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Especial Dia das Mães – O privilégio de ver a filha nascer pela 2ª vez

Depois de quatro anos lutando pela vida, Jéssica renasceu após receber a medula da mãe

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A história da doença, muita gente já conhece. Quando Jéssica Vitória de Souza Ribeiro, 10 anos, tinha seis anos de idade, a família descobriu que ela tinha uma Anemia Aplástica Severa. Um tipo de câncer que paralisa todos os órgãos e tem como sintomas: cansaço, anemia, imunidade baixa, febre, infecção, entre outros. Ou seja, só um transplante de medula óssea poderia salvar a vida da menina. Um momento definido como “terrível” pela mãe. Foram anos de muita dor, em meio a internações e viagens. “Desde o início tudo foi muito difícil”, conta Lucinéia D. de Souza, 37 anos, que além de Jéssica tem mais um filho de 20 anos. “Me revoltei muito no começo. Só chorava… mas ao longo do caminho, fui encontrando pessoas que me deram apoio e ajudaram a lutar”. Porém, ela confessa que havia momentos de fraqueza, onde pensava “Será que Deus me abandonou?”.

Lucinéia teve que abrir mão da própria vida, parar tudo e cuidar apenas da filha. A mala nem era mais desarrumada. Às vezes, ficavam apenas 10 dias em casa. Depois, o tempo todo estavam nos hospitais. “Nesse período, a única coisa que eu fazia era rezar para que houvesse uma solução”, afirma ela.

Em agosto do ano passado, com apenas 5 % da medula funcionando a criança chegou em seu estágio mais crítico, precisando urgentemente de um doador. A preferência era por alguém que tivesse 100% de compatibilidade. Mas, após muitos anos de espera, sem sucesso, a alternativa para salvar a vida de Jéssica foi fazer o transplante com a própria mãe.

lucineia

O dia tão esperado chegou após a menina passar muito mal e superar muito sofrimento. Ela já não conseguia mais nem caminhar. Felizmente, os exames deram certo e Lucineia partiu para o tudo ou nada, com muita fé. “Sabia que Deus tinha me dado essa chance e me agarrei nisso”. A recuperação foi um sucesso e dois dias após, a mãe saiu do Hospital das Clínicas, em Curitiba/PR, local onde foi realizada a cirurgia.

“Mesmo debilitada, ela estava sempre feliz e pensando em realizar seus sonhos. Por isso não tenho palavras para definir esse sentimento. É muita alegria, não tem coisa melhor. Nunca imaginei passar por essa situação, mas é uma coisa que vou lembrar sempre”, diz Lucinéia.

Ela conta ainda, que depois soube que até os médicos tiveram medo de fazer o transplante e discutiram muito o caso, que hoje é referência em estudos por todo o país. Mesmo assim, Lucinéia nunca desistiu. E a lição que fica?

“Cada um tem sua cruz. Mas, temos que ter fé em Deus, porque apesar do sofrimento, tem que saber que após a luta vem o final feliz e a vitória.  Ser mãe é uma graça de Deus, é tudo na vida. E pela segunda vez é ainda mais emocionante.Tudo vale a pena!”, completa.

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Texto: Caroline de Souza

Foto: Caroline de Souza / Ilustração

Publicado por Olhar do Vale

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