Brusque viveu, neste domingo, uma sequência de episódios violentos que contrastam diretamente com o recente título de “cidade mais segura do Brasil”. Em menos de 24 horas, a cidade registrou um homicídio cometido com facão no Centro e uma tentativa de homicídio com arma de fogo no bairro Azambuja, dois casos graves que colocam em xeque a narrativa de tranquilidade absoluta associada ao município.
No início da tarde, um homem foi morto a golpes de facão em plena região central, em uma área de grande circulação de pessoas. A violência ocorreu à luz do dia, chocou comerciantes e pedestres e terminou com a morte da vítima ainda no local. O autor fugiu, e a Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime.
Horas depois, no bairro Azambuja, outra ocorrência grave foi registrada. Um homem foi baleado após uma possível discussão, sendo socorrido e encaminhado ao hospital. O caso envolveu o uso de arma de fogo e mobilizou forças de segurança, ampliando a sensação de insegurança entre moradores da região.
Os dois episódios, distintos entre si, têm algo em comum: o uso extremo da violência para resolver conflitos, seja com arma branca ou arma de fogo, e o fato de terem ocorrido no mesmo dia em uma cidade recentemente exaltada por índices oficiais de segurança pública.
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O que significa, afinal, ser a “cidade mais segura”?
O título atribuído a Brusque tem como base dados estatísticos de homicídios por 100 mil habitantes, critério utilizado em rankings nacionais. Sob esse recorte específico, o município de fato apresenta números baixos quando comparado a grandes centros urbanos.
No entanto, os casos registrados hoje evidenciam uma limitação clara desse tipo de ranking: ele mede mortes consumadas, não o cotidiano da violência urbana. Tentativas de homicídio, agressões graves, crimes com armas brancas e episódios que colocam a população em risco ficam fora da conta — mas não fora da realidade.
Ser estatisticamente mais segura não significa estar imune à violência. E quando crimes brutais ocorrem no Centro da cidade e em bairros populosos, a pergunta que se impõe é inevitável: os números refletem a experiência real de quem vive Brusque no dia a dia?
Os acontecimentos deste domingo mostram que, por trás de títulos positivos e rankings comemorados, existem conflitos, falhas na prevenção e uma violência que ainda se manifesta de forma brutal. A segurança pública não se resume a índices; ela se mede, principalmente, pela capacidade de evitar que discussões terminem em facões, tiros e mortes.
Brusque pode até liderar estatísticas nacionais, mas os fatos de hoje lembram que segurança de verdade é aquela sentida nas ruas, não apenas nos relatórios.





