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Vítima de cárcere privado é resgatada em Gaspar após pedido de socorro em papel higiênico

Uma operação policial no bairro Gasparinho, em Gaspar, resultou no resgate de uma mulher de 34 anos que estava sendo mantida em cárcere privado e sofrendo sucessivas violências pelo ex-companheiro. O pedido de socorro, uma mensagem deixada em um pedaço de papel higiênico no banheiro de uma conveniência, foi crucial para alertar as autoridades e salvar a vítima.

O alerta chegou às forças de segurança via COPOM após um funcionário de uma empresa encontrar o recado detalhando o pedido de ajuda e o endereço.

Retomada Marcada pela Violência

Ao chegar ao local, a guarnição conversou com a vítima, que relatou ter reatado o relacionamento com o agressor na terça-feira anterior, dia 30/09, seis meses após a separação. Segundo ela, a violência começou logo após sua chegada à residência.

O homem teria exigido que ela desbloqueasse o celular e, diante da recusa, quebrou o aparelho, além de iniciar uma série de agressões e ameaças de morte. A mulher relatou ter sido agredida pelo menos três vezes até a data do resgate.

O abuso se estendeu para a esfera sexual. A vítima afirmou ter sido obrigada a manter relações sexuais com o agressor sob a ameaça de mais agressões. Além disso, o homem gravou um vídeo íntimo dela sem seu consentimento e a ameaçava divulgar o conteúdo em grupos de WhatsApp e redes sociais caso ela tentasse fugir.

O resgate só foi possível graças à sua estratégia. Na noite anterior, por volta das 22h, a vítima pediu para ir a uma conveniência comprar cigarros e foi acompanhada pelo agressor. Aproveitando o momento em que usou o banheiro, ela conseguiu deixar a mensagem pedindo socorro, pois o agressor havia afirmado que iria matá-la e que “ninguém descobriria”.

Ao se aproximar da residência, a guarnição visualizou o suspeito no interior, em estado de nervosismo, e se recusando a abrir a porta. Diante da urgência e dos fatos, os policiais foram obrigados a forçar a entrada.

A mulher foi encontrada em estado de choque, apresentando lesões visíveis no pescoço, no rosto e nos seios.

O agressor, um homem de 29 anos, recebeu voz de prisão e optou por permanecer em silêncio, tendo seus direitos constitucionais resguardados. As partes foram imediatamente conduzidas à Central de Polícia para as devidas providências legais.

O caso ganha gravidade adicional devido ao extenso histórico do autor: ele possui 44 boletins de ocorrência registrados em seu nome. A vítima, inclusive, já havia tido uma medida protetiva concedida em seu favor anteriormente, indicando um ciclo de violência já conhecido pelas autoridades.

A Polícia Civil de Gaspar deverá investigar o caso, incluindo os crimes de cárcere privado, lesão corporal, ameaça, estupro e o registro não consensual de vídeo íntimo.

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