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Entrevista: reitor revela o futuro da Unifebe

O professor Günther Lother Pertschy recebeu a nossa reportagem para falar sobre o tema.

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Foto: Anderson Vieira –

Brusque – Quais os rumos da Unifebe?  O Olhar do Vale procurou o reitor do Centro Universitário de Brusque Günther Lother Pertschy, de 52 anos, para responder esta e outras questões.  Em quase uma hora de bate-papo, o reitor, que ingressou na Unifebe como professor em 1999 e desde 2011 ocupa o cargo maior da instituição, revelou a sua forma de pensar. Acompanhe a entrevista:

Olhar do Vale: O que o senhor espera de 2015 para a instituição já levando em conta todas as mudanças que vão ocorrer na economia este ano?

Reitor Günther:  bom Anderson é um prazer estar aqui no Olhar do Vale e poder conversar com a comunidade. Isto é muito importante.  A Unifebe, sendo uma instituição comunitária,  precisa estar informando a comunidade tudo que aqui acontece. E nós somos realmente sabedores de que 2015 será um ano duro, difícil, quem sabe mais que em 2014. O país carece de vários ajustes, de medidas, enfim, não cabe aqui tratarmos deste assunto,mas sabemos que não será tão fácil como nos anos anteriores. Para a Unifebe em especial nós não temos dúvidas! Porém nós estamos com uma equipe muito motivada, comprometida, então  a gente tem certeza que a Unifebe continuará a apresentar bons resultados e nós iniciamos o ano já com diversas situações favoráveis e que vão contribuir muito com a nossa região, quando eu falo Brusque e região são os nossos oito municípios, que começa lá em Tijucas, passando por Canelinha, São João Batista, Major Gercino, Nova Trento, Guabiruba, Botuverá e a própria Brusque. Eu posso ainda extrapolar esta minha região tratando de outros municípios que vem descobrindo a Unifebe como uma opção que é o caso de Gaspar e Ilhota.  Nós temos a preocupação de formar os nossos profissionais com uma qualificação condizente com a que o mercado exige. Portanto é preciso estar realmente atento quanto a isso. Não adianta mais hoje em dia aulas teóricas simplesmente, então nós estamos com vários ambientes híbridos, onde o acadêmico tem aula dentro do laboratório. Ele observa a teoria apresentada e já experimenta na prática aquele ambiente. Inauguramos vários ambientes nesse sentido e continuaremos nesse ritmo. Nessa linha de preocupação nós adquirimos agora um espaço aqui ligado ao atual espaço da Unifebe (antiga loja de móveis), então estamos em plena reforma para fazer com que aquele espaço físico tenha o padrão Unifebe. Num primeiro momento nós vamos entregar a clínica escola psicologia que vai ser mais um espaço utilizado pela comunidade de Brusque e região, uma vez vamos fazer extensão, pesquisa e atendimento a vários tipos de público. Estamos ai com bastante expectativa para que isso se inicie e a entrega está bem avançada, está prevista para inicio deste semestre.  Outros espaços estão sendo preparados uma vez que teremos o escritório modelo de contabilidade, a agência modelo de publicidade e propaganda,  teremos também projetos ligados a engenharia civil, a engenharia mecânica, a pedagogia, o laboratório de movimento humano, ou seja, um espaço contemplando diversos cursos e todos eles voltados a nossa comunidade. Em paralelo nós já aprovamosde término do Bloco “D” , então com isso poderemos contar com mais vinte salas novas. Outra questão é o centro tecnológico de fabricação. Nós tivemos um repasse do governo do estado e foi 100% desse valor utilizado para a aquisição de equipamentos deste centro tecnológico de fabricação que vai também nos permitir ser referência para os cursos de engenharia mecânica e engenharia de produção. Nós vamos poder contribuir tanto no desenvolvimento de produtos, processos e de talentos humanos ligados as áreas de engenharia mecânica e produção, ou seja, vamos poder interferir na produção industrial  da nossa região. Isso é um grande trunfo. A lógica é muito simples: nós vamos auxiliar para que as organizações produzam mais com mais qualidade e que faturem mais.  A partir deste momento eu gero mais impostos, mais empregos, eu movimento toda uma cadeia econômica. É preciso fortalecer a economia da região e a universidade é a grande aliada.  É ali que é a fonte de recursos humanos, com o talento. É ali que é a fonte de conhecimento para enfrentar os novos momentos. É ali a fonte de pesquisa para se prevenir das alterações que vão vir logo a seguir. Então nós estamos muito contentes neste sentido porque a Unifebe está no caminho certo.

ODV: Professor, em 2015 nós teremos lançamento de algum novo curso?

Reitor Günther:  a expectativa é de pelo menos dois cursos robustos. Eu só não vou antecipar os nomes dos cursos, mas nós estaremos sim oportunizando aos jovens da nossa região com mais profissões e sempre dentro daquela linha de observar atentamente, de pesquisar, de quais os cursos que são de grande proveito e de grande oportunidade para os nossos jovens. Não é simplesmente abrir um curso por abrir, nós temos que ver a demanda, ver futuro,uma vez que a gente sabe que daqui a alguns anos muitas profissões serão realidade. Nós nem sabemos o nome dessas profissões, mas será uma mescla: a informática com a engenharia,  a engenharia com a biologia, a engenharia com a medicina, enfim, são novas situações, novos caminhos que estão sendo traçados. 

ODV: Estes novos cursos são em que área?

Reitor Günther:  nós podemos antecipar que são nas áreas de engenharia e de saúde.

ODV: Professor, em relação ao crescimento da Unifebe no que diz respeito ao número de alunos. Qual a expectativa?

Reitor Günther:  a simulação está sendo a todo momento efetuada. Nestes últimos três anos nós lançamos um total de 10 cursos. Alguns deles muito robustos, que carecem de muito investimento, como é o caso de engenharia mecânica, engenharia civil, arquitetura e urbanismo, publicidade e propaganda e psicologia.  São cursos que demandam de tempo, de investimento e que precisam ser tratados com muita seriedade, uma vez que nós estamos lançando no mercado profissional que vão interferir na sociedade. E todos os cursos com no mínimo quatro, cinco anos de duração. Então a cada semestre, Anderson, o que se percebe na Unifebe é à entrada de um volume de novos acadêmicos, porque esses dez cursos não estão liberando alguém ao mercado ainda. A lógica é entrar novos acadêmicos a cada semestre. Então o crescimento é visível. Nós atingimos aquele número que nós pretendíamos já no término praticamente do semestre anterior, que é de 3 mil alunos e agora a cada semestre é um volume que entra.  Se nós lançarmos mais dois cursos é mais um acréscimo e assim sucessivamente. Então nós acreditamos ai que tudo depende desse número de cursos a serem oferecidos para que o crescimento em termos de número de acadêmicos venha a evoluir.  A credibilidade da Unifebe por tudo que vem acontecendo também fez com que os cursos tradicionais tivessem uma procura maior. Nós temos uma série de preocupações, não apenas em suprir os novos cursos com condições físicas, mas também a parte pedagógica de todos os cursos. Muitos investimentos estão sendo feitos para os cursos que já aconteciam na Unifebe. Nós buscamos sempre a excelência na educação. Prova disso posso dizer que as 10 avaliações do MEC em uma escala de zero a cinco nós obtivemos notas acima de quatro. A menor 4,3 e a maior 4,7 que o MEC arredonda pra cinco. São notas expressivas que consideram os cursos com excelente qualidade. A nossa preocupação é essa com uma atuação muito forte do nosso quadro docente. O docente precisa ter no mínimo um título de especialização, mas hoje para você ter pontuação, de se manter bem, você precisa de no mínimo titulação de mestre e doutor.  Os nossos processos seletivos aqui na instituição inclusive consideram isso. É pré-requisito o docente ser mestre ou doutor porque a pessoa que está buscando conhecimento reflete na sala de aula.  Quando nós falamos dos últimos investimentos, não é apenas uma ou outra situação é, na verdade, um conjunto e para isso demanda de muito esforço e comprometimento. E o que é mais difícil na educação neste país, a forma de financiar estas melhorias e investimentos. Se nós tivéssemos um auxílio dos governos nesse sentido, não tenha dúvida que nós faríamos muito mais com mais velocidade e com espaço de tempo mais curto, mas como temos que caminhar com nossas próprias pernas e com muita dificuldade, porque a educação desse país não é prioridade, apesar desses discursos de a educação ser sempre prioridade, nós sabemos que isso não é real. Até porque um povo esclarecido sabe o que é importante ou não para a sua nação.

ODV: Hoje a gente percebe que a geração que está aí é cada vez mais conectada e imediatista, porém em na sala de aula há pessoas das mais diversas gerações. O professor da Unifebe está preparado para lidar com isso?

Reitor Günther:  bom, Anderson , a Unifebe já se preocupou e se preocupa com isso a muito tempo. Nós já tivemos treinamento, nós já tivemos sensibilização  e cada geração tem agora um código, um nome, a “X”, a “Y”, enfim, e nós estamos trabalhando essa questão. E é muito natural você encontrar o jovem imediatista, mas sem profundidade com o senhor que é maduro que tem toda uma experiência de vida. O que está sendo tratado é a nossa busca de fazer com que as nossas chefias sejam desenvolvidas, os nossos docentes saibam tratar esses diversos públicos, essas diversas gerações e não estimular o conflito ou dizer que um é melhor que o outro, mas uma complementa a outra e isso é muito natural e que bom que é assim. Nós sabemos que as outras novas gerações diferenciadas das atuais virão. Eu estive recentemente no maior evento de tecnologia voltado a educação que aconteceu em Londres e fizemos visitas em duas grandes universidades, uma foi a Cambridge que simplesmente tem mais de 800 anos de atividade onde passaram Isaac Newton, Charles Darwin ,Einstein. Então eu estou falando de uma instituição que já conquistou mais uma dezena de prêmios Nobel e também visitamos a Coventry  que é considerada a universidade mais inovadora do planeta para trazer subsídios, para saber o que está sendo apresentado para este público. Os nossos filhos, netos, agora, mal sabem falar, mas com o dedinho já sabem usar o celular, então é um público que já nasceu com este acesso. Eu sou da geração que para entrar no mercado precisava fazer curso de datilografia. Hoje você comenta isso com os filhos eles perguntam o que é . Todo inicio de semestre a Unifebe promove e formação continuada que é um momento de dar uma parada de aprender com palestras, mesas redondas, plantão pedagógico,  oficinas onde nós desempenhamos todo um trabalho voltado aos nossos funcionários  e aos nossos docentes. O objetivo deste trabalho é melhorar a postura em sala de aula, a busca por tecnologia como aliada, trazer novos formatos, aprender como lidar com estas situações. Recentemente nós falamos sobre a questão da inclusão, da acessibilidade, enfim, como você desempenhar a sua função uma vez que a tecnologia está na mão dos nossos acadêmicos. Quando assumimos nós abrimos as redes sociais. O nosso docente é que tem que mudar a sua postura para tornar uma aula mais interessante, mais adequada a este público, mas como você disse uma sala de aula é um misto de pessoas mais experientes com esta geração, então para atender todos, você precisa estar preparado. Então é essa a nossa busca. No entanto, isto não quer dizer que dar aula tradicional seja ruim. Ela é tão boa quanto aquela aula moderna. Nós estivemos observando nestas universidades nos momentos específicos para a delegação brasileira que nas grandes universidades e a aula tradicional auxilia o acadêmico a ser o protagonista com pesquisa de campo, buscando nos recursos tecnológicos o que pode ser de subsídios para ele apresentar resultados. A grande busca é ensinar o nosso acadêmico a como fazer perguntas para obter as respostas.  Aí ele terá a iniciativa, a criatividade, lógica para fazer pesquisa e obter resultados.

ODV: O senhor acredita na efetividade de cursos à distância?

Reitor Günther: eu sou um grande defensor de curso à distância, tanto que a Unifebe está com um projeto em andamento. Tem duas equipes trabalhando nisso. A formação continuada nesse início de semestre também já contempla este assunto. Eu vejo o ensino à distância como um grande aliado, inclusive de complemento ao ensino presencial. Isso a gente percebeu lá fora. Olha o quanto vamos ampliar em potencial.  O aluno poderá ter aula com um expert que está lá no Japão, no outro lado do mundo. Então, o ensino à distância é,  sim , um grande aliado. Tem uma gama de serviços a serem prestados, mesmo para o ensino presencial. Quanto ao ensino puro a distância também pode ser uma grande solução para o nosso país, já que é um país de extensão continental. O que eu não concordo é um ensino à distância como vem sendo apresentado no Brasil, que é um faz de conta. Um faz de conta que ensina, o outro faz de conta que aprende. Nós estamos passando por um problema seríssimo. Vamos pegar só como exemplo as licenciaturas. Basicamente todas as nossas instituições estão abandonando as licenciaturas porque elas deixaram de ser viáveis. Para uma instituição pública no Brasil financiada integralmente pelo governo ela consegue manter uma licenciatura com três alunos, já nós não podemos nos dar a esse luxo, nós que dependemos de receitas que não vem dos impostos, que não vem do cidadão, nós precisamos trazer alternativas e fazer com que os nossos cursos sejam viáveis, então neste sentido as licenciaturas vem sendo desativadas gradativamente na maioria das instituições desse país.  O aluno que participa de um ensino à distância tem que ser muito mais disciplinado, muito mais determinado, pois é ele que é protagonista. Agora, aquele que quer fazer só nas tabelas no ensino a distancia é muito difícil, mas o que está acontecendo é que para aquele que está fazendo pelas tabelas, também conquistar a certificação. Este é o perigo. Nas licenciaturas por exemplo, grande parte das pessoas estão se tornando professor através de licenciaturas à distância e serão estes os docentes dos nossos filhos e netos. Imagine o caos.

por Anderson Vieira

 

 

 

Publicado por Olhar do Vale

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