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Paixão por animais: Conheça a voluntária Jessica Ricardo que reabilita animais para adoção

A paixão por animas habita o coração de muita gente, mas nem todos sabem que é possível fazer muito mais por esses bichinhos, que trazem alegria e amor aos nossos lares. Existem em Brusque, os voluntários, que abrem suas casas para serem lares temporários.

O trabalho voluntário consiste em cuidar e reabilitar animais que muitas vezes são socorridos em situações de risco, oferecendo seus lares até que achem lares definitivos.

A Jessica Ricado, moradora de Brusque, de 26 anos é um desses anjos, que cuidam e levam carinho aos animais. Ela é voluntária da ACAPRA (Associação Brusquense de Proteção aos Animais) e oferece seu lar onde gatinhos, abandonados e maltratados, recebem todo tratamento nutricional e emocional necessário para adoção.

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Confira abaixo a entrevista, que retrata como é o trabalho voluntário:

ODV: Quando surgiu essa paixão por animas?

Jessica: Eu cresci em uma casa onde todos gostam, sempre tive animais de estimação e sou apaixonada por eles desde criança. Minha família e eu sempre tentamos ajudar aqueles que cruzam nosso caminho, como foi o caso do Luke , um dos nossos cães, que meu irmão viu ser atropelado, resgatamos tratamos e ele virou um membro da família. Com o passar do tempo fui conhecendo a causa, e percebi o quanto eles são negligenciados e precisam de ajuda.

ODV: Como surgiu a oportunidade do Lar temporário? Você se lembra do primeiro animal que acolheu em sua casa? 

Jessica: Antes de ser uma voluntária da Acapra eu sempre tentei ajudar os animais que encontrava, e por isso acabei conhecendo a ONG, onde as voluntarias me explicaram como funcionava o lar temporário e eu decidi abrir minha casa para gatinhos, minha primeira hospede temporária foi a Eva, ela foi abandonada junto com seus 3 irmãos com 20 dias de vida, eles foram divididos entre as voluntarias e ela ficou comigo, logo de primeira peguei uma de mamadeira, sem experiência nenhuma, fui pedindo ajuda para as meninas mais experientes, até que ela começou a comer sozinha e foi adotada, dai pra frente não parei mais.

ODV: Os animais chegam em sua casa fragilizados, como é o trabalho de reabilitação do animal para ser doado?

Jessica: Eu sempre gostei de pegar os mais frágeis, os doentes, fraquinhos e, por trabalhar em frente à minha casa e ter disponibilidade de tempo, os de mamadeira, que precisam de alimentação a cada 2 ou 3 horas e de cuidados mais intensos. Então a maioria dos gatinhos que pego precisa de um pouco mais de atenção, seja por questão de saúde, ou por serem muito assustados e precisarem socializar antes de serem doados.

Alguns ficam poucos dias, chegam saudáveis e logo são adotados, já outros ficam dias, as vezes meses até estarem recuperados e então serem adotados. Cada caso precisa de um tipo de cuidado, já tive machucados, doentes, recém nascidos, intoxicados, eles chegam, vejo a situação e a partir dali vou cuidando e pedindo orientação para o veterinário, deixo ele quase louco com tantas mensagens quando tenho algum caso grave, pois não tenho nenhuma formação veterinária,  o que sei fui aprendendo conforme ia cuidando dos gatinhos, esses casos mais graves são difíceis, e já perdi muitos gatinhos aqui, mas aqueles que sobrevivem fazem tudo valer a pena, ver a evolução e transformação deles, poder escolher uma família legal e ver o final feliz é muito gratificante.

 

ODV: Qual foi o caso que mais lhe emocionou?

Jessica: Já tive muitos casos marcantes, com finais felizes e tristes, é difícil dizer qual me emocionou mais, mas no topo da lista estão:

Harry “Sequela”, chegou ainda filhote, foi atacado por um cachorro, e por ter sido mordido na cabeça ficou com algumas sequelas, teve convulsões por vários meses, e até hoje não consegue pular, fiz escadinhas pra ele subir na janela (risos). Por ele ser especial, ninguém quis adotar, então quando fez um ano que ele estava comigo, ele deixou de ser temporário e passou a ser definitivo. Ellano foi o caso que mais me tocou e causou revolta diante da maldade de certas pessoas, ele foi jogado no mato dentro de uma sacola, com a mandíbula fraturada, a boca estava pendurada, passou a noite lá, uma noite inteira de dor e medo, quando soubemos, duas voluntarias foram resgatar, o nome Ellano foi em homenagem a elas, Ellen e Ana, era de manhã bem cedo e eu lembro delas mandando mensagens enquanto estavam a caminho da clínica, revoltadas com tamanha maldade, comoveu todos os voluntários e todos que acompanharam o caso pela página da ACAPRA, ele ficou aproximadamente dois meses internado, com a boca imobilizada, comendo por sonda ,quando chegou aqui passou algum tempo comendo saches e ração triturada, perdeu vários dentes, inclusive depois de um tempo precisou fazer cirurgia para retirar alguns dentes quebrados que estavam causando dor, e agora, mesmo um ano depois, vai ter que extrair mais alguns , e mesmo com tudo isso, com tanto sofrimento, ele é o gato mais carinhoso que eu já tive. Ficou quase um ano como lar temporário, até que eu encontrei um adotante, porem no dia de entregar não conseguimos, pedi desculpa a pessoa que ia adotar e disse que eu iria adota-lo, pois ele já tinha conquistado todos, não conseguiríamos viver sem o nosso príncipe banguela.

E como não temos só boas histórias, tem o caso da Marrequinha, a minha pequenina, que sem dúvida foi minha experiência mais triste como lar temporário, ela chegou com alguns dias de vida, com problemas nos olhos, e além disso pegou rinotraqueite, (um tipo de gripe felina) ela ficou cega, mas se adaptou super bem e tinha uma vida normal, fizemos tratamento e ela voltou a enxergar, eu sempre vou lembrar do dia que eu estava mexendo minha mão e vi aqueles olhinhos seguindo meus dedos, fiquei muito feliz em ver aquilo, ela começou a comer sozinha e estava quase curada da gripe, encontrei uma família pra ela, e alguns dias antes de entrega-la, ela piorou e infelizmente ela virou uma estrelinha, e pra mim, mesmo já tendo perdido vários outros gatinhos, essa foi minha pior experiência como voluntaria. Mas hoje eu não vejo o caso da Marrequinha como uma derrota, ela viveu durante 55 dias, 49 deles na minha casa, ela teve uma família, mesmo que temporária, coisa que não teria se estivesse na rua ou algum abrigo, e partiu sabendo o que é ser amada! A Marrequinha me mostrou o quanto o lar temporário é importante, tanto para aqueles que são recuperados e doados, quanto para aqueles que vivem pouco tempo, estando em um lar temporários, eles vão partir sabendo o que é ter uma casa e uma família.

ODV: Para que as pessoas entendam, qual a importância do Lar temporário?

Jessica: O Lar Temporário é uma das coisas mais importantes para uma ONG de proteção aos animais, quanto mais famílias abrirem suas casas, mais animais podem ser resgatados e doados, não importa o tipo de animal a ser cuidado, você pode acolher cães, gatos, adultos, filhotes, os saudáveis ou os debilitados, o importante é acolher o animal e dar uma chance a ele. O lar temporário permite uma reabilitação completa, diferente de um abrigo/canil, no abrigo o bichinho vai ter agua, comida, atendimento veterinário e só, nada de carinho ou interação com a casa e com seres humanos.  Já no lar temporário, o animal vai estar em uma família, recebendo carinho, aprendendo a conviver com as pessoas, vai ter uma reabilitação tanto física quanto emocional, vai aprender a ser amado e a sentir confiança no ser humano, é uma experiência única acompanhar a evolução deles. O legal do lar temporário é que qualquer pessoa pode ser, a Acapra ajuda com tudo que o bichinho precisar durante esse período, você só precisa oferecer um cantinho para acolher o animal e um pouco de carinho, além de ajudar uma vidinha, vai receber em troca muito amor e gratidão desse bichinho.

 

ODV: Qual maior número de animais que você já teve em casa juntos?

Jessica: O maior número que já tive foram meus cinco cães e doze gatos temporários, sendo que cinco deles eram de mamadeira, mas foi em um momento de desespero , por falta de lar temporário, porém não é algo que gosto e que costumo fazer, não é bom para os animais, mesmo ficando apenas poucos dias, em um ambiente lotado, não conseguimos dar a atenção necessária a todos, e a proteção animal não é só dar agua e comida, é preciso dar amor e carinho também, socializar o gatinho, por isso eu prefiro pegar menos gatinhos, assim consigo cuidar melhor deles.

 

ODV: Você tem animais de estimação?

Jessica: Tenho cinco cães e cinco gatos, sendo que três gatos ficaram com a minha avó que mora em frente à minha casa.

ODV: Deixe uma mensagem sobre o seu trabalho como voluntária:

Jessica: Nós voluntários somos pessoas comuns, temos nosso emprego e família, e não recebemos salario para ajudar os animais, não somos heróis e nunca vamos conseguir salvar todos, mas nós continuamos pois temos certeza que cada vida salva é uma vitória, eu já vi muita coisa ruim nesse tempo que sou lar temporário, mas as coisas boas sempre são maiores, é uma experiência muito gratificante, todos deveriam experimentar a sensação de pegar um anjinho abandonado e cuidar dele até encontrar uma família, faz bem pra alma.Principalmente com os pequeninos órfãos, tão minúsculos, frágeis, mas ao mesmo tempo tão fortes, acompanhar um filhote de mamadeira é magico, ver ele superar todos os obstáculos, e passar de um caso perdido para um gato gigante e forte é muito emocionante, uma sensação inexplicável, só quem faz isso para entender.

Existem muitos animais na rua, abandonados e em e situações de risco. Lares temporários são cada vez mais necessários. Caso alguém sinta vontade de acolher um animal e ser voluntário, pode entrar em contato por mensagem na pagina da ACAPRA Brusque no Facebook.  O endereço é: https://www.facebook.com/acaprabrusquesc

 

Confira abaixo a galeria de fotos, de alguns animais que receberam os cuidados de Jessica Ricardo:

 

 

 

Por: Letícia Refundini

 

Publicado por Olhar do Vale

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