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“… se não se consegue ver a diferença entre uma missa e um baile de carnaval, se torna difícil conversar”, diz Dom Wilson sobre crisma interrompida em Botuverá

O Arcebispo metropolitano de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Wilson Jönck, do Sagrado Coração de Jesus, emitiu na tarde desta terça-feira(1) uma nota oficial sobre o incidente ocorrido em Botuverá, aonde uma celebração de crisma foi interrompida pela vigilância sanitária. De acordo com a nota oficial da Prefeitura de Botuverá, trazida na matéria sobre o fato, “o objetivo foi obedecer as portarias do Estado quanto ao enfrentamento a Covid-19 e preservar vidas”.

Agora, o arcebispo, que esteve na celebração, se manifesta confrontando informação da nota oficial emitida pela prefeitura de Botuverá. Entre outros argumentos, o líder religioso diz: “e não se consegue ver a diferença entre uma missa e um baile de carnaval, se torna difícil conversar”. Confira:

“Diz a nota que tudo poderia “ser evitado com a observância às diretrizes do Estado”. Tenho a dizer que na Arquidiocese de Florianópolis são mais de 70 paróquias. Todas elas são orientadas a seguir as normas lançadas pela autoridade sanitária com referência aos cuidados preventivos com relação à COVID 19. Em todos os lugares de culto, os assentos estão demarcados de acordo com a capacidade estipulada pelos decretos do Estado, é
fornecido álcool gel para todos os participantes, e é obrigatório o uso de máscara. Até agora não tivemos problemas. O nosso pedido é que se observe o que é prescrito pela autoridade. Nós nos consideramos colaboradores do Estado no seu esforço no combate à pandemia.


Também em Botuverá, tudo estava organizado seguindo à risca as normas da autoridade sanitária: distanciamento, lugares demarcados para todos os participantes, fornecimento de álcool gel. Todos os presentes usavam máscaras. O fato de que a missa tenha sido no salão deve ser visto sobretudo como um esforço para cumprir aquilo que é o espírito das normas sanitárias. Causa revolta, quando o argumento usado é de que pelo fato de a missa ser celebrada no salão ela se tornava um evento e este era proibido. Ora, se não se consegue ver a diferença entre uma missa e um baile de carnaval, se torna difícil conversar.

Havia uma insistência para se achar um motivo para implicar. Sinceramente, não consigo encontrar o motivo para tal implicância. Mas deve haver um motivo. Devo dizer que, pessoalmente, a parte que mais me feriu foi a ordem de interromper a missa. E foram repetidas ameaças de que iriam entrar e acabar com a celebração. Preciso dizer que a celebração da missa não se interrompe na metade. Nos mais de 40 anos de sacerdócio, isto nunca me aconteceu. Tenho lido nos noticiários que tais fatos acontecem em regiões onde há perseguição contra os cristãos.

Aproveitam quando a comunidade está reunida para atacar. Não esperava passar por esta experiência em Botuverá. Quero, enfim, expressar minha admiração pelo povo de Botuverá, expressa em tantos momentos de sua história. Que este lamentável episódio não marque negativamente a harmonia e a convivência da comunidade“.

Confira o documento:

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