Unifebe Vargas

O outro lado da moeda: o que o PT acha dos protestos de domingo

Presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores concedeu entrevista exclusiva à Olhar do Vale (ODV) para falar sobre o tema polêmico;

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Foto: Câmara de Brusque –

Brusque – Muito tem se falado sobre o dia 15 de março, que promete ficar marcado em todo o Brasil como o dia em que milhares foram as ruas em protestos contra a presidente da república, Dilma Rousseff (PT). Muito se comenta sobre as pessoas que desejam a sua deposição, no processo judicial conhecido como Impeachment, termo que há muito tempo não se repetia tanto desde a época de Collor, alvo da mesma ação no início da década de 90, após desmandos governamentais e escândalos de corrupção.

Pouco é difundido, porém, sobre o que o outro lado da história pensa sobre o assunto. Para dar voz aos que apoiam o governo Dilma, Olhar do Vale (ODV) procurou o vereador e presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), Felipe Belotto. Em uma entrevista exclusiva, ele conta o que ele e, de certa forma, todos os seus correligionários e simpatizantes da governante pensam sobre os levantes programados para o próximo final de semana. Acompanhe:

Olhar do Vale (ODV) – Partidos de esquerda e ou que apoiam Dilma estão repudiando a realização dos protestos do próximo dia 15 de março. Qual a razão do descontentamento?

Felipe BelottoA afirmativa não é verdadeira, o PT tem defendido o direito das pessoas se manifestarem, sejam a favor ou contra o governo. O que repudiamos é a violência, os extremismos e os métodos antidemocráticos. A posição do Partido quanto a isso está na fala recente do Presidente Nacional do PT, Rui Falcão, que pode ser conferida aqui: https://youtu.be/9tzxwItMMvs

ODV – “Orquestração golpista” é o termo que está sendo utilizado para definir os movimentos que requerem o Impeachment da presidente Dilma. Qual a causa de tal denominação?

Belotto – Orquestração golpista foi o termo utilizado pelo Alberto Cantalice, Vice Presidente nacional do PT para designar o financiamento de alguns destes movimentos por parte de grandes empresários e Partidos de Oposição.

O PSDB, por exemplo, está ao lado de movimentos como “vemprarua” e a “ondaazul”, desde o ano passado. O PPS e o Solidariedade anunciaram que vão às ruas com bandeiras do Brasil e carros de som. Estão também abraçados com Marcello Reis e Mauro Sheer, comandantes do movimento “Revoltados Online”, grupo que é conhecido por defender o regime militar, disseminar o preconceito contra nordestinos, e contra minorias, como gays, e que em 2014 se associaram à campanha de Aécio Neves para presidente

ODV – O Partido dos Trabalhadores, junto com outras entidades, pretende também fazer um manifesto, porém, com um objetivo diferente nesta sexta-feira (13). Pode falar sobre?

Belotto – As centrais sindicais e o MST chamaram o ato dia 13. É um erro considerar que é um movimento do partido. A pauta inicial consistia em questionar inclusive medidas do governo, como o ajuste fiscal proposto, levantando pautas próprias dos trabalhadores. Com o clima de flerte com o golpe que se aproximou, as próprias centrais sindicais, o MST, demais movimentos sociais, passaram a transformar a data também em um manifesto pela Democracia e pela defesa da Petrobras e da Soberania nacional.  Com certeza, no dia 13, ninguém estará pedindo ditadura.

ODV – Impossível não lembrar das manifestações petistas na era FHC, também pedindo a deposição do presidente tucano. À época, também se tratava de um levante golpista?

Belotto – É desconhecimento histórico afirmar que o PT pediu a deposição do FHC. O tema foi inclusive debatido em congresso do partido e o próprio Lula, Presidente de Honra, e o Zé Dirceu, presidente na época, foram defensores contra o “Fora FHC”. O Partido OFICIALMENTE, no voto de seu diretório nacional, foi contrário ao Movimento.  Foi debatido e o Partido disse não a tese do “Fora FHC.”

O link abaixo relata o debate entre as tendências do Partido e quem defendeu a favor e contra o tema.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2811199903.htm

ODV – Inegável que o Brasil passa por uma situação política muito complicada. Corrupção em vários partidos políticos, porém, concentrado de forma maior na base governista. O que fazer para acabar de vez com tal panorama?

Belotto – Primeiro, preciso discordar da afirmação de que a corrupção está concentrada na base governista. Isso é distorcer a realidade. O PSDB, é o partido com maior número de políticos ficha suja e o terceiro com maior volume de políticos cassados. Perdem apenas do PMDB, segundo lugar e do campeão da corrupção, o DEM, antigo PFL, antiga Arena, herdeira da ditadura. O que é mais concentrado na base governista é o tiroteio de certa imprensa nacional, que sempre blindou os escândalos tucanos. Tanto que pouco se fala do Swissleaks, do Trensalão, da lista de furnas.

A raiz da corrupção está na forma de financiamento eleitoral. Hoje, os candidatos buscam doações de particulares e de empresas para financiar suas campanhas. E cada vez mais as eleições são mais caras e cada vez mais, os candidatos mais “cheios da grana” são os que se elegem.

Enquanto os políticos continuarem tendo a necessidade de procurarem dinheiro privado para fazer suas campanhas eleitorais, vamos continuar assistindo propinas, sobrepreços, obras superfaturadas, esse tipo de coisa.

Já cansei de falar desse tema, mas não tem outro caminho. É necessário financiamento público de campanha, assim como sugere o Papa Francisco. Criminalizando o caixa 2. Não adianta derrubar a Presidente e manter o resto do sistema político como está. Precisamos de Reforma Política.

ODV – O que você acha que o movimento do dia 15 pode acarretar para a população brasileira?

Belotto – O dia 15 não está descolado de um clima de polarização que acontece com mais força desde 2013. Mas que sempre esteve presente na nossa sociedade. Muitos historiadores e cientistas sociais percebem no presente momento um clima parecido com o que antecedeu o golpe de 1964.

Na verdade, até o debate público está “sessentista”, pessoas falando em “Comunismo”, como se fosse um fantasma real, um muro de Berlim que ainda existe na mente das pessoas.

Objetivamente, o Governo Dilma foi reeleito há poucos meses e tem um pacote de medidas impopulares acontecendo em nome de um reajuste na economia, prometido na campanha mas sem dizer como seria, dando margem ao discurso do PSDB de que Dilma teria traído seus compromissos.

O Governo errou nos primeiros dois meses isolando a Presidenta, que praticamente não deu entrevistas, não dialogou, não mostrou o que era esse ajuste econômico e para que propósito ele serve ao país. Isso ajudou a diminuir a popularidade do Governo, fazendo com que apoiadores ficassem se sentido “vendidos na história”. Eu mesmo me senti assim em alguns momentos.

Porém o Governo vem reagindo, a Presidenta saiu em defesa do Governo em rede nacional e cumpre uma agenda de entrega de obras, assinaturas de programas e passa a dar entrevistas frequentes.

O discurso golpista, pela intervenção militar e outras bobagens, faz também com que a base social da Dilma e do PT, mesmo aqueles que não concordam com o ajuste fiscal, passem a se unir pra defender o Projeto e os avanços do País. Por isso as centrais que iam protestar contra o Governo, agora parece que estão apoiando.

A rede Globo já mudou até horário do Futebol de Domingo para não “atrapalhar as manifestações”. Vai dar cobertura completa! Os setores que fazem oposição vão buscar dia 15 que as coisas continuem acirradas e o Governo acuado.

Eu anseio pelo dia 16 e que as pessoas percebam que é necessário ter moderação e confiar na Democracia. O ajuste fiscal está sendo debatido no Congresso. A lista de políticos da Lava Jato, já foi tornada pública e já está nas mãos do STF. A Presidenta Dilma não está sequer entre os investigados, o que torna nula a tese do Impeachment. Acredita-se que a economia já dará sinais de recuperação no segundo semestre.

A normalidade democrática, a segurança da institucionalidade é pressuposto de uma Nação que se quer Livre da Corrupção.

ODV – Considerações finais.

Belotto – Agradeço por dar espaço ao PT de Brusque para manifestar sua posição. Nosso Partido não vai participar da manifestação. Fizemos dia 12, quinta-feira, um ato no Clube Caça e Tiro de filiação ao PT. Foi o maior evento de filiação do PT de Brusque em 35 anos, filiando 114 lideranças de nossa sociedade. Nosso Partido está forte e unido em defesa do interesse dos trabalhadores, de Brusque e do Brasil.

Observador curioso que sou, fico me perguntando se alguns políticos de nossa cidade, que até esses dias gritavam, “Ele Rouba, mas faz”, estarão na praça falando contra a corrupção neste dia 15.

O evento que pede a deposição da atual presidente terá início às 10h do próximo domingo (15), em frente à Prefeitura de Brusque, na Praça Sesquicentenário. Porém, a partir da última quarta-feira (11), espécies de vigílias já estão sendo feitas em frente à Praça dos Três Poderes.

Relembre: “Ao menos no Facebook, ato contra Dilma em Brusque já reúne 4700 confirmações”

A Polícia Militar deve prestar segurança ao evento que deve reunir mais de quatro mil pessoas.

por Wilson Schmidt Junior

Publicado por Olhar do Vale

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