Unifebe Vargas Câmara

Hospital Azambuja realiza primeiro explante de órgãos de sua história

Pocedimento aconteceu na madrugada deste domingo, 29. Foram doados os rins, as córneas e o fígado do paciente que estava na UTI do hospital.

o Hospital Azambuja, de Brusque, realizou, na madrugada deste domingo, 29, o primeiro explante de órgãos – cirurgia de retirada de órgãos para transplante – de sua história. O procedimento foi realizado em um homem, de 33 anos de idade, que está internado na UTI, vítima de um acidente de trânsito. O paciente estava toda a semana em processo de morte encefática e sendo acompanhado pela equipe do Azambuja.

No início da manhã de sábado, quando houve a confirmação, foram realizados todos os exames necessários, além da autorização da família para a realização do explante dos rins, córneas e fígado do doador.  Na semana passada, foi constada um outra morte encefálica no hospital, mas a família não autorizou a doação.  “É difícil nesta hora, a gente sabe, mas existe uma equipe toda do estado que acompanha e estamos a um tempo treinando a nossa equipe do Azambuja. Devemos ter alguns brusquenses na fila de transplante que também precisar e podemos ajudar, , pois este é um gesto que, as vezes, salva mais de uma vida”, destacou o administrador do Hospital Azambuja, Fabiano Amorim, que acompanhou os trabalhos da equipe.

A cirurgia de explante iniciou por voltadas 1h45, desde domingo e durou pouco mais de três horas. Todo o procedimento foi realizado por uma equipe da SC Transplantes – Central de Captação, Notificação e Distribuição de Órgãos e Tecidos de Santa Catarina –, de Florianópolis, composta por uma enfermeira da Central de Transplantes e uma técnica em enfermagem, do banco de Olhos, profissionais do CIHDOTT – Comissão Intra- Hospitalar de Doação de órgãos e Tecidos para Transplantados, do Hospital Santa Isabel, de Blumenau e da equipe do Hospital Azambuja, coordenados pelo cirurgião do aparelho digestivo, Dr. Andrew Massutti, também do CIHDOTT.

Após a cirurgia, foi confirmado que o fígado do doador foi levado para transplante em Blumenau e os demais órgãos para Florianópolis, onde serão feitos novos exames e enviados para locais onde tenham receptores compatíveis o mais breve possível, pois os órgãos tem um tempo limitado para serem transplantados. “A fila de receptores é muito grande e estamos conseguindo reduzir, ou pelo menos manter estável , tratando e curando pessoas doentes com estas ações, com a ajuda das famílias”, disse o cirurgião.

Enquanto isso, do lado de fora: música! Foi a maneira que a esposa do doador escolheu para homenageá-lo. “Ele adorava esta música e onde quer que esteja, sei que está ouvindo”, declarou. Segundo, Soraia Cordeiro, era um desejo do marido, ser doador de órgãos. “A gente conversava sobre isso e ele sempre dizia que, se acontecesse alguma coisa, era doar os órgãos. Crianças, jovens, idosos que ainda podem ter uma vida saudável, precisam destas doações. È triste perder alguém que amamos, mas nos conforta saber que salvamos alguém”, declarou ela.

NOVOS PROCEDIMENTOS NO AZAMBUJA

O Hospital Azambuja há muito tempo vem preparando a equipe para realizar este tipo de procedimento, além da modernização do Centro Cirúrgico e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que são exigidos para realização de explantes, portanto a intenção é realizar vários outros daqui em diante.

Segundo relata do administrador do Hospital, Fabiano Amorim, “Brusque tem um volume muito grande de politraumas, por conta da grande quantidade de óbitos por acidentes, principalmente, de trânsito, o que torna a cidade, um município captador de órgãos para Santa Catarina. O nosso trabalho é conscientizar as famílias da importância de doar”.  Ainda segundo ele, “a gente trabalha para cada vez mais, ter uma saúde de excelência na região, ajudando as pessoas. Muitos brusquenses estão na fila para transplantes e a gente pode facilitar essa espera, começando por aqui. Vamos dar vida a outras pessoas, isso que é o mais importante”, lembrou Amorim.

O PROCEDIMENTO

Todo o processo de doação começa na UTI do hospital. A equipe acompanha do paciente, quando se constata através de exames que o paciente é um possível doador, o médico responsável  abre um protocolo e após confirmada a morte encefálica, por uma série de testes clínicos e exames de imagem,  a Central Estadual de Transplante é acionada. A partir daí, eles auxiliam e coordenam todo o processo, inclusive conversando com a família, quando há necessidade. Em seguida, após fechado o protocolo com a confirmação de que o doador esta em morte encefálica e a família esta de acordo para doação, é acionada uma equipe de sobreaviso responsável pela captação que se desloca até o local onde será feito o procedimento.

De acordo com o Dr. Andrew Massutti ,  cirurgião do aparelho digestivo , que faz parte da  CIHDOTT – Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantados, do Hospital Santa Isabel, de Blumenau, referência em transplantes do Estado, “o Brasil é o segundo maior país que realiza transplantes e isso acontece pelo trabalho que é feito no sentido de conscientizar as pessoas para que avisem  seus familiares e deixem bem claro de que querem ser doadoras, e com as famílias que sigam com o desejo daquele familiar, pois estarão salvando vidas”.

O médico ressalta que, num primeiro momento, qualquer pessoa pode ser doadora de órgãos, basta deixar isso bem claro para seus familiares. “Já em outro processo, quando já foi diagnosticada a morte encefálica do paciente, o exame dos órgãos, de viabilidade, pode acontecer no momento da captação. Os órgãos sólidos que podem ser doados, a gente considera então, coração, pulmão, fígado, pâncreas, rins e mais globos oculares”, explica e destaca, “o gesto de salvar uma vida é o que deve estar sempre em primeiro lugar”.

Publicado por Olhar do Vale

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