicou que, à medida que se desce na hierarquia administrativa, aumentam as chances de problemas no atendimento, muitas vezes causados por falta de preparo, sobrecarga de trabalho ou dificuldade de lidar com a autoridade.

Para ilustrar, relatou um episódio ocorrido há cerca de 25 a 30 anos, quando uma mãe precisou se deslocar novamente com uma criança com deficiência para retirar um medicamento, simplesmente porque a receita havia sido emitida em um receituário diferente do exigido pelo sistema. Segundo Lima, o caso o marcou pela falta de bom senso e pela desumanização no atendimento, algo que, para ele, precisa ser combatido com orientação, diálogo e ajustes de procedimento.

Questionado sobre sua experiência política e o fato de ser filiado ao Partido Liberal, o mesmo do atual prefeito, Lima afirmou que atuará com imparcialidade. Ele relembrou que, quando foi eleito vereador em 2016 como o mais votado, nunca aceitou cargos no Executivo, justamente por considerar isso incoerente com a função fiscalizadora. Defendeu ainda que representantes eleitos devem agir com independência, colocando o interesse coletivo acima de alinhamentos partidários, e destacou que sua indicação ao Conselho se deu por meio da Associação Brusquense de Medicina, e não por partido político.

Sobre a situação atual da saúde no município, incluindo atrasos na entrega das prestações de contas quadrimestrais e a demanda reprimida por exames, Lima afirmou que ainda está em fase de transição e atualização das informações, já que sua eleição é recente. Ele elogiou a condução do Conselho pelo ex-presidente Robson Zunino e afirmou que pretende dialogar com ele para compreender melhor o cenário e dar continuidade ao trabalho.

Ao comentar o déficit de R$ 20 milhões da Secretaria de Saúde noticiado com exclusividade pelo Olhar do Vale no mês de Setembro, Lima confirmou que o tema será acompanhado pelo Conselho Municipal de Saúde e que faz parte de suas atribuições se inteirar do que ocorreu, identificar responsabilidades e buscar soluções. Ele destacou que o Conselho tem portas abertas para participar das reuniões e que o objetivo não é atacar o Executivo ou o Legislativo, mas colaborar para encontrar caminhos que beneficiem a população.

Lima comparou o papel do Conselho ao da “sintonia fina” das televisões antigas, explicando que pequenas correções podem eliminar ruídos que prejudicam a qualidade do atendimento. Para ele, o Conselho existe para ajustar decisões, sempre respeitando o conhecimento técnico, mas também levando em conta a experiência de vida e o discernimento dos conselheiros.

Ao final da entrevista, o novo presidente afirmou que sua gestão será pautada pelo diálogo, pela harmonia e pela eficiência, reforçando que jamais conduzirá qualquer decisão para favorecer interesses individuais ou exclusivos. Segundo ele, o Conselho Municipal de Saúde está ali para garantir que o dinheiro público seja bem aplicado e que o máximo possível seja entregue em qualidade de atendimento à população.

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