Blumenau – Eleito com 1993 votos no pleito de 2020, o progressista Almir Vieira foi escolhido por unanimidade como presidente da Câmara Municipal de Blumenau para os próximos dois anos. Vieira tem 49 anos e foi eleito em chapa única. Sargento do exército aposentado, ele está no seu terceiro mandato.
Em seu currículo possui várias condecorações por seus feitos, como por exemplo, a oportunidade em que salvou uma mulher de afogamento no rio Itajaí-açu e uma medalha da Organização das Nações Unidas (ONU) em uma missão de paz na África, mas precisamente em Angola.
Mas, como será o Almir Vieira presidente da casa legislativa? Que perfil terá? Como vai ser seu trabalho? É por isso que o Olhar do Vale conversou com o presidente eleito para saber quais suas pretensões na presidência da Câmara. De forma educada e respeitosa, o parlamentar não fugiu das perguntas. Acompanhe a entrevista:
Olhar do Vale: Como o senhor analisa toda essa movimentação que o levou à presidência da câmara?
Almir Vieira: Eu analiso com uma alegria muito grande, mas também com sentimento de responsabilidade muito maior, uma vez que tivemos unanimidade na votação. Eu sempre trato o vereador como o representante legal da cidade e se a unanimidade partiu dos vereadores, significa que a cidade conta com o meu nome como presidente. São muitos desafios pela frente, pois além do trabalho de presidente, que dá o suporte para a câmara, tem o meu trabalho como vereador e também tem o trabalho junto ao executivo. Tudo que o executivo faz, passa por aqui e a gente tem que estar sempre alinhado com o executivo. São desafios diários que nós vamos ter, mas eu estou muito contente. Faz muito tempo que a Câmara não tem uma eleição com unanimidade em torno de um nome só.
Olhar do Vale: Como será a sua postura como presidente do legislativo?
Almir Vieira: A minha postura será como eu venho de formação, que é o respeito por todos, seja do funcionário do nível mais alto ao mais baixo e respeito pelos parlamentares, mas com uma hierarquia e uma disciplina. Eu não vou permitir insubordinação. Eu não vou permitir qualquer coisa dentro daquilo que não está regulamentado. Vou exigir o rigor da lei, exigir o trabalho de todos os servidores, até porque nós somos funcionários do povo. Quem paga o nosso salário é o povo e os funcionários tem que ter esse entendimento. A gente já viu várias situações de o cidadão precisar do poder público e o servidor estar lá de cara virada, não querendo atender. Isso pra mim não funciona. Nós temos que estar à disposição e fazer o melhor possível para a nossa sociedade. Isso vai ser uma coisa que vamos implementar aqui.
Olhar do Vale: E a relação com o executivo?
Almir Vieira: A minha relação com o executivo é boa, já tivemos algumas divergências até porque isso é natural, pois num país democrático todos tem o direito de expor suas ideias, mas isso nunca foi para o pessoal, pois lutamos pelo interesse da sociedade. Hoje nós temos uma boa convivência. O prefeito Mário tem feito um excelente trabalho e vem desenvolvendo uma gestão inovadora e transparente e nós temos que seguir neste ritmo. Obviamente que não seremos um puxado da prefeitura. Nós temos vida própria e vamos trabalhar naquilo que for bom para a cidade. Se tiver que divergir em algum momento, nós iremos divergir.
Olhar do Vale: A independência entre os poderes será respeitada e mantida?
Almir Vieira: Ela deve ser respeitada e como diz o nosso presidente Bolsonaro: Vou jogar dentro das quatro linhas, ou seja, fazer aquilo que é previsto em lei.
Olhar do Vale: O que o senhor pretende implementar? Quais são seus objetivos a frente da presidência da casa?
Almir Vieira: Um dos objetivos que a gente pretende implementar é fazer a sede própria da Câmara. Eu acho que pagar aluguel não dá mais. Já conseguimos comprar o terreno, nós temos recursos. Eu acho que está na hora da Câmara de Blumenau ter uma sede própria. Mesmo alguns dizendo que não é uma necessidade… Tem gente que acha que nem era importante ter vereador nessa cidade. É uma pena pensar dessa forma, pois é daqui dessa casa que saem as leis que vão beneficiar as pessoas. Desde entrar em um ônibus a um posto de saúde, tudo passa por aqui. Ter uma sede própria vai possibilitar que a gente não gaste dinheiro com aluguel, deixando esse recurso para outras ações como: educação, mobilidade urbana e segurança. Eu vou trabalhar muito fortemente para a construção da sede, também vamos junto com a sede construir um parque. A região sul de Blumenau é carente de um parque onde as famílias possam se reunir nos finais de semana ou fazerem uma caminhada.
Olhar do Vale: E em relação a projetos?
Almir Vieira: Muito se comenta da ausência dos vereadores. Blumenau é uma cidade com 35 bairros e em Santa Catarina é a cidade que menos tem vereador por número de pessoas. Nós aqui, segundo a Constituição Federal, poderíamos ter 25 vereadores. As pessoas inda confundem muito: “Ah, é o vereador do meu bairro”, mas o vereador é para toda a cidade. Considerando o tamanho de Blumenau e eu sinto na pele isso, a gente acaba não visitando todos os bairros. Qual é a minha ideia para que isso não aconteça? É fazer a Câmara Itinerante, é levar a Câmara de Vereadores para os cantos mais distantes do centro da cidade, é poder conversar com as pessoas, ouvi-las e elas poderem participar de uma sessão da e fazerem as suas reivindicações. A Câmara Itinerante será implantada para desmistificar aquela ideia que o vereador só aparece de quatro em quatro anos.
Olhar do Vale: E o relacionamento com seus colegas vereadores? Agora o senhor vai gerir uma casa que tem a situação e oposição, anteriormente o senhor tinha que se preocupar apenas com o seu trabalho na casa. Como o senhor avalia o trabalho dos parlamentares?
Almir Vieira: Eu digo pra ti que todo vereador dessa casa trabalha muito, independente de questões de segmento que eu sou contrário a isso, mas existem segmentos. São poucos que não tem um segmento, como é o meu caso. Alguns desenvolvem um papel mais comunitário, outros mais administrativo, outros com o internauta, mas todos eles trabalham muito e a minha convivência aqui não é uma convivência para fazer amizade, a verdade é essa: eu não vim aqui para fazer amizade, eu vim aqui para debater o interesse da nossa sociedade e isso inclui embate em uma discussão. Quando eu colocar a minha ideia e eu achar que a minha ideia vai trazer um benefício que a sociedade espera, eu vou debater com oposição com situação, com “A” com “B” , mas sempre no campo político, nunca passando para o campo pessoal. Nunca entrando no íntimo dos parlamentares. Aqui nesta casa tem que estar aflorada a democracia. Os interesses tem que ser discutidos.




