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“Acho que cabe 300 lojas em todo o Brasil”, diz Hang sobre a expansão da Havan

Empresário recebeu Olhar do Vale e afirmou que "a crise é do tamanho que a gente pensa que ela é "

Luciano Hang

Foto: Olhar do Vale –

Crise, ajustes, cortes, será que tudo que está acontecendo no Brasil pode abater um grande empreendedor? Com esta pergunta em mente o Olhar do Vale foi entrevistar um dos maiores empreendedores do Brasil, o brusquense Luciano Hang. O dono da rede de lojas de departamentos Havan atendeu o jornalista Anderson Vieira em seu escritório no Centro Administrativo da rede, que está localizado na Rodovia Antonio Heil. Luciano falou sobre crise, expansão entre outros assuntos. Acompanhe a entrevista:

Olhar do Vale – Recentemente a revista norte-americana Forbes publicou uma pesquisa realizada pela Boston  Consulting Group, especializada em cenários econômicos para investidores  em mercados emergentes, apontou a Havan como destaque de  crescimento em consumo em regiões fora do eixo Rio-São Paulo.  Como você recebeu a notícia de ser citado como um caso de sucesso?

Luciano Hang –  Olha eu fiquei muito feliz,  na realidade é uma pesquisa feita por um instituto renomado mundialmente . Nós fomos até pegos de surpresa,  pois eles vem para o país e fazem análises e viram que a Havan é  uma empresa de varejo diferenciada. O estilo que nós montamos aqui em Brusque há muitos anos atrás numa loja pequena de 45m ² e se transformou nessa loja baseada em encantar e surpreender clientes e quando nós sentimos que era um modelo de sucesso, que realmente surpreendia os clientes, nós começamos a montar loja no Brasil todo em cidades pequenas e médias, pólos regionais, mas principalmente levando o estilo Havan. Não é simplesmente quatro paredes para vender produto, mas sim uma loja para encantar e realizar o sonho dos clientes que chegam nas nossas lojas.

Olhar do Vale – A publicação trata que os brasileiros são shopaholics (viciados em shopping) você concorda com esta afirmação?

Luciano Hang – É verdade!!! Sempre que o Brasil passa pelos momentos bons da economia o brasileiro tem uma fome de consumir muito grande. O Brasil sofre de um problema que é o excesso de impostos onde os produtos são muito caros, não por problemas dos comerciantes, nem dos fabricantes, mas um excesso de impostos e isso já vem de 20, 30 anos atrás e cada vez crescendo mais, isso faz com que os preços no Brasil sejam caros e por isso também que quando o dólar é baixo, os brasileiros vão para os Estados Unidos e ficam loucos e querem comprar tudo. Os brasileiros se preocupam mais em comprar do que passear. Em qualquer parte do mundo as pessoas saem do seu país para visitarem as belezas, a natureza, visitar algo diferente que tem nos outros países. O brasileiro sai mais preocupado em comprar do que fazer visitas nos lugares interessantes. Agora, de novo que o dólar subiu, os brasileiros voltam a consumir mais no mercado nacional e eles tem esse gosto por consumir. A Havan importa há muitos anos e eu sentia isso desde 1991 quando o Collor abriu as fronteiras do Brasil para a entrada dos importados e nós íamos para a Coréia, China e Taiwan fazer as compras, nós víamos os volumes que os brasileiros compravam e isso impressionava os fornecedores porque era tudo novidade e o brasileiro adora comprar. Nós temos essa beleza que foi colocado só no Brasil que é o crédito. A concessão de crédito no Brasil dada pelas empresas de comércio é um diferencial que possibilita aos clientes aumentarem as compras, coisa que em outros países não é assim. Nos outros países quem dá o crédito para a compra são os bancos, os cartões de crédito, então, aqui no Brasil houve o jeitinho brasileiro que fez com que nós empresários liberassem crédito para os seus clientes e com isso aumentasse o volume de compra  de cada pessoa que aparecesse na loja.

Olhar do Vale – E o foco continuará sendo as pequenas e médias cidades?

Luciano Hang – Nós vamos continuar crescendo por médias e pequenas cidades do Brasil todo, onde tem um potencial de consumo e são sedes regionais . Temos algumas capitais pequenas, fora isso Curitiba, que é uma cidade grande, que foi uma das primeiras que colocamos lojas, mas o interesse nosso é continuar fazendo esse crescimento  e, principalmente, em regiões onde tem grande atratividade, eu dou exemplo de Rio do Sul, uma cidade de 60 mil habitantes só que ao redor tem 30 municípios que se abastece de Rio do Sul.  E assim nós fazemos no Brasil todo. As pessoas, para visitarem a Havan, que é um verdadeiro shopping que são lojas enormes elas andam 100, 200 km, no caso do interior de Mato Grosso elas chegam a andar até 500km para chegar a Havan.

Olhar do Vale – A meta inicial era cem lojas, você já inaugurou 90. Você pensa em aumentar esta meta?

Luciano Hang –  Estamos vivendo um momento delicado na economia brasileira que é momentâneo. Até o mês de junho a Havan abre seis lojas, perfazendo 92 lojas. Já temos compradas as oito lojas para montarmos as cem que era o planejamento estratégico de três anos atrás, mas vamos aguardar os próximos dias, talvez os próximos meses para ver se os nossos fundamentos econômicos estão corretos para que nós possamos avançar. Cada loja dessa que a Havan monta é em torno de 20, 30, 40 milhões de reais, então nós vamos privilegiar os nossos clientes, os nossos fornecedores, e, principalmente, a saúde financeira da empresa para que nós não venhamos a sofrer lá na frente de um excesso de otimismo que nós continuamos tendo, já que a Havan no primeiro trimestre cresceu 45% e esse mês de maio foi o melhor mês das mães da história da Havan.  Talvez este modelo que nós montamos de uma loja que abraça o cliente, uma loja que se preocupa com o cliente, uma loja que chega mais perto do cliente , que ouve o cliente e faz tudo que o cliente quer, talvez seja esse o motivo pelo qual as pessoas, na hora de fazerem suas compras, procurem a Havan.

Olhar do Vale – E nos Estados Unidos? Você já pensou na possibilidade de abrir uma loja lá, já que sua empresa usa símbolos daquele país?

Luciano Hang – Olha, não! O modelo de negócios nos Estados Unidos é uma coisa impressionante, é o berço do capitalismo. Cada esquina tem uma loja,  cada rua tem duzentas lojas, é uma coisa impressionante. O nosso país é muito grande, é um continente. O que eu acho é que cabe 200, 300 lojas aqui no Brasil. Então nós vamos ocupar os espaços aqui . Nós nos próximos meses vamos montar mais lojas em Santa Catarina. Nós vimos espaço para colocar de dez a quinze lojas no estado de Santa Catarina, um estado de excelência, um estado onde a Havan é muito conhecida e dá para chegar mais próximo do cliente.  Então vamos seguir crescendo em Santa Catarina, nos estados onde estamos e abrindo estados novos. Nós queremos no futuro ter lojas Havan em todos os estados do Brasil.

Olhar do Vale – Qual a tua vantagem competitiva em relação a grandes lojas de departamentos já presentes em todo Brasil?

 Luciano Hang – Eu acho que nosso mix de produtos. Nós somos a loja de departamentos mais completa do Brasil. Não existe hoje no país uma loja igual a Havan.  Tamanho, beleza, liberdade de você fazer a compra, você se sente acolhido na loja da Havan.  A variedade de produtos, o mix de mais de cem mil itens. Então nós chegamos numa cidade para somar.  Nós vamos para gerar emprego, gerar renda , trazer a alegria para os clientes. Porque o comércio é elástico. As pessoas acham que se chegar mais lojas numa cidade ela vai dividir .  Posso afirmar, com a experiência que eu tenho de 28 anos, que você  chegando numa cidade, expondo mais produtos, trazendo mais gente para a cidade, você gera mais fluxo naquela cidade e gera mais desenvolvimento no comércio, na indústria, no serviço.  Quanto mais um comércio estiver aberto mais se vende, mais se produz e gira a roda e vai fazer com que gere mais empregos e automaticamente gerando mais empregos se vende mais. Este é um processo virtuoso.  Eu faço isso com muita transparência porque eu já cheguei em cidades muito pequenas e trouxe mais gente pra cidade beneficiando o comércio local e todos ganham com isso.

 Olhar do Vale – Qual o conselho que você dá para quem quer empreender?

Luciano Hang – As oportunidades aparecem na vida de todos. Alguns aproveitam outros jogam fora, outros não querem aproveitar. Eu li recentemente nesta lista da Forbes, que aparece as 500 pessoas mais ricas do mundo, que 70% dessas pessoas que ficaram bilionárias começaram do zero, 15% ganharam de herança e outros ganharam de outra forma este patrimônio, ou seja, a maioria esmagadora começou do zero como eu e aqui em Brusque. Brusque é uma cidade de pessoas que fazem, uma cidade de empreendedores natos que montam a sua empresa do nada e a grande maioria dos empresários que fazem sucesso em Brusque e região começaram do zero. A minha opinião e o que eu diria para as pessoas é ter objetivos, traçar a meta, ter disciplina para fazer com que essa meta seja alcançada, acreditar nos seus sonhos e fazer o sonho acontecer. Trabalhe muito, tenha disciplina, não esmureça com as dificuldades que acontecem no dia-a-dia porque acontece para todo mundo. E siga em frente, você com decorrer dos anos vai olhar para trás e dizer: Eu fiz, eu consegui.

Olhar do Vale – Muito obrigado pela entrevista

Luciano Hang – Muito obrigado. Gostaria de deixar uma palavra de otimismo: A crise é do tamanho que você pensa que ela é. Se você encarar qualquer desafio de frente, você vai resolvê-lo. Eu tenho o costume de dizer que todo problema tem solução . Apareceu o problema, resolva. Não faça desse problema virar um problema na sua vida. Você tem que resolver os problemas. Todo problema tem solução, basta querer. Neste momento não pensa em crise, pensa nas oportunidades que vão surgir e você vai sair muito melhor do que entrou nesta crise.

 por Anderson Vieira

Publicado por Olhar do Vale

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